Está disponível a edição de junho (Volume 70/03) dos Archives of Endocrinology and Metabolism (AE&M), reunindo artigos que abordam temas relevantes para a prática clínica e a pesquisa em Endocrinologia e Metabologia.
Entre os destaques está a revisão “Cushing’s disease across the lifespan: a case-based clinical review”, que tem como primeira autora a Dra. Elisabeth Nowak, da Ludwig Maximilian University de Munique, Alemanha. O artigo analisa como a Doença de Cushing se manifesta ao longo das diferentes fases da vida, utilizando cinco casos clínicos representativos (pediátrico, adolescente, mulher adulta, homem adulto e idoso) para discutir os desafios diagnósticos e terapêuticos específicos de cada faixa etária.
De acordo com o coautor do estudo e editor-chefe do AE&M, Dr. Cesar Luiz Boguszewski, o artigo de revisão foi fruto do programa Bilateral Observership Program (BOP), realizado em conjunto entre o Young Endocrinologists and Scientists (EYES), da European Society of Endocrinology (ESE), com a SBEM. A parceria foi criada durante gestão do Dr. Cesar Luiz Boguszewski, quando presidente da SBEM.
Segundo o especialista, a Dra. Elisabeth Nowak foi a primeira candidata europeia selecionada do BOP e realizou estágio de seis semanas no Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (SEMPR), em Curitiba. O impacto internacional do trabalho já pôde ser observado durante o European Congress of Endocrinology (ECE), realizado em Praga, na República Tcheca, no último mês de maio. De acordo com Dr. César Boguszewski, na ocasião, o Dr. Martin Reincke, que também foi co-autor do artigo, recebeu o prêmio Geoffrey Harris, o mais importante outorgado pela ESE, e na sua conferência plenária destacou a publicação utilizando uma das figuras do artigo na sua apresentação.
Outro destaque da edição de junho é o trabalho “Tele-education to improve residents’ knowledge and quality of care in hospital hyperglycemia: a multicenter randomized clinical trial”, que investigou o impacto de uma estratégia de tele-educação na capacitação de médicos residentes para o manejo da hiperglicemia hospitalar. O artigo vem comentado na edição no Editorial “Bridging the knowledge–practice gap in chronic disease management: tele-education in diabetes care training”, de autoria da Dra. Milena Coelho Fernandes Caldato, atual Coordenadora da Comissão de Formação Médica em Endocrinologia e Metabologia da SBEM.
Segundo um dos autores do estudo, Dr. Jivago da Fonseca Lopes, o ensaio clínico randomizado multicêntrico demonstrou que uma intervenção simples, baseada em aula online associada ao acompanhamento via WhatsApp, foi capaz de melhorar significativamente o conhecimento dos residentes sobre a abordagem da hiperglicemia em quatro hospitais universitários distintos. “Além do avanço educacional, o estudo observou tendências favoráveis na adequação da prescrição de insulina, sugerindo impacto positivo também na qualidade assistencial”, explica.
“Os resultados reforçam o potencial das ferramentas digitais como estratégia acessível e de baixo custo para ampliar a educação médica continuada e qualificar o cuidado hospitalar de pessoas com diabetes e hiperglicemia”, reforça o Dr. Fonseca Lopes.
A nova edição também traz contribuições importantes para o tratamento da Doença de Graves com o artigo “Treatment outcomes in patients with relapsed Graves’ disease”. Segundo um dos autores, Dr. Danilo Villagelin, o estudo discute uma mudança de paradigma no tratamento do hipertireoidismo causado pela doença, especialmente nos casos de recidiva após o primeiro ciclo de tratamento medicamentoso. “Tradicionalmente, pacientes com retorno da doença eram encaminhados para terapias definitivas, principalmente o radioiodo, entretanto, evidências recentes têm apontado que o uso prolongado do metimazol é uma alternativa segura e eficaz”, comenta.
“O estudo mostra que a manutenção contínua do medicamento proporcionou melhor controle da função tireoidiana quando comparada tanto ao radioiodo quanto à realização de um novo ciclo convencional da droga”, explica. Para o autor, os resultados reforçam a consolidação de uma abordagem mais conservadora e individualizada, capaz de preservar melhor a estabilidade hormonal e reduzir a necessidade de terapias definitivas.
A nova edição do AE&M também destaca o estudo “The Brazilian Transition in Differentiated Thyroid Carcinoma Management: A 25-Year Nationwide Analysis of Declining High-Activity Radioiodine Use (2000–2024)”, que apresenta uma ampla análise nacional sobre o uso de iodo radioativo no tratamento do carcinoma diferenciado da tireoide.
Segundo um dos autores da pesquisa, Dr. José Miguel Dora, o estudo analisou dados do SUS ao longo de 25 anos e demonstrou uma mudança progressiva no padrão terapêutico brasileiro, alinhando o país às diretrizes internacionais mais recentes. “Os resultados mostram que o Brasil avançou significativamente na adequação do tratamento do câncer de tireoide, incorporando práticas mais alinhadas às evidências científicas, embora havendo ainda espaço para aprimorar a prática clínica e garantir maior equidade no cuidado oncológico em todo o país”, finaliza.