O uso da Inteligência Artificial é uma realidade na Endocrinologia e Metabologia e na saúde de forma geral. No simpósio dedicado ao tema, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), os especialistas discutiram os benefícios, mas também chamaram a atenção para o mal uso da ferramenta.
Com a coordenação da Dra. Milena Gurgel e do Dr. Márcio Krakauer, da Comissão Temporária de Inteligência Artificial e Tecnologia em Endocrinologia e Metabologia (CTIAM), o Dr. Walmir Coutinho (CTIAM), o Dr. Mateus Dornelles e o Dr. Marcos Tadashi debateram a IA na educação, na rotina do consultório e nas mídias sociais, incluindo as evidências científicas dos aplicativos focados no controle glicêmico hospitalar.

Além dos endocrinologistas, o psicólogo e professor, Felipe Sousa da Silva, apresentou estudos sobre tecnologias que podem auxiliar no diagnóstico da acromegalia por meio de voz. Ele destacou que alguns modelos apresentados mostraram o potencial da voz como biomarcador digital para o rastreamento e o apoio ao diagnóstico precoce.
Em uma análise sobre o papel da IA, a avaliação dos especialistas é que a ferramenta é uma grande aliada da medicina e tem grande potencial para ser usada, ampliando o uso que já é utilizado no tratamento do diabetes. Eles reforçaram que é essencial que os futuros médicos tenham consciência de que a ferramenta não pode substituir o diagnóstico. Ela tem o papel de auxiliar no rastreio das doenças.

Em uma das palestras foi apresentado um modelo pedagógico e clínico criado por pesquisadores da Universidade da Califórnia e da Escola de Medicina de Stanford, publicado no New England Journal of Medicine (NEJM), em 2025. Ele tem como objetivo orientar sobre o uso, evitar a dependência da ferramenta de IA por profissionais e estudantes e estimular cada vez mais a capacidade e o exercício da forma crítica.
São cinco passos de supervisão:
D – Diagnóstico e discussão – Qual IA foi usada? Com quais prompts? O que ela informou?
E – Evidência – Como a saída foi verificada? A ferramenta é adequada para essa tarefa?
F – Feedback – O que funcionou, onde houve dependência e o que pode melhorar?
T – Teaching – Ensino focado – Ensinar o conteúdo clínico e o letramento em IA revelados pelo caso
AI – Recomendação de engajamento – Definir como, quando e com quanta supervisão a IA deve ser usada.
Os especialistas reforçaram que é preciso avaliar com atenção o impacto das tecnologias no pensamento e raciocínio crítico dos estudantes. Ela pode favorecer simulações, recuperação de conhecimentos, feedback imediato e redução da carga cognitiva associada à tarefas rotineiras. Porém, usada para substituir o raciocínio lógico pode comprometer o desenvolvimento profissional e a segurança do paciente.