Fundada em 1º de setembro de 1950, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) completa 75 anos em 2025, dia em que também se comemora o Dia do Endocrinologista.
Ao longo de sua trajetória, a entidade se consolidou como referência na valorização da ciência, no ensino e na formação de especialistas em Endocrinologia e Metabologia em todo o Brasil.
Marco Inicial
O marco inicial está registrado no primeiro Estatuto da Sociedade, documento que formalizou a criação da Instituição como “sociedade civil com número ilimitado de sócios”, regida pela legislação vigente.
O Estatuto — disponível online e integrante do livro sobre a História da Endocrinologia e Metabologia no Brasil – é peça-chave para entender os passos dados pela entidade desde sua fundação. A publicação ajuda a contextualizar o cenário de desafios enfrentados pelos pioneiros e a evolução da estrutura da SBEM até os dias atuais.
Expansão e Fortalecimento Regional
Um dos pilares do crescimento da SBEM foi a criação de regionais em diferentes estados brasileiros, atualmente no Distrito Federal e em outras 21 Unidades da Federação. Por meio delas, a Sociedade passou a ampliar a sua atuação e, ao mesmo tempo, torná-la mais próxima dos associados, promovendo ações específicas relacionadas às demandas de cada estado. Além disso, com as regionais, foi possível a promoção de eventos científicos locais, entre eles cursos e ações de atualização médica, aproximando o conhecimento acadêmico da prática clínica, valorizando os especialistas.
Essa capilaridade já era prevista no Capítulo V do primeiro Estatuto da SBEM. Hoje, a entidade realiza inúmeros eventos em diversas cidades do país, incluindo dois congressos principais: o CBEM (Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia), em anos pares, e o CBAEM (Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia), nos anos ímpares. Para se ter uma ideia deste crescimento, em 2025, mais de 3 mil congressistas estão inscritos no CBAEM, que acontecerá em Gramado (RS), entre os dias 3 e 6 de setembro.
A criação dos Departamentos Científicos e das Comissões reforça os estudos e divulgação científica de todos os temas que envolvem a Endocrinologia e Metabologia.
Protagonismo e Valorização da Especialidade
Desde sua fundação, a SBEM teve papel central na definição de critérios para o reconhecimento profissional na área. Em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), a Sociedade criou o TEEM (Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia), que teve o primeiro concurso em 1974 e se tornou fundamental para a atuação especializada, e é referência nacional.
A atuação ética e educacional da entidade é destacada em documentos e comunicados da Sociedade, reforçando seu compromisso com a excelência profissional.
Além disso, a SBEM atua na proteção da especialidade e na defesa da boa prática médica, com posicionamentos firmes, alertando autoridades, conselhos profissionais e a sociedade civil sobre comportamentos inadequados de profissionais de saúde, especialmente nas redes sociais.
1º de Setembro: Mais que uma Data Comemorativa
A fundação da SBEM em 1º de setembro se transformou, em 2022, no Dia do (a) Endocrinologista no Brasil por Lei nº 14.442/2022 aprovada no Parlamento brasileiro após ações iniciadas na gestão 2009/2010, sob a presidência do Dr Ricardo Meirelles, e 2015/2016 sob a presidência do Dr. Alexandre Hohl e continuada nas gestões posteriores. A data homenageia os profissionais da especialidade e remete ao esforço coletivo de médicos e pesquisadores que ajudaram a construir a reputação da endocrinologia e metabologia brasileira. Uma conquista que reflete o reconhecimento da importância desses profissionais para a saúde da população brasileira.
A criação do Dia do Endocrinologista reforça o papel da especialidade na prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças hormonais e metabólicas que afetam milhões de brasileiros, como diabetes, obesidade, distúrbios da tireoide, osteoporose e doenças hipofisárias e adrenais.
Internacionalização e Salto Editorial
A partir dos anos 1990, houve um salto na inserção internacional do periódico da SBEM. A Revista científica da Sociedade, então chamada de ABE&M/ – Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, passou a se chamar AE&M – Archives of Endocrinology and Metabolism e avançou nos processos de indexação e profissionalização editorial, acompanhando o crescimento da produção científica brasileira.
Debates sobre impacto, indexação e avaliação de publicações na área aparecem nos editoriais da revista nesse período, refletindo o esforço para ampliar visibilidade e rigor.
A revista é o principal veículo científico da SBEM e segue publicando pesquisa básica, translacional e clínica, discussões de casos, artigos inéditos e de revisão. Recentemente, o atual editor-chefe, Dr. Cesar Boguszewski, informou à comunidade científica que os AE&M comemorou o maior fator de impacto de sua história, resultado de um esforço editorial continuado — um marco simbólico às vésperas dos 75 anos da Sociedade.
Sede, Memória, Comunicação e Cultura Institucional
Em paralelo ao crescimento científico, a SBEM estruturou sua sede nacional e investiu na preservação da memória da Endocrinologia e Metabologia no Brasil e no planejamento estratégico da Sociedade. Uma nova sede foi adquirida (gestão 2021/2022 sob a presidência do Dr. Cesar Boguszewski), e planejamentos estratégicos robustos foram realizados, na gestão 2002/2004 sob a presidência da Dra. Valéria Guimarães e na gestão 2023/2024 sob a presidência do Dr. Paulo Miranda). A melhoria da estrutura interna e as adaptações às mudanças do perfil de comunicação e de atendimento aos associados se tornaram pontos fortes para valorização da atuação da Sociedade.
Várias premiações foram criadas para mostrar o reconhecimento dos especialistas para que sejam inspirações para novas gerações de endocrinologistas.
Posicionamentos e Medicina Baseada em Evidências
Mais do que celebrar datas, a SBEM se destaca pelo posicionamento firme diante de temas que afetam diretamente a segurança dos pacientes e a integridade da prática médica.
Um exemplo recente é a atuação contundente contra o uso de terapias hormonais sem respaldo científico, como os chamados “chips da beleza” — implantes hormonais utilizados com finalidades estéticas ou de emagrecimento, sem comprovação de eficácia e segurança.
A entidade tem emitido notas técnicas, pareceres científicos e participado ativamente de debates com o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde, sempre com o objetivo de coibir práticas médicas inadequadas.
Outro marco relevante foi o posicionamento da SBEM durante a pandemia de COVID-19 (gestão 2019/2020 sob a presidência do Dr. Rodrigo Moreira), quando a entidade ofereceu suporte técnico-científico aos profissionais de saúde, orientando sobre os impactos da infecção em pacientes com doenças metabólicas, especialmente as pessoas com diabetes.
A atuação rápida e baseada em evidências contribuiu para salvar vidas e orientar condutas clínicas em um momento de grande incerteza.
Por meio de suas comissões científicas e de uma diretoria atuante, a SBEM também participa ativamente de campanhas de conscientização, como o Dia Mundial da Obesidade, o Dia Mundial do Diabetes, Dia Internacional da Tireoide, Dia Mundial dos Hormônios, Dia Mundial das Doenças Raras e muitas outras datas, abrangendo as suas várias áreas de atuação.
Homenagem aos Pioneiros
A história da SBEM começou com a iniciativa do médico José Schermann e seus colegas. Entre os nomes centrais do início da entidade, destaca-se o professor Waldemar Berardinelli, referência no Instituto de Endocrinologia da Santa Casa do Rio de Janeiro, que teve papel decisivo na organização dos primeiros anos da Sociedade.
A SBEM segue resgatando sua trajetória por meio de relatos históricos e da atualização contínua do livro sobre a história da endocrinologia e metabologia no Brasil. O projeto inclui a construção de uma linha do tempo que registra os marcos mais importantes da entidade — símbolo do crescimento contínuo que completa, em 2025, 75 anos.
Sem conhecer os caminhos traçados não é possível projetar o futuro. Com a iniciativa do Dr. Luiz Cesar Póvoa (apoiada pelo Dr. Antonio Rodrigues Ferreira), a SBEM começou a descrever sua história. O livro sobre a História da Endocrinologia no Brasil resgata toda a trajetória. Recentemente, a edição atualizada, em formato de e-book e em permanente evolução, foi organizada pela Comissão de História da SBEM (Dr. Henrique Suplicy, Dra. Adriana Costa e Forti, Dr. Mauro Czepielewski e Dr. Claudio Kater).
Ligando o futuro, com novas tecnologias, ciência e comunicação, à valorização da construção dos primórdios da Sociedade, a SBEM se prepara para mais 75 anos de evolução, fazendo a diferença na Endocrinologia e Metabologia.
75 anos: o que Fica
Setenta e cinco anos depois, a SBEM mostra a combinação de formação qualificada, produção científica reconhecida e compromisso público com a saúde da população.
Em 2025, celebrar a data é também reafirmar uma agenda que é cientificamente rigorosa, eticamente responsável e socialmente presente — a mesma que marcou sua fundação em 1950 e que sustenta a endocrinologia e metabologia brasileira rumo às próximas décadas.
A SBEM, através de seus ex-presidentes, e em nome de todas suas ex-diretorias, parabeniza a todos que, de alguma forma, vêm contribuindo para o crescimento da Sociedade:
Waldemar Berardinelli, José Ribeiro do Valle, Emanuel Teixeira, José Ribeiro do Valle, J. S. Oliveira Coutinho, Arhon Hutz, Emilio Mattar, Luiz Carlos Lôbo, Roberto Mundin Pena, Atlântido Borba Côrtes, Thomaz Cruz, Fernando Almeida, Adriana Costa e Forti, Maria Odete Leite, Luciano de Almeida, Álvaro Machado Filho, Ney Cavalcanti, Antonio Rodrigues Ferreira, Luiz de Lacerda Filho, João Hamilton Romaldini, Amélio F. de Godoy Matos, Valéria Guimarães, Marisa Cesar Coral, Ruy Lyra, Ricardo Martins da Rocha Meirelles, Airton Golbert, Nina Rosa de Castro Musolino, Alexandre Hohl, Fábio Rogério Trujilho, Rodrigo de Oliveira Moreira, Cesar Luiz Boguszewski, Paulo Augusto Miranda.
A Diretoria 2025/2026, sob a presidência do Dr Neuton Dornelas Gomes, entendendo o momento altamente significativo e simbólico desta data fará uma campanha durante 75 dias, entre o Dia do Endocrinologista e 15 de novembro, para mostrar, em diversos aspectos da especialidade, como a SBEM foi sendo lapidada ao longo dos seus primeiros 75 anos.
Reportagem Cris Dissat e Pablo de Moraes