O XVI Congresso Latino-Americano de Obesidade (FLASO 2026) começou em Salvador, reunindo especialistas brasileiros e internacionais para discutir avanços científicos, desafios no diagnóstico e novas perspectivas para o tratamento da obesidade. Na cerimônia de abertura estiveram presentes o presidente do evento, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e da Flaso, Dr. Fábio Trujilho; presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Dr. Neuton Dornelas; presidente eleita da ABESO, Dra. Cynthia Valério; presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Dr. João Eduardo Salles; e presidente da Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation), Dr. Bruno Halpern.
Para o Dr. Neuton, o evento mostra as semelhanças entre os países da América Latina, tanto na prevalência da obesidade, quanto nas opções de tratamento, porém evidencia as grandes disparidades existentes entre eles com a necessidade de reflexão sobre as possibilidades e desafios de implementação de políticas públicas para o combate à obesidade no continente. Em uma das atividades, 5 países estavam representados (Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Colômbia). “Cada país tem muito a ensinar aos outros. O avanço da ciência chegou. Falta, às populações, o acesso a esses avanços”.
Na programação científica estão em debate temas como o uso de medicamentos, os critérios para diagnóstico e acompanhamento da obesidade, a saúde do fígado, a preservação da massa muscular, a fertilidade e o tratamento de doenças raras associadas ao metabolismo. Também nas plenárias, abordagens sobre o impacto do estigma e do preconceito na saúde das pessoas com obesidade e a necessidade de ampliar o acesso a uma assistência adequada. São cerca de 2.500 congressistas circulando no Centro de Convenções.
Acesso ao Tratamento e Novas Diretrizes
Entre os destaques do congresso está a discussão sobre a elaboração da primeira diretriz latino-americana específica para o tratamento farmacológico da obesidade. A iniciativa partiu de um artigo científico que abordou as desigualdades no acesso aos medicamentos na região e a necessidade de recomendações adaptadas às realidades clínicas, econômicas e regulatórias dos diferentes países.
O tema ganhou relevância diante dos avanços nas opções terapêuticas, incluindo os medicamentos que atuam sobre os mecanismos de fome e saciedade. Apesar dos resultados disponíveis, o custo elevado, as diferenças nas aprovações regulatórias e a cobertura limitada pelos sistemas de saúde continuavam representando obstáculos para muitos pacientes.
As discussões também contemplaram o papel do Sistema Único de Saúde (SUS), dos planos de saúde e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na organização das linhas de cuidado, desde o diagnóstico até o acompanhamento de longo prazo. Novas terapias orais, combinações de medicamentos e critérios para avaliar o controle da doença também integraram os temas científicos do encontro.