EASD 2026 reúne novos dados sobre medicamentos, obesidade, diabetes e saúde da mulher

A 62ª Reunião Anual da European Association for the Study of Diabetes (EASD) reúne, em Milão, de 28 de setembro a 2 de outubro, pesquisadores e profissionais de saúde para a apresentação e discussão de novos dados relacionados ao diabetes e às doenças metabólicas. Entre os temas que ganharam destaque nesses primeiros dias de apresentações estão novas terapias para obesidade e diabetes tipo 2, o uso de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 em diferentes momentos da vida reprodutiva e questões relacionadas ao acesso e às particularidades do tratamento em mulheres.

Resultados de tratamento em pessoas com obesidade e DM 2

Dados do estudo TRIUMPH-2, apresentados no EASD 2026 e publicados no The Lancet, mostram resultados de uma nova terapia investigacional, a retatrutida, em pessoas com sobrepeso ou obesidade e DM2. O medicamento é um agonista triplo dos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon. Após 80 semanas, a perda média de peso foi de 11,9% com 4 mg, 16,8% com 9 mg e 18,8% com 12 mg, contra 5,1% com placebo. Também foram observadas reduções da hemoglobina glicada e melhora de fatores de risco cardiometabólicos. Os eventos adversos mais frequentes foram gastrointestinais, especialmente diarreia e náusea.

O uso de agonistas de GLP-1 durante a gestação

Uma revisão sistemática e metanálise apresentada no Congresso avaliou sete estudos, envolvendo mais de 43 mil mulheres com diabetes expostas a agonistas do receptor de GLP-1. Os dados disponíveis não mostraram associação significativa entre exposição no primeiro trimestre e parto prematuro, natimorto, morte neonatal, cesariana, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia ou recém-nascido pequeno para a idade gestacional. Houve, porém, uma associação com maior frequência de perda gestacional precoce, resultado que precisa ser interpretado com cautela devido às limitações dos estudos disponíveis. Os autores destacam que ainda existem grandes lacunas sobre fertilidade, exposição durante a gestação, amamentação e efeitos de longo prazo, reforçando a necessidade de estudos prospectivos.

Mulheres são maioria entre os usuários de GLP-1

Outro trabalho apresentado no EASD chamou atenção para a necessidade de ampliar as pesquisas sobre o uso de agonistas de GLP-1 em mulheres. Os autores destacam que elas já representam uma parcela importante dos usuários desses medicamentos e que a prevalência de obesidade deve continuar aumentando nas próximas décadas. Os estudos disponíveis sugerem maior perda de peso com GLP-1 em mulheres, mas também apontam diferenças na frequência de alguns efeitos adversos e levantam questões sobre composição corporal, saúde mental, transtornos alimentares, menopausa, fertilidade e envelhecimento. O trabalho também aborda as desigualdades de acesso: o custo dos medicamentos continua sendo uma barreira especialmente importante em países de baixa e média renda.

Um olhar ampliado sobre o tratamento

Os estudos apresentados no EASD 2026 mostram que a discussão sobre diabetes e obesidade vem acompanhada de questões que ultrapassam a eficácia dos medicamentos. Novas terapias, segurança, tolerabilidade, saúde reprodutiva, diferenças entre homens e mulheres e acesso aos tratamentos também fazem parte do debate científico. Os trabalhos apresentados reforçam, ainda, a necessidade de ampliar a produção de evidências para diferentes grupos populacionais e diferentes momentos da vida, especialmente à medida que o uso das terapias baseadas em incretinas cresce em todo o mundo. (fotos EASD)