O Encontro Brasileiro de Tireoide (EBT) chega à sua edição de 2026, entre 30 de abril e 3 de maio de 2026, reafirmando um papel central dentro da Endocrinologia e Metabologia no país.
O evento, no Centro de Convenções de Salvador, mantém uma característica que atravessa décadas: ambiente de troca direta entre gerações, aproximando jovens pesquisadores dos nomes mais experientes da tireoidologia brasileira.
Essa combinação entre densidade científica e formato intimista não é casual, porque está diretamente ligada à origem do próprio EBT. Um evento que está no calendário da Endocrinologia e Metabologia brasileira.
Nasceu do Espírito de Integração
Os documentos históricos do primeiro encontro, guardados com carinho pelo Dr. Rui Maciel, mostram que o EBT surgiu, em 1984, como resposta a uma lacuna percebida dentro da comunidade endocrinológica.
Em carta datada de 14 de março daquele ano, o professor Rui Maciel descreve que a proposta nasceu após discussões no Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, quando um grupo identificou a necessidade de um evento anual dedicado exclusivamente à tireoide, com maior integração entre clínica e pesquisa.
A concepção do encontro já indicava pontos como informalidade, discussão aprofundada e estímulo à participação ativa de jovens. A proposta incluía desde temas livres até debates de controvérsias clínicas, com espaço estruturado para interação, algo que era pouco comum em congressos tradicionais da época.
I EBT: Densidade Científica e Colaboração
O I Encontro Brasileiro de Tireoide foi realizado entre os dias 17 e 19 de agosto de 1984, em São Paulo, no Anfiteatro do Hospital do Servidor Público Estadual. O evento aconteceu em conjunto com a II Jornada sobre Tireopatias do IAMSPE, já indicando uma articulação institucional relevante desde o início.
A coordenação geral ficou a cargo do próprio Dr. Rui Maciel, com participação de um comitê científico que reunia nomes expressivos, como Dr. Geraldo Medeiros-Neto, Dra. Doris Rosenthal, Dr. Anísio Costa Toledo, Dr. João Gabriel H. Cordeiro, Dr. Luiz César Póvoa, entre outros.
A programação também reflete esse perfil: incluía simpósios sobre regulação do metabolismo tireoidiano, deficiência de iodo, hipertireoidismo na gestação, câncer de tireoide, além de sessões de temas livres e discussões clínicas aprofundadas.
Formato para Especializar e Conectar
Outro aspecto marcante, registrado nos documentos, é a ênfase na formação de novos quadros. A carta da pesquisadora Doris Rosenthal destaca a importância do “enfoque informal” e do incentivo à participação de jovens, muitas vezes limitados nos congressos tradicionais. Ela também sugere o estímulo a temas livres e discussões abertas como forma de enriquecer o ambiente científico.
Essa preocupação com a formação e integração se consolidou como uma das principais identidades do EBT ao longo das décadas.
De 1984 a 2026: Identidade Preservada
Quatro décadas depois, o EBT se consolida como um dos mais importantes encontros científicos dedicados à tireoide no Brasil. A expansão do evento acompanha o avanço da Endocrinologia e Metabologia, incorporando novas tecnologias, linhas de pesquisa e abordagens clínicas.
O EBT 2026, organizado pela SBEM, por meio do Departamento de Tireoide, reafirma esse compromisso. Em um cenário científico cada vez mais complexo e, muitas vezes, mais impessoal, o encontro mantém sua proposta original. A frente dessa edição está o Dr. Rafael Selbach Scheffel, presidente do XXII EBT; Dr. Cleo Otaviano Mesa Jr., presidente da Comissão Científica; e Dr. Helton Ramos, presidente da Comissão Organizadora.
É essa combinação que explica sua longevidade e relevância contínua dentro da Endocrinologia e Metabologia brasileira.
Informações sobre o EBT 2026 – ebtsbem.com.br
– Local: Centro de Convenções Salvador
– Inscrições neste link
– Programação científica – neste link