A cientista brasileira e associada da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Dra. Denise Pires de Carvalho, foi designada para o cargo de vice-diretora-geral para Ciências da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A nomeação foi anunciada pelo diretor-geral da organização, Khaled El-Enany, e representa a primeira vez que uma brasileira ocupará essa posição na estrutura da Unesco. A informação foi divulgada em nota conjunta do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministério da Educação (MEC) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Atualmente presidente da CAPES, a Dra. Denise assumirá a nova função nos próximos dias. Na Unesco, estará à frente da área responsável pela promoção da cooperação científica internacional e pela implementação de programas relacionados às Ciências Naturais e às Ciências Sociais e Humanas, incluindo temas contemporâneos como ética e inteligência artificial.
Segundo a Unesco, a escolha considera a experiência da pesquisadora em liderança, gestão e avaliação de programas de pesquisa e cooperação científica internacional. A organização também destacou a dimensão social de sua trajetória científica, com atuação relacionada ao acesso equitativo à ciência, à igualdade de gênero e à governança institucional inclusiva.
A Dra. Denise afirmou que pretende levar para a Unesco a experiência brasileira recente de fortalecimento do multilateralismo e da cooperação científica. “Defendo que a produção do conhecimento não pode se isolar das demandas sociais, devendo orientar soluções práticas para desafios globais. Entre as prioridades estão o enfrentamento das mudanças climáticas, o desenvolvimento ético da inteligência artificial, a gestão dos recursos hídricos e a garantia de que as transições energéticas caminhem lado a lado com a justiça e a inclusão social”.
Além disso, a Dra. Denise ressaltou a necessidade urgente de promover a equidade de gênero na ciência e de combater a perda de talentos femininos na academia, frequentemente associada ao impacto da maternidade na carreira docente. “O investimento na educação superior e na ciência é a única via possível para superar assimetrias econômicas e consolidar a soberania e o desenvolvimento sustentável das nações”.
Toda a comunidade da Endocrinologia e Metabologia comemorou muito a nomeação que é um reconhecimento à trajetória da especialista.
Trajetória na Endocrinologia e Metabologia
Médica formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Dra. Denise é professora titular de Fisiologia Endócrina da instituição. Concluiu mestrado em Biofísica e doutorado em Ciências pela UFRJ, com formação complementar no exterior. Sua trajetória científica é especialmente relacionada ao estudo da fisiologia e da fisiopatologia da glândula tireoide.
A pesquisadora tem mais de 180 artigos publicados relacionados à tireoide e aos desreguladores endócrinos. Entre suas linhas de investigação estão estudos sobre a iodação da tireoglobulina e seu conteúdo hormonal, a atividade da tireoperoxidase em lesões tireoidianas e a geração de peróxido de hidrogênio na tireoide humana. Teve grande atuação no Departamento de Tireoide da SBEM, incluindo a presidência do Departamento entre 2005 e 2007. Foi presidente da Sociedade Latino-Americana de Tireoide entre 2013 e 2017.
Ao longo da carreira, recebeu diferentes reconhecimentos científicos, entre eles o prêmio sênior da Sociedade Latino-Americana de Tireoide, em 2010, e o Prêmio Faz Diferença – Saúde, do jornal O Globo, em 2011. É membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Medicina do Rio de Janeiro.
Atuação acadêmica e na gestão pública
Além da produção científica, Denise construiu uma trajetória de liderança acadêmica e institucional. Foi diretora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ e, em 2019, tornou-se a primeira mulher a ocupar a Reitoria da universidade, permanecendo no cargo até 2023. Também foi secretária de Educação Superior do Ministério da Educação e assumiu a presidência da CAPES em 2024.
À frente da CAPES, participou da implementação de iniciativas voltadas à ciência, equidade e inclusão, incluindo ações relacionadas à equidade de gênero, maternidade na avaliação da pós-graduação e apoio a pesquisadoras mães. A nova posição coloca uma pesquisadora brasileira com sólida trajetória na Endocrinologia e Metabologia e na pesquisa em tireoide em uma função de alcance internacional, ampliando a presença do Brasil nos debates sobre ciência, cooperação científica e desenvolvimento no âmbito da Unesco.
A SBEM celebra a nomeação e deseja sucesso à Dra Denise Pires nessa sua nova e importantíssima missão.