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Campanha Adrenal: Insuficiência Adrenal e Corticoide

por Jornalismo SBEM em 28 de junho de 2022


Orientações do Departamento de Adrenal e Hipertensão em relação à insuficiência adrenal e corticoide.

Insuficiência adrenal após suspensão de terapia crônica com corticoide

O cortisol é um hormônio esteroide produzido pela glândula adrenal, que está envolvido na resposta fisiológica a situações de estresse (estresse físico como doenças infecciosas ou estresse emocional).

Corticoide é um termo mais amplo que engloba o cortisol e outras formas sintéticas, que atuam no mesmo receptor do cortisol. Em doses suprafisiológicas (ou seja, acima das concentrações produzidas pelas glândulas adrenais normais), os corticoides exercem ações anti-inflamatória e imunossupressora.

Dessa forma, os corticoides podem ser usados em dois cenários:

  1. Tratamento de pacientes com insuficiência adrenal, que é considerada uma forma de reposição fisiológica;
  2. Tratamento de doenças autoimunes ou associadas a resposta inflamatória exacerbada, quando os corticoides são prescritos em doses no mínimo 4-5x mais elevadas que as doses de reposição fisiológica.  O uso de corticoide em doses suprafisiológicas está associado com efeitos colaterais metabólicos (hipertensão, diabetes e obesidade, dentre outros) e imunossupressão. Em virtude disso, devemos evitar a auto prescrição de corticoide sem orientação médica.

Em situações normais, a hipófise produz um hormônio que estimula as glândulas adrenais a produzir cortisol. Esse hormônio é chamado ACTH. Quando as concentrações de corticoide no sangue estão elevadas ocorre a inibição da produção de ACTH pela hipófise, que deixa de estimular as adrenais.

Pacientes em uso de prednisona na dose de 20mg por mais de duas semanas ou prednisona 5mg por mais de 30 dias (ou doses equivalentes de outros corticoides) não podem suspender o tratamento com corticoide de forma abrupta. Isso pode ocasionar risco de supressão da produção de ACTH pela hipófise com consequente baixas concentrações de cortisol no organismo (que é a Insuficiência Adrenal Secundária).

Nessa situação, o paciente deve conversar com o seu médico e, idealmente, procurar um endocrinologista para orientar o adequado desmame do corticoide e avaliação do risco de insuficiência adrenal.

 

O Departamento de Adrenal e Hipertensão (gestão 2021/2022) é composto pelos seguintes especialistas: Leonardo Vieira Neto (RJ), presidente; Dra. Flavia Amanda Costa Barbosa (SP), vice-presidente; e os diretores – Dr. Madson Queiroz de Almeida (SP), Dr. Claudio Elias Kater (SP), Dra. Milena Coelho Fernandes Caldato (PA), Dr. Guilherme Asmar Alencar (SC) e Dra. Adriane Maria Rodrigues (PR).