Meio Ambiente e a Influência da Poluição Atmosférica no Sistema Endocrinológico

A SBEM, a Comissão de Endocrinologia Ambiental e a Comissão de Campanhas trazem um alerta importante para o Dia do Meio Ambiente, 5 de junho, através de mais uma campanha de esclarecimento à população.

O objetivo da Sociedade é chamar a atenção da população em relação a poluição atmosférica e como ela pode interferir no funcionamento do organismo.

EFEITOS COLATERAIS OU IMEDIATOS
O Internacional Programme on Chemical Safety – IPCS, define como interferente endócrino, substâncias ou misturas presentes no ambiente capazes de interferir nas funções do sistema endócrino, causando efeitos imediatos ou colaterais.

Recentes estudos constataram que mais de um milhão de mortes ocorrem ao redor do mundo devido à exposição a curto prazo, apenas dias e horas, a partículas finas na poluição atmosférica.

O impacto é maior em cidades com altos índices de poluição, sem incluir os possíveis desastres ambientais como incêndios, por exemplo.

Levando em consideração todos os desníveis de oxigênio e aumento dos poluentes, ainda mais em países menos desenvolvidos onde a prevenção é negligenciada, o impacto na saúde continua enorme.

As partículas finas do ar podem entrar no corpo pelas vias respiratórias e afetar a secreção de hormônios, como a insulina, ou hormônios sexuais. Os poluentes também podem ser responsáveis pela produção excessiva ou insuficiente de hormônios no organismo. A tireoide pode sofrer com essas variações, levando a doenças como hipotireoidismo, hipertireoidismo ou o câncer de tireoide.

PREVENÇÃO E CONTROLE
A poluição já foi responsável por cerca de nove milhões de mortes no mundo. As mortes atribuídas à pobreza extrema diminuíram, em compensação as mortes atribuídas à poluição industrial, que incluem o ar ambiente e a química, aumentaram significativamente.

Mesmo com leves exposições, como no trabalho, as consequências para a saúde são desastrosas para o indivíduo e para o ambiente.

Criar sistemas de monitoramento da poluição atmosférica, identificando níveis perigosos de poluentes são essenciais. A exposição de longo prazo a uma atmosfera poluída está associada ao desenvolvimento de doença renal crônica, aumento do risco de obesidade, diabetes, doenças neurodegenerativas e câncer de bexiga. A poluição atravessa a placenta e está associada com baixo peso ao nascer, prematuridade e mortes fetais.

Estudos apontam que é necessária uma transição rápida dos combustíveis fósseis para energia limpa e renovável para alcançar um benefício significativo para a saúde do planeta.

A mudança climática, a perda de biodiversidade estão diretamente ligados, mas para que o controle das ameaças tenha sucesso, são necessárias ações políticas conjuntas com suporte global. Ações de esclarecimento e campanhas de informação são essenciais, mostrando os riscos da poluição atmosférica.

Em casos de identificação de níveis extremos é preciso minimizar a exposição, como o uso de máscaras e a limitação de atividades ao ar livre em dias de alta poluição.

O assunto vem sendo tema de grandes debates entre líderes do mundo inteiro, mas as ações efetivas ainda não são significativas. As mudanças climáticas estão sendo vivenciadas no dia a dia, como aconteceu com as enchentes no Rio Grande do Sul. As ações não são para o futuro, são para já.

Consultoria – Comissão de Endocrinologia Ambiental: Dra. Elaine Maria Frade Costa, presidente; membros – Dra. Maria Izabel Chiamolera, Dra. Vivian Ellinger, Dra. Eveline Gadelha Fontenele. Comissão de Campanhas: Dra. Mariana Guerra (presidente).