Diversidade em Debate: Uma Reflexão Necessária na Endocrinologia e Metabologia

O debate sobre diversidade dentro da Endocrinologia e Metabologia tem se tornado cada vez mais essencial para ampliar a compreensão sobre os desafios que envolvem o cuidado integral à saúde.

Em função de observar essa necessidade, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), através de uma comissão específica para essa finalidade, vem fazendo um trabalho importante de conscientização de médicos e da população. Atualmente, a Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão é coordenada pela Dra. Luciana Barros Oliveira.

Mais do que um tema social, falar sobre diversidade é reconhecer que as diferenças influenciam diretamente o modo como doenças se manifestam, são diagnosticadas e tratadas.

O tema passou a ser incluído em atividades especiais nos últimos três congressos da SBEM, como o encontro “Café com Diversidade”, realizado em áreas abertas dos congressos, sendo que o último aconteceu no Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia (CBAEM 2025), em Gramado.

Para a Dra. Luciana é um espaço importantíssimo e democrático que vem ganhando visibilidade, sendo um estímulo ainda maior para a produção de trabalhos científicos na linha de Diversidade, Equidade e Inclusão.

Para a Dra. Larissa Horus Bueno, que apresentou o trabalho sobre transgeneridade, é uma oportunidade única. “Sinto uma enorme responsabilidade na missão de falar sobre o tema e quem sabe estimular outros jovens profissionais a também iniciarem um atendimento a uma população que precisa de muita atenção”, comentou.

O trabalho apresentado fez um levantamento de mulheres trans com mais de 50 anos de idade. Segundo a Dra. Horus, a pesquisa procurou respostas porque é de conhecimento geral que a expectativa de vida dessa população é de 35 anos, principalmente devido à violência. No trabalho, voltado para a área da Endocrinologia e Metabologia, o objetivo foi encontrar os melhores cuidados de saúde para essa faixa etária.

A visão da SBEM é que discutir diversidade significa olhar para a prática médica de forma mais humana, considerando fatores como raça, classe social, acessibilidade, gênero e orientação sexual. Esses elementos impactam o acesso a serviços de saúde, a adesão a tratamentos e até a forma como pacientes são acolhidos nos consultórios.

Para ampliar esse debate, a Comissão disponibiliza os trabalhos apresentados no último evento e sugere a leitura atenta.

Cinical, metabolic and cardiovascular risk profile of transgender women over 50 years of age with gender-affirming surgery followedat a university hospital in Southern Brazil  – Dra. Larissa Horus.

Comparative outcomes in bariatric surgery patients aged >60 versus <60 years: a 1 year prospective cohort study  – Dra. Maria Wensing.

Family planning and reproductive health among transgender people undergoing gender affirming hormone therapy : perceptions, barriers and gaps in inclusion – acadêmico Sávio Carvalho.

Investigating body image satisfaction and its sociodemographic correlates in trans women on hormone therapy – acadêmico Sávio Carvalho.

Racial diferences in the clinical profile of patients undergoing bariatric surgery: experience froma tertiary care center – Dr. Vinicius Tarrago

A Comissão é composta por: Luciana Mattos Barros Oliveira (BA), coordenadora; e os membros: Amanda de Araujo Laudier (RJ), Andreza Cristina Oliveira Berlink (BA), Cristiane Bauermann Leitão (RS), Erik Trovão Diniz (PE), Flavia Amanda Costa Barbosa (SP) e Lia Lousada (CE).