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Covid-19 na Vida do Endocrinologista

por Jornalismo SBEM em 11 de setembro de 2021


Desde o início da pandemia, vem se discutindo a relação da endocrinologia com a infecção de SARS-CoV-2. E esse foi um dos assuntos em destaques do Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (e-CBAEM 2021), na mesa “Covid-19 na Vida do Endocrinologista”.

Os debates tiveram a moderação do Dr. Paulo Miranda (vice-presidente da SBEM Nacional e presidente da Comissão Científica do Congresso) e da Dra. Cristiane Leitão, com apresentação do Dr. Bruno Halpern (Obesidade e Covid-19), pelo Dr. Fernando Gerchman (Desafios do manejo hospitalar) e Dra. Célia Nogueira (Sarcopenia e repercussões em longo prazo).

Obesidade e Covid-19

O Dr. Bruno ressaltou que a obesidade é comprovadamente um fator de risco para complicações do novo Coronavírus e, consequentemente, internações e morte, principalmente entre os mais jovens. Segundo o endocrinologista, a Covid-19 chamou a atenção para a importância de levar a pandemia crônica de obesidade mais a sério no futuro.

De acordo com os dados apresentados, de 2003 a 2019 houve um aumento de 30% do sobrepeso e 67% da obesidade. “A obesidade é uma pandemia crônica que colidiu com a de Covid-19. É necessário olhar com mais cuidado para reconhecê-la como doença (e não culpar o indivíduo). Além disso, é fundamental discutirmos políticas públicas de prevenção e tratamento no futuro, pois essa pandemia seguirá firme. Como boas notícias, está a evidência indireta de que pequenas perdas de peso podem já reduzir riscos, e que não há evidências até aqui que pessoas com obesidade possuem pior resposta às vacinas”, explicou o endocrinologista.

Internações, Doenças Endocrinológicas e Covid-19

A relação da obesidade e do diabetes com a Covid-19 e internações, principalmente entre os mais jovens (na faixa dos 40 anos), foi destacada pelo Dr. Fernando.

O endocrinologista explicou que a pandemia trouxe uma série de manifestações atípicas de doenças endocrinológicas e enfatizou que o manejo dessas doenças com complicações deve ser baseado em evidências e experiências.

“É importante buscar na literatura o entendimento para esses novos casos, investindo em pesquisas. A avaliação dos diferentes fatores prognósticos, e a busca por um controle glicêmico mais intensivo, visando diminuir a mortalidade entre os pacientes são essenciais. Também foi discutido como o diabetes, principalmente com controle glicêmico ruim, é um fator de risco para complicações da Covid; e como pacientes com diabetes que tiveram Covid podem ter uma piora glicêmica posterior, não apenas relacionado ao uso de corticoides”.

Constituição Corporal e Covid-19 

A Dra. Célia esclareceu que a Covid-19 é uma doença infecciosa que atinge múltiplos órgãos, se caracterizando por um estado inflamatório grave e altamente catabólico.

Com isso, acaba influenciando profundas mudanças na constituição corporal, especialmente na quantidade, estrutura e função dos músculos esqueléticos, o que leva ao desenvolvimento da Sarcopenia aguda. “Esse processo pode acarretar na deterioração funcional e física pós-Covid”, explicou a médica. “Há evidências que a Covid leva a uma maior Sarcopenia pós-internação em comparação a outras doenças também associadas a longo tempo de UTI”.

Ela ressaltou, também, novas evidências de que a Irisina, um hormônio produzido pelo músculo após exercício físico, pode impactar positivamente na resposta ao Covid.

A edição do e-CBAEM 2021 está sendo totalmente online e acontece até o dia 12 de setembro. Acompanhe a cobertura do evento nas redes sociais da SBEM.