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Dia Mundial da Osteoporose: Ingesta de Cálcio e Saúde Óssea

por Jornalismo SBEM em 20 de outubro de 2022


O mês de outubro tem datas importantes referentes à saúde e uma delas é o Dia Mundial da Osteoporose – 20 de outubro. A SBEM Nacional, através do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral e da Comissão de Campanhas, realiza a Campanha de 2022 com o tema “Ingesta de Cálcio e Saúde Óssea”.

Quem dá início à divulgação nas redes sociais é o Dr. Francisco Bandeira, presidente do Departamento, explicando a importância do cálcio para a saúde óssea.

O endocrinologista destaca na campanha de esclarecimento sobre a importância de ingerir a quantidade adequada de cálcio, para prevenir e evitar a osteoporose. Trata-se de uma doença que surge com o envelhecimento e é mais comum entre as mulheres no período da menopausa e em homens após os 70 anos.

Na campanha os esclarecimentos são feitos pelas diretoras do Departamento – Dra. Monique Ohe, Dra. Catarina Brasil e Dra. Narriane Chaves P. Holanda. As endocrinologistas abordam quais são as necessidades diárias de cálcio, as fontes de cálcio na dieta e a forma adequada de suplementação, quando necessária.

Necessidades Diárias do Organismo

A Dra. Monique Ohe fala sobre as várias funções e a importância em todas as fases da vida. O cálcio cumpre diversas funções e quando a ingestão não é correta, o organismo retira dos ossos.

Fontes Dietéticas e Suplementação de Cálcio 

O Departamento reforça que o leite e produtos lácteos representam a principal fonte dietética de cálcio, de forma que a ingestão de quatro porções de laticínios/dia, geralmente, atinge a necessidade diária recomendada.

Os laticínios com redução de gordura são normalmente recomendados, havendo pouca diferença na quantidade de cálcio quando comparados aos integrais.

Além dos laticínios, alguns vegetais, sobretudo os verde-escuros, possuem quantidade significativa de cálcio, podendo ser usados como fontes alternativas, porém alguns componentes alimentares, como fitatos (presentes em cereais e sementes) e oxalatos (presentes no espinafre e em nozes), formam complexos insolúveis com o cálcio, reduzindo a sua absorção intestinal.

A Dra. Catarina Brasil explica que a fonte preferencial de cálcio é a dietética, mas que, em alguns casos, é necessário otimizar o consumo através de alimentos fortificados ou da sua suplementação. “A suplementação pode ser feita com o uso de diferentes sais de cálcio, sendo o carbonato e o citrato de cálcio os mais comumente utilizados. Uma diferença entre os diversos suplementos é a proporção de cálcio elementar presente em cada sal, sendo o carbonato de cálcio o sal com maior porcentagem de cálcio biodisponível (40%).” 

Outro fator importante é o momento da ingestão. As preparações mais insolúveis como o carbonato de cálcio requerem a acidez gástrica para melhor absorção intestinal, devendo ser ingeridos durante a alimentação.  Ao contrário, o citrato de cálcio não necessita da acidez gástrica para absorção. Além disso, quanto maior o fracionamento da suplementação durante o dia, maior será a eficiência da absorção, de forma que são sugeridas doses de 500 mg de cálcio por refeição, não devendo ser usadas doses maiores que 1000 mg (por refeição). 

  •       Tabela de composição de cálcio por alimento

Absorção de Cálcio

A Dra. Narriane Chaves P. Holanda esclarece como é o funcionamento do organismo, onde o estômago e as primeiras porções do intestino são responsáveis pela absorção de cálcio dietético ou na forma de suplementação, sob influência da vitamina D ativa (1,25(OH)2 Vit D). “Quando a ingesta de cálcio na dieta é insuficiente, podemos lançar mão de suplementos de Ca, que estão disponíveis em diferentes formas: citrato de cálcio, fosfato de cálcio e carbonato de cálcio”. Eles se diferenciam pela solubilidade e biodisponibilidade: por exemplo, o citrato de cálcio é mais solúvel e biodisponível em comparação com outros, já que não depende da acidez do estômago para sua absorção e sofre menos influência negativa dos fatores exógenos.

Existem vários fatores que podem prejudicar a absorção de cálcio intestinal:

  1. Componentes da dieta: enquanto proteínas do leite e a lactose aumentam a solubilidade e a osmolaridade do cálcio no intestino, facilitando sua absorção, fosfatos (refrigerantes, embutidos, enlatados), oxalatos (espinafre e nozes) e fitatos (cereais e sementes) tornam o cálcio insolúvel em pH neutro, dificultando a absorção passiva no íleo. Além disso, consumir muita cafeína/chás e sal também pode aumentar a excreção de cálcio pelos rins (a cada 2 gramas de sódio ingeridos, a excreção de cálcio urinário aumenta em média de 30 a 40 mg).
  2. Medicações: glicocorticoides, anti-convulsionates medicações para o estômago (pantoprazol, omeprazol, esomeprazol e anti-ácidos).
  3. Cirurgia bariátrica: tanto o bypass gástrico em Y de Roux quanto a técnica Sleeve podem causar uma importante diminuição da absorção de cálcio intestinal, causando doença óssea nessa população. Os motivos são vários: mudanças na dieta, prejuízo na secreção gástrica, exclusão do duodeno, tempo de trânsito rápido e má absorção de gordura intestinal e, consequentemente, de vitaminas lipossolúveis como vitamina D. Essa má absorção de Ca intestinal irá resultar em aumento do paratormônio (PTH) e consequente perda óssea.
  4. Doenças gastrointestinais: gastrite atrófica, doença celíaca, parasitoses e síndrome do intestino curto são alguns exemplos.


Se você tiver dúvidas em relação à suplementação de cálcio, procure o médico endocrinologista de sua confiança para ajudá-lo a melhorar sua saúde óssea.

 

Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral: Dr. Francisco Alfredo Bandeira e Farias, presidente; Dra. Bárbara Campolina Carvalho Silva, vice-presidente;  e os diretores:  Dr. Miguel Madeira, Dra. Catarina Brasil D’Alva, Dra. Narriane Chaves Pereira de Holanda, Dr. Francisco José Albuquerque de Paula e Dra. Monique Nakayama Ohe.

Comissão de Campanhas: Dra. Mariana Guerra (presidente) e Dra. Ana Augusta Mota Oliveira.