Não Existe um Número Universal: Colesterol Depende do Perfil de Risco de Cada Pessoa

Níveis seguros variam de acordo com histórico clínico e fatores como diabetes, hipertensão e até uso de substâncias para ganho de performance e massa. Orientar os pacientes sobre o tema é o foco da Campanha da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia deste ano, pelo Dia Mundial de Combate ao Colesterol.

Dia Mundial de Combate ao Colesterol

A ideia de que existe um valor ideal e universal de colesterol já não se sustenta à luz das evidências mais recentes. Esse é o alerta que a SBEM traz no Dia Mundial do Colesterol, 8 de agosto. Os avanços da medicina cardiovascular e metabólica no sentido de individualizar o cuidado, leva em consideração o risco real de cada paciente, e deve ser o novo norte para definir metas e condutas.

Segundo o médico endocrinologista Márcio Weissheimer Lauria, coordenador do Departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da SBEM, o conceito de “colesterol normal” perdeu espaço para o conceito de risco. “O colesterol deixou de ser avaliado de forma isolada e passou a fazer parte de um conjunto maior de informações clínicas. A meta deve ser proporcional ao risco que se deseja evitar”, afirma o especialista.

Desta forma, níveis que poderiam ser considerados normais em indivíduos saudáveis são tratados como alterados para quem tem outros fatores de risco cardiovasculares como diabetes, hipertensão e tabagismo. A idade e a história familiar também são fatores extremamente relevantes nessa individualização das metas de controle do colesterol.

Diretrizes e Evidências Científicas

As diretrizes atuais das principais Sociedades Médicas, que avaliam constantemente as novas evidências científicas, apoiam essa abordagem individualizada de acordo com o risco cardiovascular.

A primeira meta de controle é diminuir o colesterol LDL, o colesterol ruim, para níveis que variam de acordo com o risco cardiovascular estimado pelo médico. Dentre os instrumentos utilizados para estimar esse risco, merece destaque a calculadora Prevent, que foi recentemente desenvolvida pela American Heart Association. “Ela estima a probabilidade de infarto ou AVC a partir da combinação de fatores clínicos, laboratoriais e demográficos, e tem se mostrado mais precisa que os modelos anteriores”, adianta o Dr. Lauria.

Segundo o endocrinologista, isso significa que dois pacientes com colesterol LDL de 120 mg/dL podem seguir caminhos muito diferentes. “Um indivíduo jovem, ativo e sem outras comorbidades pode manter acompanhamento clínico e mudanças no estilo de vida. Já outro com múltiplos fatores de risco pode precisar de tratamento medicamentoso intensivo”, exemplifica o endocrinologista.

Estilo de Vida

A SBEM alerta que mudanças no estilo de vida continuam sendo fundamentais para controlar o colesterol e proteger o coração. Alimentação equilibrada, atividade física regular, cessação do tabagismo e controle de doenças associadas fazem parte do cuidado contínuo. Mas, quando necessário, a prescrição de medicamentos permite alcançar metas mais rigorosas com segurança e eficácia comprovadas em diversos estudos com milhares de indivíduos em diferentes populações ao redor do mundo.

Para além da discussão sobre metas personalizadas, a campanha da SBEM de 2025 para o Dia Mundial do Colesterol aborda os impactos do uso de anabolizantes no metabolismo lipídico. “O uso dessas substâncias, cada vez mais comum entre jovens, provoca alterações profundas no perfil do colesterol, aumentando significativamente o risco de eventos cardiovasculares precoces, como temos acompanhado no nosso dia a dia de consultório e hospital”, destaca o Dr. Lauria.