A proposta para inclusão da Sexologia como área de atuação da Endocrinologia e Metabologia foi aprovada por unanimidade nesta sexta-feira, 2 de outubro, pelo Conselho Científico da Associação Médica Brasileira (AMB).
O pedido foi construído a partir de uma articulação entre a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), por meio do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade (DEFAT), e a Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS). Foram meses de preparação de documentos, dossiês e reuniões. A conquista representa o reconhecimento formal da participação da Endocrinologia e Metabologia no cuidado à saúde sexual.
Atualmente, a Sexologia é uma área de atuação vinculada à Ginecologia e Obstetrícia e à Psiquiatria. A inclusão na Endocrinologia amplia esse campo de atuação de forma multidisciplinar, somando a especialidade às áreas que já trabalham com a saúde sexual.
“Uma parte muito expressiva da saúde sexual está vinculada aos hormônios e as doenças endocrinológicas que afetam diretamente a saúde sexual. Entendemos que seria importante incluir o endocrinologista junto da equipe multidisciplinar, não reduzindo a atuação de nenhuma outra área que já está lá, mas somando forças para atender e assistir essas pacientes”, explica o Dr. Alexandre Hohl, presidente da ABEMSS e diretor do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade (DEFAT).
Para que uma área de atuação seja reconhecida, é necessário que esteja vinculada a uma especialidade médica. “Existe toda uma fundamentação para que o endocrinologista possa integrar o conjunto de especialidades médicas habilitadas a pleitear essa área de atuação”. Dr. Hohl explica que foi apresentada uma extensa documentação com participação do presidente da SBEM, Dr. Neuton Dornelas; a diretora científica da SBEM, Dra. Marise Lazaretti Castro; e a Dra. Tayane Fighera, coordenadora do DEFAT. Em paralelo, foi pedido apoio à Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – por meio de sua presidente, Dra. Maria Celeste Osório Wender) e Dra. Carmita Abdo (coordenadora do Departamento de Sexologia da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP).
Trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos
A solicitação encaminhada à AMB foi resultado de um processo de estruturação que ganhou intensidade no último ano. Entre as iniciativas estão ações de educação médica, publicações e a ampliação da discussão sobre saúde sexual dentro das atividades do DEFAT.
“O trabalho que já vinha sendo desenvolvido se intensificou”, afirma a Dra. Tayane Fighera, coordenadora do DEFAT.
Ela comenta que o tema também passou a integrar atividades científicas e educacionais da SBEM. “Durante o CBEM 2026, por exemplo, foi realizada uma oficina de sexualidade com profissionais de diferentes áreas, em parceria com a ABEMSS. O Departamento também incluiu uma seção dedicada à saúde sexual em publicação recentemente lançada”.
O processo contou ainda com o apoio das áreas que atualmente têm a Sexologia reconhecida, como Ginecologia e Obstetrícia e Psiquiatria. “Essas duas áreas que hoje são da Sexologia, Ginecologia e Psiquiatria, manifestaram e se colocaram como favoráveis à nossa inclusão”, relata a Dra. Tayane.
Uma área que já faz parte da prática endocrinológica
Para a Dra. Tayane, o reconhecimento formaliza uma atuação que já existe na prática clínica. “A saúde sexual está nesse meio e não é algo à parte do acompanhamento da Endocrinologia e Metabologia. Essa inclusive foi uma das justificativas da nossa defesa. Estamos oficializando algo que já faz parte do nosso dia a dia”, afirma.
Segundo a coordenadora, temas como menopausa e disfunção erétil já exigem uma abordagem que considere a sexualidade. “Não tem como tratar menopausa e não falar da vida sexual. Não tem como tratar disfunção erétil do homem e não falar em sexualidade. Então, já tratamos isso.”
Formalização da nova área de atuação
A partir da formalização, será necessário definir como será estruturada a nova área de atuação, incluindo a metodologia para concessão do Título na área. O processo deverá considerar os modelos já existentes para outras áreas de atuação, como a Endocrinologia Pediátrica e a Densitometria Óssea.
A expectativa é que a Sexologia também passe a ter espaço na formação e nas avaliações relacionadas, como a prova de Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia (TEEM). Segundo a Dra. Tayane, o tema poderá ser incorporado à prova geral e, posteriormente, poderá ser discutida a criação de uma certificação específica.
O reconhecimento também pode contribuir para ampliar a visibilidade da saúde sexual na assistência endocrinológica e para estimular a procura por atendimento especializado.
A aprovação amplia o reconhecimento institucional da atuação da Endocrinologia e Metabologia na área da saúde sexual e abre uma nova etapa para a estruturação dessa área de atuação dentro da especialidade.
Assim, agora, a Endocrinologia e Metabologis passa a ter 3 áreas de atuação reconhecidas:
- Endocrinologia Pediátrica
- Densitometria Mineral Óssea
- Sexologia.
A SBEM, pelo apoio e reconhecimento recebidos, agradece a cada uma das sociedades científicas que, filiadas à AMB, representam oficialmente a medicina brasileira.