“A IA não substituirá o médico, mas o médico que usa IA pode substituir o que não usa”. Essa é uma frase do Dr. Marcio Krakauer, coordenador da Comissão Temporária de Inteligência Artificial e Tecnologia em Endocrinologia e Metabologia da SBEM (CIATEM).
A expressão foi mencionada em um dos congressos da SBEM e tem feito parte das recentes grades dos eventos científicos da especialidade. A IA deixou de ser uma tendência distante para se tornar uma realidade cada vez mais presente na prática médica, e a Endocrinologia e Metabologia está entre as especialidades que mais vêm explorando seu potencial.
O tema, destaque no CBAEM 2025, vem trazendo muitas reflexões sobre o movimento irreversível de transformação do cuidado em saúde.
Algumas competências já são consideradas essenciais para os endocrinologistas, como:
– Entender os conceitos básicos de IA (mesmo sem entender de programação).
– Trabalhar de forma interdisciplinar com engenheiros, cientistas de dados, juristas, gestores e pacientes.
– Manter, sempre, a supervisão humana nas decisões.
– Participar da regulação e orientação de desenvolvimento de tecnologias.
– Manter uma comunicação clara com pacientes sobre o papel e os limites da IA*
Especialistas vêm discutindo aplicações concretas da IA no apoio ao diagnóstico, no acompanhamento de doenças crônicas e na personalização de tratamentos. Algoritmos capazes de analisar grandes volumes de dados clínicos, laboratoriais e de imagem vêm auxiliando o médico na identificação precoce de padrões relacionados a condições como diabetes, obesidade, distúrbios da tireoide e doenças metabólicas complexas. A promessa não é substituir o especialista, mas ampliar sua capacidade de análise e tomada de decisão.
O grande cuidado é entender os riscos e desafios, como reforça Dr. Krakauer:
– Validade clínica: a IA deve seguir padrões de medicina baseada em evidências.
– Atualização contínua: IA evolui com o uso. A certificação não basta.
– Questões éticas e legais precisam de atenção redobrada em relação a privacidade, regulamentação e equidade no acesso.
– Desinformação: especialmente com uso direto por pacientes.
– Falta de supervisão médica
A presença crescente da IA nos programas científicos reforça um ponto central: compreender essa ferramenta passou a ser uma competência estratégica para o endocrinologista contemporâneo. Mais do que dominar a tecnologia em si, é fundamental entender seus limites, vieses e responsabilidades éticas.
A IA depende da qualidade dos dados inseridos, da interpretação crítica dos resultados e da supervisão constante do médico, que permanece como o principal responsável pelo cuidado ao paciente.
Especialistas alertam que o uso consciente da IA exige preparo e por isso estão mais presentes nos debates científicos.
Recomendações
– Buscar formação básica sobre como funcionam os algoritmos.
– Manter-se atualizado sobre soluções validadas cientificamente.
– Desconfiar de promessas de automatização total.
– Começar de forma gradual.
– Aumentar a troca de experiências em congressos, workshops e mesas-redondas.
– Manter o olhar sempre no paciente.
Para a CIATEM, a tecnologia deve ser encarada como uma ferramenta de apoio, integrada ao raciocínio clínico, e não como um atalho que dispense a avaliação humana.
O desafio agora é transformar informação em conhecimento prático, garantindo que a inovação caminhe lado a lado com a ética, a segurança e a qualidade da assistência médica.