A proposta da SBEM e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) sobre uma nova classificação da obesidade, baseada no peso máximo atingido na vida e na ideia da obesidade controlada, em que perdas moderadas de peso têm grande impacto para a saúde, teve grande repercussão durante o Obesity Week.
Foram apresentados dois pôsteres sobre o tema com os resultados de uma pesquisa feita com 500 brasileiros com obesidade, avaliando a receptividade e a percepção deles à nova classificação. O evento internacional foi realizado em San Antonio, no Texas (EUA), entre os dias 3 e 6 de novembro.
Para o presidente do Departamento de Obesidade da SBEM e um dos autores do estudo, Dr. Bruno Halpern, a classificação é muito útil e pode ampliar a adesão ao tratamento. “Oitenta e dois por cento dos participantes da pesquisa consideraram a nova classificação útil para modificar percepções sobre o tratamento da obesidade. Além disso, mais de 60% disseram estar mais inclinados a buscar o tratamento para a obesidade, 74% afirmaram que se sentiriam melhor ao atingir a categoria de “obesidade controlada”, mesmo sem alcançar a perda de peso desejada, o que demonstra o potencial motivacional da abordagem”, afirma o especialista.
“Mais de 60% cento em todas as respostas mostram que a pessoa com obesidade pode engajar mais no tratamento, ou seja, é uma classificação muito útil sobre a percepção do paciente”, considera.
Segundo o Dr. Rodrigo Lamounier, também autor do trabalho apresentado, um outro corte importante está relacionado à relação entre médico e paciente. “Noventa e quatro por cento das pessoas têm muita convicção em afirmar qual foi o peso máximo atingido na vida, mas 64% delas disseram que nunca foram questionadas pelos profissionais de saúde sobre qual foi esse peso”, afirma.
“Já 95% por cento delas fizeram tratamento para perda de peso, mas a maioria não está satisfeita com o resultado, até porque 65% acreditam que o sucesso do tratamento está relacionado a atingir o IMC normal e que a gente sabe que dificilmente acontece”, explica o Dr. Rodrigo.
Ainda de acordo com a pesquisa, a classificação pode ajudar a promover metas de saúde mais realistas e menos estigmatizantes: 77% dos entrevistados acreditam que a nova abordagem tornaria os profissionais de saúde mais sensíveis às metas individuais, enquanto 69% consideram que poderia reduzir o viés no tratamento.
Nova Classificação
A nova classificação para a obesidade proposta pela SBEM e pela ABESO se baseia no peso máximo atingido em vida. Nela, os indivíduos que perdem uma proporção específica de peso são classificados como obesidade “reduzida” ou “controlada”. Segundo os especialistas, essa classificação simples – que não pretende substituir outras, mas servir como ferramenta adjuvante – poderia ajudar a difundir o conceito de benefícios clínicos derivados de uma modesta perda de peso.
A proposta para futuros estudos é que esta nova classificação seja mais uma importante ferramenta para avaliar possíveis diferenças nos resultados terapêuticos entre indivíduos com IMCs semelhantes mas trajetórias de peso diferentes.