Novo Conceito sobre Baixa Estatura É um dos Destaques do AE&M

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) disponibiliza mais uma edição do Archives of Endocrinology and Metabolism (AE&M), periódico científico oficial da entidade, reunindo estudos que abordam temas relevantes para a prática clínica, a pesquisa e a atualização dos profissionais da Endocrinologia e Metabologia.

Um dos principais destaques desta edição é o artigo “Healthy Short Stature“, assinado por Alexander A. L. Jorge, Paulo F. Collett-Solberg e Margaret C. S. Boguszewski, que propõe uma importante reflexão sobre a forma como a baixa estatura idiopática tem sido compreendida e classificada ao longo das últimas décadas. O estudo revisa a evolução histórica do conceito de baixa estatura idiopática (ISS, na sigla em inglês), utilizado há mais de cinco décadas para descrever crianças com altura inferior a -2 desvios-padrão, sem uma causa identificada.

O artigo destaca que, inicialmente concebido como um diagnóstico de exclusão, o termo passou gradualmente a ser incorporado a diretrizes, regulamentações e indicações para tratamento com hormônio de crescimento humano recombinante.

No entanto, a pesquisa reforça que os avanços da genética têm transformado esse cenário, entre eles as novas tecnologias de sequenciamento, que identificaram um número crescente de variantes genéticas monogênicas e cromossômicas em crianças anteriormente classificadas como portadoras de baixa estatura idiopática. Além disso, evidenciaram que, nos demais casos, a altura resulta de uma complexa interação de múltiplos genes.

No artigo, os pesquisadores propõem substituir a denominação “baixa estatura idiopática” por “Baixa Estatura Saudável” (Healthy Short Stature). O termo descreve crianças que apresentam baixa estatura, mas são saudáveis, sem doenças sistêmicas, síndromes ou distúrbios endócrinos, representando apenas o extremo inferior da variação normal do crescimento humano. Segundo os autores, essa mudança pode contribuir para reduzir o estigma associado ao diagnóstico, manter a compatibilidade com futuras investigações genéticas e alinhar melhor a prática clínica, a pesquisa e as políticas de saúde ao conhecimento científico atual sobre a biologia do crescimento. O artigo vem acompanhado de um Editorial assinado pela professora Berenice Mendonça e pelo professor Ivo Arnohld.

Além desse trabalho, a nova edição do AE&M reúne outros estudos de grande relevância científica, entre eles o artigo “Clinical characteristics, glycemic control & quality of life of patients using Android Artificial Pancreas System (AAPS) in Brazil“, de Gabriella Lopes Ventura, Laryssa da Silva Messias, Maria Eduarda Pereira Dantas, Milena Oliveira Leite, Débora Souto, Maria de Lourdes Passos Machado, Edson Perrotti e Thiago Mota Soares. Eles avaliaram a segurança, a eficácia, o controle glicêmico e a qualidade de vida de brasileiros com diabetes mellitus tipo 1 que utilizam o Android Artificial Pancreas System (AAPS), um sistema automatizado de administração de insulina baseado em tecnologia de código aberto.

Outro destaque é o estudo “The relationships among nutrition, body composition, muscle strength and physical performance in patients with acromegaly“, de Natália Nachbar Hupalowski, Claudia Pinheiro Sanches Rocha, Vicente F. C. Andrade, Cesar Luiz Boguszewski e Victoria Zeghbi Cochenski Borba, que investiga a relação entre estado nutricional, composição corporal, força muscular e desempenho físico em pacientes com acromegalia, ampliando o conhecimento sobre os impactos funcionais da doença e contribuindo para uma abordagem clínica mais abrangente.

O Archives of Endocrinology and Metabolism , que tem como editor, o Dr. Cesar Boguszweski, está disponível online para leitura.

Archives of Endocrinology and Metabolism