O avanço dos medicamentos agonistas do GLP-1 para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 tem impulsionado discussões sobre a possibilidade de ampliar o acesso a essas terapias no Sistema Único de Saúde (SUS). O tema foi um dos destaques do “Fórum Marie Claire: a Revolução dos Medicamentos para Tratar a Obesidade”, realizado no dia 26 de junho, em São Paulo. O evento reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir aspectos médicos, científicos, sociais e econômicos relacionados ao tratamento da doença.
A participação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) integrou a campanha Acesso Já, iniciativa da entidade que defende a ampliação do acesso ao tratamento da obesidade, com base em critérios científicos e indicação médica adequada.
A programação foi dividida em quatro painéis com mediação das jornalistas Rachel Campello e Marcella Centofanti, da Marie Claire. O primeiro, “Medicina: a indicação real dos medicamentos, para quem, como agem e onde estão os limites”, teve a participação do Dr. Bruno Geloneze (Unicamp) e da psicóloga Vanessa Tomasini (Hospital das Clínicas da USP).
No segundo painel, “Acesso: Democratização dos medicamentos no mercado”, a Dra. Karen de Marca, presidente eleita da SBEM para a gestão 2027-2028, debateu os desafios para ampliar o acesso ao tratamento.

Durante sua apresentação, a Dra. Karen reforçou que “a obesidade deve ser reconhecida e tratada como uma doença crônica, complexa, multifatorial e recidivante”. Ela destacou que a ampliação do acesso deve ocorrer de forma responsável, baseada em evidências científicas, indicação médica adequada e acompanhamento especializado.
Na sequência, o Fórum abordou os impactos dos medicamentos em outras áreas.
Para a SBEM, o tratamento da obesidade deve considerar mudanças no estilo de vida, acompanhamento multiprofissional e, quando indicado, tratamento medicamentoso ou cirúrgico. Os medicamentos representam uma importante ferramenta terapêutica, mas não substituem alimentação saudável, prática regular de atividade física e acompanhamento clínico.
Os especialistas destacaram que uma eventual incorporação dessas terapias ao SUS deve considerar evidências científicas, análises de custo-efetividade, impacto orçamentário e critérios bem definidos para indicação dos pacientes que mais podem se beneficiar do tratamento. Também foi reforçado o alerta para os riscos da automedicação e do uso de produtos de origem duvidosa, ressaltando que esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente sob prescrição e acompanhamento médico.
