Tirando Dúvidas: Insulina Inalável

relogio 18/08/2006 - 09:51

A insulina inalável foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pra que seja comercializada no Brasil. Embora a eficácia da insulina inalável esteja comprovada, ao contrário do que muitos acreditam o medicamente não irá livrar as pessoas com diabetes das tradicionais injeções. A Dra. Vivian Ellinger, presidente do Departamento de Diabetes da SBEM, explica o porquê na entrevista abaixo.

Por enquanto, apenas um laboratório da indústria farmacêutica começará a disponibilizar o medicamente por via aérea, mas outras pesquisas estão em fase adiantada. O Brasil, inclusive, possui centros que estão dando suporte a estudos internacionais. Onde estão sendo pesquisadas esta e outros tipos de insulinas inaladas.

A insulina inalável vai livrar as pessoas com diabetes das injeções?

Dra. Vivian Ellinger - Esta foi a primeira impressão que o lançamento da Exubera provocou, mas não é verdade. Esta nova insulina é de ação rápida, ou seja, ela serve para corrigir ou prevenir picos de hiperglicemia. Entretanto, o paciente necessita de insulina basal, e o que é mais importante: necessita realizar a picada para aferição da glicemia, várias vezes ao dia.

Sem duvida é um avanço da indústria que nestes últimos anos vem investindo muito em formas de se melhorar o tratamento do paciente diabético.

A Anvisa liberou a entrada do medicamento no País?

Dra. Vivian Ellinger - A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou no principio do mês de junho, pouco tempo depois de outros países. Espera-se que ainda este ano já esteja à venda no Brasil.

Existem outros estudos que possam resultar em medicações alternativas (não injetáveis) para controlar a glicemia?

Dra. Vivian Ellinger - Existe um novo grupo de tratamento para pacientes com Diabetes Tipo 2 que são bastante promissores. Estes medicamentos melhoram a função das células Beta pancreáticas, através de hormônios gastrointestinais.Além da ação na liberação da insulina, existe uma supressão do Glucagon, que é um hormônio hiperglicemiante.

A primeira droga deste grupo que foi liberada nos Estados Unidos, foi a exenatide, mas outras estão prestes a ser lançadas.

A imprensa sempre que fala da insulina inalável cita o surgimento de tosse nos pacientes. Esse efeito colateral é preocupante?

Dra. Vivian Ellinger - Realmente há um aumento de tosse. No entanto, eu gostaria de ressaltar que os estudos clínicos foram bastante abrangentes, apresentando um perfil de segurança desta nova forma de tratamento. Esse rigor permitiu a liberação para a comercialização também nos Estados Unidos e na Europa.

O efeito colateral mais observado é o da hipoglicemia, o que ocorre com todas as insulinas. A principal contra indicação é para fumantes. Se o paciente parar de fumar, é necessário esperar seis meses para utilizá-la.

Apenas a Pfizer tem pesquisas nessa linha?

Dra. Vivian Ellinger - Não, outros laboratórios estão pesquisando insulina inalável, alguns já em fase bem avançada.

O Gel para administração intranasal da insulina é uma outra forma de administração em estudo.

A insulina Exubera será disponibilizada apenas em blisters de 1mg e 3mg. Quando for necessária a administração de doses diferenciadas, será complicado para o usuário fazer esse cálculo?

O cálculo deve considerar que o blister de 1mg corresponde a três unidades internacionais de insulina e 3mg correspondem a 8 unidades internacionais.

Mas o que se espera tanto do médico quanto do paciente é que ambos passem a pensar na dosagem em miligramas e esqueçam as “unidades internacionais”. Essa é uma nova forma de se dosar e de se ajustar a dose da insulina.

*A insulina em questão teve sua comercialização interrompida, no Brasil, conforme comunicado publicado aqui.