Na manhã de 17 de outubro, a SBEM promoveu, em parceria com a Editora Globo, o encontro Elas por Ela, um projeto que tem como objetivo trazer informações relevantes para o universo feminino. Nesta edição, realizada no Hotel Fairmont, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o tema foi Menopausa sem tabu, como parte da campanha da entidade relativa ao Dia Mundial da Menopausa (18 de outubro).
Mediado pela editora-chefe da revista ELA, publicação semanal do Jornal O Globo, Marina Caruso, o bate-papo contou com a participação da Dra. Karen de Marca, presidente eleita da SBEM (2027–2028) e diretora técnica do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE); da Dra. Maria Julia Calas, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) do Rio de Janeiro e coordenadora do Centro de Imagem São Vicente, da Rede D’Or; e da Dra. Carmita Abdo, psiquiatra, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. Na foto, da esquerda para a direita – Da esquerda para a direita: Dra. Carmita Abdo, Dra. Maria Julia Calas, Dra. Karen De Marca e a jornalista Marina Caruso.(fotos Selma Yassuda).

Abrindo a conversa, Dra. Karen de Marca destacou que parte do sofrimento feminino neste período nasce do preconceito e da desinformação, que atrasam a busca por ajuda especializada. Dados da pesquisa internacional Menopause Experience & Attitudes apontam que apenas 30% das brasileiras dizem ter bom conhecimento sobre os sintomas da menopausa, e esse percentual sobe para 42% entre as mulheres que já passaram pela experiência.
Para a presidente eleita da SBEM, compreender o que acontece no corpo e procurar apoio muda o percurso do cuidado. “Às vezes, as mulheres acham que a menopausa é o fim da vida sexual. Isso é desinformação. Conviver com a menopausa pode ser um grande desafio, mas, se a mulher entender que precisa de ajuda e buscar apoio, esse processo pode se tornar muito mais fácil e saudável”, afirmou.

Outros números desta mesma pesquisa ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. No Brasil, 65% das mulheres ainda veem a menopausa como tabu e 66% acreditam que seus sintomas não são levados a sério. No trabalho, 80% apontam falta de apoio e 47% relatam impacto no desempenho. Esses achados dialogam com o alerta das especialistas sobre a necessidade de acolhimento e informação de qualidade.
A Dra. Maria Julia Calas ressaltou que o autoconhecimento e a consulta qualificada são os melhores recursos contra os mitos que afastam mulheres do cuidado. “É fundamental que a mulher conheça o seu corpo e entenda o que está acontecendo. Entre os principais mitos estão o de que o hormônio pode causar câncer ou que engorda, por exemplo”, disse ao lembrar que as opções de tratamento devem ser individualizadas e que a decisão deve considerar os riscos, os benefícios e as preferências, e vão desde a mudança de estilo de vida à terapia hormonal, quando indicada.
Os impactos emocionais e funcionais também ganharam foco. Segundo a mesma pesquisa, 79% das brasileiras relataram sentimentos psicológicos negativos na menopausa, sendo a ansiedade (58%) e depressão (26%) os mais citados. Nesse cenário, Dra. Carmita Abdo defendeu o cuidado integral: “É fundamental que o profissional conheça essas mudanças e oriente ajustes de estilo de vida e, quando necessário, atue com intervenções comportamentais e medicamentosas. Frequentemente, essa mulher possui predisposição a quadros depressivos, ansiosos e de estresse”, afirmou, ressaltando ainda que esses casos pedem acompanhamento mais empático dos médicos.
A plateia também contou com convidadas especiais, entre elas a Dra. Eliete Bouskela, primeira mulher a presidir a Academia Nacional de Medicina. Para ela, as mulheres têm muita dificuldade em aceitarem que também precisam de cuidados. “De um modo geral, são elas as cuidadoras, o esteio da casa”, afirmou. Citando uma das falas da Dra. Karen de Marca, a médica lembrou que menopausa não é doença, assim como velhice. “O papel dos médicos é educar essas mulheres neste sentido. Embora estejamos vivendo mais, ainda há muita dificuldade em aceitar o envelhecimento. Existe um etarismo e, dentro dele, a menopausa ocupa um lugar de vulnerabilidade, em que a mulher é ainda mais discriminada”, pontuou.
Ao comentar sobre o papel da mídia, Marina Caruso enfatizou que dar voz às mulheres e tratar o tema com prestação de serviço ajuda a quebrar o estigma: “Quando a gente não fala sobre um assunto, só aumenta o estigma. O papel da imprensa é falar, falar à exaustão”, enfatizou.

Com a campanha e as ações deste ano, a SBEM reforça que a menopausa é uma das fases naturais da vida da mulher e que informação de qualidade, acompanhamento médico e ambientes acolhedores fazem toda a diferença na saúde e no bem-estar. O objetivo é ampliar o acesso a conteúdos confiáveis, orientar sobre sintomas e estimular decisões compartilhadas entre paciente e especialista.
Para se informar mais sobre o tema, acompanhe a campanha sobre Menopausa, nos Instagram da SBEM e baixe a pesquisa no link abaixo. Em caso de dúvidas, procure um endocrinologista e metabologista e converse sobre a melhor abordagem para o seu momento de vida.
Reportagem sobre o evento foi publicada no Caderno Ela, do jornal O Globo.


Acesse a pesquisa – Estudo sobre a experiência e atitudes na menopausa: o impacto do estigma