Desde que as primeiras informações e estudos sobre a utilização do Ozempic para tratamento da obesidade, além do diabetes, começaram a circular o número de notícias e postagens em redes sociais só aumentou.
Frequentemente as Sociedades Científicas na área – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sociedade Brasileira de Diabetes e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica – analisam o que está acontecendo para emitir pareceres e posicionamentos para esclarecer melhor a população sobre o tema. Dessa forma, as três sociedades se reuniram para produzir um documento, que foi encaminhado a diversos órgãos e a imprensa em geral.
Em 24h foram várias reportagens, consultas e manifestações nas redes sociais com o posicionamento, assinado pelos três presidentes das entidades: Dr. Paulo Miranda (SBEM Nacional), Dr. Bruno Halpern (ABESO) e Dr. Levimar Araújo (SBD).
Entre os esclarecimentos dados a diversos veículos de imprensa, as Sociedades reforçaram que até o momento os dados de segurança disponível não mostraram efeitos colaterais psiquiátricos negativos.
Outro ponto importante que está sendo passado nas entrevistas e esclarecimentos é que esse tipo de investigação no processo de vigilância visa, sempre, identificar efeito colaterais raros, que podem não ser observados em estudos fase 3.
A seguir a nota na íntegra que também pode ser baixada em formato PDF, neste link.
Nota Oficial: União Europeia investiga medicamento Ozempic
A SBEM, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) vêm a público se manifestar sobre a investigação em curso pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) em relação às substâncias semaglutida e liraglutida, presentes nos medicamentos Ozempic e Saxenda, respectivamente, ambos da Novo Nordisk.
É importante ressaltar que os dados de segurança disponíveis até o momento não mostraram nenhuma associação causal entre pensamentos suicidas ou de automutilação e esses medicamentos.
Esse tipo de investigação faz parte do processo de vigilância pós-marketing, que tem como objetivo identificar efeitos colaterais mais raros, que podem não ser observados em estudos de fase 3.
Atribuição de causalidade em dados do mundo real é um processo complexo, uma vez que podem existir diferenças no perfil dos pacientes que usam ou não determinado medicamento. Por isso, é essencial realizar análises cuidadosas, inclusive voltando aos dados dos estudos clínicos, a fim de obter uma compreensão mais completa e precisa dos eventos adversos relatados.
Importante, ainda, destacar que os ensaios clínicos, as metanálises e a vigilância pós comercialização não demonstraram evidências de que a semaglutida ou a liraglutida causem efeitos colaterais psiquiátricos negativos. Na maioria dos estudos são feitas perguntas específicas sobre esses pontos, o que proporciona um alto nível de segurança.
Devemos compreender que qualquer medicamento, incluindo a semaglutida e a liraglutida, possui indicações, contraindicações e possíveis efeitos colaterais. O uso adequado deve ser sempre orientado por profissionais de saúde. Desse modo, reforçamos o alerta de que é fundamental que os pacientes utilizem esses medicamentos somente sob prescrição médica e sigam as orientações adequadas. Com base na notícia, no entanto, não há qualquer razão para interrupção da medicação, sendo que dúvidas específicas sempre devem ser sanadas com o médico prescritor.
A SBEM, a SBD e a Abeso estão atentas a todas as informações relacionadas a essa investigação e permanecem comprometidas em fornecer atualizações aos seus associados e à sociedade em geral, visando garantir a segurança e a saúde dos pacientes com diabetes e obesidade.
Ter agências regulatórias atuantes e que investiguem qualquer risco adicional ou não conhecido é positivo e mostra o nível de escrutínio que atualmente os medicamentos para doença crônica recebem.
Rio de Janeiro, 12 de julho de 2023.
Dr. Paulo Augusto Carvalho Miranda
Presidente da SBEM Nacional
Dr. Levimar Rocha Araújo
Presidente da SBD
Dr. Bruno Halpern
Presidente da ABESO