A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, em 6 de abril de 2026, diversas ações realizadas em farmácias de manipulação e que revelaram um cenário alarmante sobre a comercialização de medicamentos agonistas do receptor de GLP1 no Brasil. Também anunciou um plano de medidas para combater as irregularidades encontradas.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reconhece que as medidas anunciadas representam um avanço ao reconhecer, de forma explícita, o risco sanitário associado à cadeia paralela desses produtos, incluindo importação irregular de insumos, manipulação fora de padrões, comercialização sem registro e aumento de eventos adversos. Também são positivos o fortalecimento das ações de fiscalização, a ampliação da farmacovigilância, a revisão de marcos regulatórios (incluindo a RDC nº 67/2007) e a proposta de articulação institucional e comunicação com a sociedade.
Os seis eixos de atuação divulgados são de fato muito importantes e a SBEM já se colocou, por meio de ofício à Anvisa, à disposição para o Acordo de Cooperação Técnica e participação em Grupo de Trabalho conforme proposta no Eixo 3 e com implantação ainda em abril de 2026.
A SBEM já vem contribuindo de forma ativa com a Anvisa há bastante tempo com envio de ofícios, participação em reuniões e disponibilização de pareceres técnicos bem fundamentados e continuará defendendo a proibição expressa da manipulação de agonistas de receptores de GLP-1, dada a complexidade estrutural desses peptídeos e a necessidade de controle rigoroso de qualidade, estabilidade e esterilidade.
Também foi feita solicitação de inclusão nas mesmas tratativas e plano de ação de abordagem simultânea sobre implantes hormonais manipulados, que compartilham características críticas com o problema atual: ausência de registro, falta de evidência robusta, variabilidade de dose e riscos clínicos e integram o mesmo ecossistema de risco sanitário. A Anvisa já tem, com suas ações e interdições, evidenciado inúmeras irregularidades também na manipulação desses produtos.
Além disso, a SBEM entende ser necessário o enfrentamento incisivo contra a distribuição de produtos manipulados (caso a manipulação continue vigorando) a clínicas e consultórios e já solicitou o posicionamento formal do Conselho Federal de Medicina sobre o tema.
Adicionalmente, a SBEM reforça a necessidade de, além da criação do Grupo de Trabalho proposto pela Agência, ser realizado um Fórum Científico Nacional, reunindo especialistas e entidades médicas para apoiar decisões regulatórias em um tema de tamanha relevância e complexidade.
A SBEM reafirma seu compromisso com a medicina baseada em evidências, a ética profissional e a segurança dos pacientes, colocando-se à disposição para colaboração técnica na construção de soluções regulatórias consistentes e sustentáveis.