Fórum Nacional Debate os Desafios da Triagem Neonatal no Brasil

A triagem neonatal esteve no centro das discussões em saúde pública com a realização do Fórum Nacional sobre a Triagem Neonatal no Brasil, promovido pela Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), com apoio e participação na programação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

A atividade aconteceu nesta quarta-feira, dia 29 de abril de 2026, com a presença do presidente da SBEM, Dr. Neuton Dornelas; Dr. Luiz Claudio Castro, coordenador do Departamento de Endocrinologia Pediátrica e membro da Comissão de Endocrinopatias Raras da SBEM; da Dra. Tania Bachega, associada da SBEM e uma das diretoras da SBTEIM; e a Dra, Carolina Fischinger, presidente da SBTEIM.

Dr. Armando Fonseca, diretor da SBTEIM e cofundador da entidade, e Dr. Neuton Dornelas, presidente da SBEM

Avanços e Expansão

Com o tema “Avançando na Triagem Neonatal: Do fortalecimento à expansão do Programa Nacional”, o encontro reuniu representantes de órgãos governamentais, especialistas, entidades científicas e associações de pacientes, consolidando-se como um espaço estratégico para o debate e a articulação de políticas públicas.

Participaram do encontro, além da SBEM e da SBTEIM: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); Ministério da Saúde; Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM); Câmara Brasileira do Livro (CBDL); Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS); Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM); Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML); Sociedade de Pediatria do Distrito Federal (SPDF); Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH); e Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC).

Ao longo da programação, especialistas destacaram o papel do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) como uma das mais importantes estratégias de prevenção em saúde infantil no país.

Acesso ao Tratamento

Nesse contexto, o Dr. Neuton Dornelas reforçou que a triagem neonatal vai além da realização do teste, sendo fundamental garantir a continuidade do cuidado, com diagnóstico confirmatório, início oportuno do tratamento e acompanhamento longitudinal dos pacientes. “É fundamental ter um Fórum como esse, com tantas entidades reunidas e com o mesmo propósito. Não podemos dar passos atrás e é preciso reforçar a necessidade do acesso ao tratamento”, disse o presidente.

Outro ponto central abordado foi a necessidade de enfrentar as desigualdades regionais ainda presentes no Brasil. O Dr. Neuton destacou que, apesar dos avanços, persistem diferenças importantes na cobertura e no tempo de diagnóstico, o que impacta diretamente os desfechos clínicos. Para ele, a expansão do programa deve ocorrer de forma responsável, acompanhada do fortalecimento da infraestrutura laboratorial e da rede assistencial. “Precisamos entender o porquê de alguns locais estarem dando passos atrás na triagem neonatal”.

Esse é um tema que a SBEM vem atuando há muitos anos e muitos progressos foram obtidos, com orientações e explicações sobre a triagem neonatal, entretanto ainda existe um longo caminho a ser percorrido.

A discussão também enfatizou a importância da qualidade e da segurança nos processos de triagem. A Dra. Tania Bachega ressaltou que a triagem neonatal é uma ferramenta de rastreamento e, portanto, deve estar inserida em protocolos rigorosos, com fluxos bem definidos para confirmação diagnóstica. Segundo ela, a efetividade do programa depende diretamente da organização dessas etapas e da capacitação das equipes envolvidas.

A especialista também chamou atenção para o papel da triagem na detecção precoce de doenças endócrinas, como o hipotireoidismo congênito e a hiperplasia adrenal congênita, condições em que o diagnóstico precoce é determinante para evitar complicações graves e garantir qualidade de vida aos pacientes.

Entre os desafios relacionados estão o financiamento e a regulação, além da necessidade de ampliar o acesso de forma equitativa em todo o território nacional.

Outro aspecto destacado foi a importância da comunicação e da educação em saúde, tanto para profissionais quanto para famílias, como forma de fortalecer a adesão ao programa e melhorar os resultados assistenciais.

O evento reforçou que o avanço da triagem neonatal no Brasil depende de uma abordagem integrada, que envolva regulação técnica consistente, fiscalização efetiva, qualificação da rede de atenção e compromisso com a prática baseada em evidências.

A próxima etapa é a divulgação da Declaração de Brasília pela Triagem Neonatal, que foi um documento formal produzido após o Fórum, reunindo as recomendações construídas ao longo das mesas, para estabelecer compromissos entre os diferentes entes federativos.