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Reduzindo o Estigma da Obesidade

por Jornalismo SBEM em 24 de setembro de 2021


Cada vez mais, as comunidades médicas e científicas vêm se preocupando com a linguagem e as terminologias adotadas ao se referirem a determinado paciente.

A proposta tem como objetivo reduzir os estigmas associados a doenças ou deficiências, e ampliar a adesão ao tratamento. Há muito tempo, por exemplo, a Sociedades Científicas, como a SBEM, vem adotando o termo “pessoas com diabetes”, no lugar de “diabéticos”, seguindo uma orientação da International Diabetes Federation, sobre a filosofia da linguagem.

No entanto, de acordo com o membro da Comissão de Comunicação Social da SBEM, Dr. Bruno Halpern, no caso da obesidade, ainda é preciso evoluir mais. Segundo o especialista, uma simples pesquisa acadêmica no Google, usando o termo “pessoas diabéticas” mostra cerca de 13.500 resultados, enquanto o termo “pessoas com diabetes” mostra 295 mil publicações. “No caso da obesidade, observa-se o contrário: 73.300 resultados para “pessoas obesas” e 11.200 para “pessoas com obesidade”, comenta.

O Dr. Bruno explica que a obesidade é uma doença fortemente associada a estigmas em diferentes cenários, desde os locais de trabalho e ambiente escolar, como nas relações pessoais e na área de saúde. “Neste contexto, segundo diversos estudos, os indivíduos estigmatizados pelo peso, ou culpados pelos profissionais de saúde, tendem a ganhar mais peso, com piores resultados de saúde”, alerta. “Por isso, a linguagem é importante e evitar a caracterização de um indivíduo por sua doença pode ajudar a combater o estigma”, afirma.

Obesity Coalition Actio

Na tentativa de tentar reduzir o estigma, a Obesity Coalition Action convocou autores e editores de pesquisas acadêmicas, trabalhos científicos e publicações sobre obesidade a utilizarem a língua materna. Várias associações já optaram por adotar a linguagem, entre elas, a The Obesity Society, a World Obesity Federation e a European Association for the Study of Obesity.

O Conselho Editorial dos Archives of Endocrinology and Metabolism, alinhado às principais revistas que abordam diabetes e obesidade, decidiu colocar como norma o uso da “Linguagem em primeira pessoa”, como requisito para a publicação, não apenas em relação à obesidade, mas a diversas outras doenças, como o próprio diabetes, acromegalia, hipertensão, depressão, entre outras.

“A linguagem importa e uma pessoa não deve ser definida por sua doença. Acreditamos fortemente que as revistas científicas devem apoiar a linguagem em primeira pessoa, a fim de contribuir para a redução do preconceito e do estigma. Pode parecer algo simples, mas para quem vive com doenças, não é”, afirma Dr. Bruno.

“Esperamos que essa mudança de paradigma na linguagem científica contribua para uma mudança positiva na educação e prática de cuidados de saúde”, finaliza.