Após a circulação de reportagens na mídia sobre um estudo americano, envolvendo efeitos colaterais da semaglutida (Ozempic/Rybelsus/Wegovy) a uma doença rara, quatro Sociedades Científicas – SBEM, Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) – emitiram uma nota de esclarecimento à população.
O estudo foi publicado no JAMA Ophtalmology (Jornal da Associação Médica Americana), associando uma complicação oftalmológica grave, mas rara, a Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica (NOIA-NA) ao uso do medicamento. A prevalência do NOIA_NA na população geral de 2 a 10 casos para cada 100.000 pessoas, ou seja, 0,002 a 0,01%.
O posicionamento foi feito por um grupo de especialistas representando a SBD, a ABESO a SBEM e a SBO. O estudo foi analisado detalhadamente, permitindo a emissão de um parecer destinado a pessoas com diabetes e obesidade, que estão em uso, ou que pretendem iniciar o tratamento com a semaglutida.
No documento, que pode ser baixado a seguir, foram avaliados vários pontos do estudo, que vão desde o número de pacientes até o formato e definição da pesquisa realizada. A análise conclui que “não há como afirmar que as pessoas do estudo que usaram semaglutida tinham, de fato, um risco de NOIA-NA semelhante ao das pessoas que não receberam semaglutida. Além disso, importantes fatores de risco como o tabagismo, a duração do diabetes e a morfologia do disco óptico, não foram levados em conta, o tipo de patologia rara analisada”.
A SBD, a ABESO, a SBEM e a SBO reconhecem que, apesar de ser possível ter havido um aumento de risco relativo de NOIA-NA em pessoas usando semaglutida, o aumento no risco absoluto foi muito baixo, e, até o momento, frente as evidências apresentadas, não deve ser motivo para suspensão da medicação.