Com o tema “Unindo o mundo pela ação em transtornos alimentares. Promovendo informação baseada em evidências e quebrando estigmas em todo o mundo o Dia Mundial de Ação para os Transtornos Alimentares”, 2 de junho, destaca a importância da informação científica de qualidade e do combate ao estigma.
Na data, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) se une ao World Eating Disorders Action Day nessa mobilização internacional. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre essas condições e combater o estigma, que ainda representa uma barreira importante ao diagnóstico e ao tratamento.
O alerta da campanha reforça a necessidade de identificar precocemente os sinais e de acolher pessoas com transtornos como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE). Todos os anos, são mais de 200 organizações em mais de 50 países, além de milhares de apoiadores e ativistas ao redor do mundo envolvidos participam da iniciativa.
Entre as principais mensagens da campanha estão a importância do diagnóstico precoce, fundamental para aumentar as chances de recuperação, e o papel ativo da família e das redes de apoio ao longo do tratamento. A mobilização também destaca que os transtornos alimentares são doenças tratáveis e que a recuperação é possível com acesso ao cuidado adequado.
Na Endocrinologia e Metabologia, essas condições exigem atenção especial devido aos impactos hormonais e metabólicos que podem provocar Entre eles estão a rápida perda ou ganho de peso, alterações menstruais, redução da densidade mineral óssea, disfunções tireoidianas e outras complicações associadas à desnutrição e aos comportamentos alimentares desordenados.
Algumas Mensagens importantes

A endocrinologista Dra. Priscilla Gil, especialista em transtornos alimentares e membro da Academy for Eating Disorders (AED), destaca que um dos principais desafios ainda é desconstruir a ideia equivocada de que os transtornos alimentares ocorrem apenas em pessoas extremamente magras ou em estado evidente de desnutrição.
Segundo a especialista, essa percepção contribui para o atraso no diagnóstico e no início do tratamento. “Os transtornos alimentares podem acometer pessoas de qualquer sexo, idade e peso corporal. Há influência de fatores genéticos, características individuais e ambientes de maior vulnerabilidade. Além disso, modalidades esportivas que exigem baixo peso corporal, bem como dança, balé e atividades ligadas à estética e à imagem corporal (como modelos de passarela e influenciadores digitais), podem aumentar o risco para o desenvolvimento dessas doenças”, explica.
A médica ressalta ainda que comportamentos alimentares desordenados podem surgir mesmo em indivíduos com peso considerado adequado para a idade e a estatura. Nesses casos, a identificação precoce dos sinais de alerta é fundamental para evitar a progressão para quadros mais graves, como anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno de compulsão alimentar ou transtorno alimentar restritivo evitativo.
“O diagnóstico precoce permite intervenções mais efetivas e reduz o risco de complicações clínicas, metabólicas e psiquiátricas. O tratamento deve ocorrer sem julgamentos ou estigmas, de forma acolhedora e multiprofissional. Essa abordagem integrada aumenta significativamente as chances de recuperação e melhora da qualidade de vida”, conclui a endocrinologista.
Alerta aos Especialistas
Com a crescente utilização dos agonistas do receptor de GLP-1 no tratamento da obesidade, é fundamental que o endocrinologista esteja atento à possibilidade de surgimento ou agravamento de transtornos alimentares, especialmente da anorexia nervosa atípica em indivíduos vulneráveis.
Nessa condição, o paciente apresenta restrição alimentar significativa, medo intenso de ganhar peso e repercussões físicas e psicológicas características da anorexia nervosa, mas mantém peso dentro ou acima da faixa considerada normal.
A rápida perda ponderal, a valorização excessiva do emagrecimento, a dificuldade de reconhecer a gravidade do peso perdido e a redução importante da ingestão alimentar podem mascarar sinais precoces do transtorno.
Por isso, além do acompanhamento clínico e metabólico, recomenda-se a avaliação sistemática de comportamentos alimentares, percepção da imagem corporal e sintomas psiquiátricos durante o tratamento, especialmente em indivíduos com fatores de risco ou histórico pessoal prévio e familiar de transtornos alimentares. O diagnóstico precoce e a abordagem multiprofissional são fundamentais para prevenir complicações e garantir um tratamento seguro e eficaz.
Fonte: Academy for Eating Disorders – World Eating Disorders Action Day