No Dia Mundial da Osteoporose, em 20 de outubro, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), por meio de seu Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral, reforça a importância do diagnóstico precoce, da prevenção, e do tratamento da doença. Esse ano, o foco das informações é referentes aos caminhos para ampliar o acesso a exames e medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
O que é osteoporose
A osteoporose é uma doença caracterizada pela redução da resistência dos ossos, que aumenta o risco de fraturas. Como geralmente não provoca sintomas, pode passar despercebida até que ocorra uma fratura após uma queda leve ou um movimento aparentemente inofensivo.
A identificação dos fatores de risco, o diagnóstico oportuno e o acesso ao tratamento são medidas importantes para reduzir complicações e preservar a qualidade de vida. É importante reconhecer que o viver mais na maturidade contribui para o surgimento de osteoporose, pois a partir dos 40 anos começa o declínio de massa óssea. Além disso, é necessário reconhecer situações que merecem investigação e compreender os caminhos para obter atendimento na rede pública.
Diagnóstico: quando investigar a osteoporose?
A avaliação médica é fundamental para identificar pessoas com maior risco de desenvolver osteoporose e sofrer fraturas. Entre os grupos que merecem atenção estão mulheres a partir dos 65 anos, homens a partir dos 70 anos, pessoas com menopausa precoce, histórico de fraturas por fragilidade e pacientes que fazem uso crônico de corticoides.
A densitometria óssea é o principal exame utilizado para avaliar a densidade mineral dos ossos. O procedimento é rápido, indolor e utiliza baixa dose de radiação.
No SUS, o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A equipe de saúde poderá avaliar os fatores de risco e, quando houver indicação, solicitar o exame. O pedido segue o fluxo de regulação municipal ou estadual para agendamento na rede pública ou conveniada, conforme a organização local.
FRAX: ferramenta para avaliar o risco de fraturas
Além da densitometria, os profissionais de saúde podem utilizar o FRAX, ferramenta clínica validada internacionalmente, inclusive no Brasil. O cálculo estima a probabilidade de ocorrência de fraturas por fragilidade nos próximos dez anos.
A avaliação considera diferentes fatores, como:
- Idade, peso e altura;
- Histórico de fratura por fragilidade;
- Histórico de fratura de quadril nos pais;
- Tabagismo e consumo de álcool;
- Uso contínuo de corticoides;
- Presença de artrite reumatoide.
O FRAX pode ser utilizado com ou sem os resultados da densitometria óssea. A ferramenta auxilia o profissional na avaliação do risco individual e na definição da conduta mais adequada, considerando a necessidade de tratamento e acompanhamento.
Exames complementares:
Uma vez identificado que o paciente apresenta maior risco de fratura e que deve se beneficiar de tratamento é importante que um conjunto de exames sejam feitos para avaliar a possibilidade de osteoporose secundária, como listado a seguir: hemograma, cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, creatinina, TGO, TGP, 25-OHD e calciúria de 24 horas. Outros exames podem ser incluídos como a testosterona para os homens com osteoporose, eletroforese de proteínas quando há suspeita de mieloma múltiplo e o teste de supressão de cortisol naqueles com suspeita de hipercortilosismo endógeno.
Tratamento da osteoporose: medicamentos disponíveis no SUS
O tratamento deve ser individualizado e pode incluir medicamentos, adequação da ingestão de cálcio e vitamina D, atividade física e medidas para prevenir quedas.
O cálcio contribui para a mineralização óssea, enquanto a vitamina D favorece a absorção desse mineral pelo organismo. A suplementação deve ser orientada pelo especialista de acordo com as necessidades de cada paciente.
O alendronato de sódio atua reduzindo a reabsorção óssea e contribui para diminuir o risco de fraturas. O acesso pode ocorrer na Farmácia Básica Municipal, conforme os fluxos locais, ou pelo Programa Farmácia Popular, nas farmácias credenciadas, de acordo com os critérios e a documentação exigidos.
Cuidados importantes com o alendronato
Quando prescrito, o medicamento deve ser utilizado conforme a orientação médica e as instruções da bula.
- Tomar em jejum, com um copo cheio de água pura;
- Não mastigar nem chupar o comprimido;
- Permanecer sentado ou em pé por pelo menos 30 minutos antes de comer ou deitar.
A forma correta de administração é importante para a segurança e a efetividade do tratamento. Em caso de dúvidas, o paciente deve procurar o profissional de saúde responsável pelo acompanhamento.
Romosozumabe: acesso ao tratamento em casos selecionados
Para alguns pacientes com osteoporose grave e risco muito elevado de fraturas, pode haver indicação de tratamentos específicos, conforme os critérios estabelecidos nos protocolos clínicos do Ministério da Saúde.
O romosozumabe é um medicamento biológico que estimula a formação óssea e reduz a reabsorção do osso. Sua utilização no SUS é reservada a mulheres na pós-menopausa que atendam aos critérios previstos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), incluindo situações de risco muito elevado de fratura e falha comprovada de tratamentos anteriores.
O medicamento é administrado por injeção subcutânea mensal durante 12 meses. Após esse período, é necessário fazer a transição para outro tratamento, com o objetivo de manter os ganhos de massa óssea.
O acesso ocorre pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) e exige documentação específica, que inclui:
- Laudo de Solicitação de Medicamentos (LME), preenchido e assinado pelo médico;
- Receita médica em duas vias;
- Exames comprobatórios, incluindo densitometria óssea e exames laboratoriais.
A documentação deve ser apresentada conforme o fluxo estabelecido pela unidade responsável pela dispensação de medicamentos especializados. A solicitação passa por avaliação técnica para verificar se os critérios exigidos foram atendidos.
Prevenção é parte do tratamento
O cuidado com a saúde óssea vai além do uso de medicamentos. A prática regular de atividade física, incluindo exercícios de fortalecimento muscular e atividades adequadas à condição de cada pessoa, contribui para a manutenção da saúde dos ossos e da capacidade funcional.
A prevenção de quedas também é essencial, especialmente entre pessoas idosas e pacientes com maior risco de fraturas. Medidas simples no ambiente doméstico, como reduzir obstáculos, melhorar a iluminação e manter áreas de circulação seguras, podem ajudar a evitar acidentes.
Neste Dia Mundial da Osteoporose, a SBEM reforça a importância de reconhecer os fatores de risco, buscar avaliação profissional e conhecer os caminhos para o diagnóstico e o tratamento pelo SUS.
Consultoria – Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da SBEM – Dr. Francisco José Albuquerque de Paula, coordenador; Dra. Narriane Chaves Pereira de Holanda, subcoordenadora; e os diretores – Dra. Bárbara Campolina Carvalho Silva, Dra. Catarina Brasil d’Alva, Dr. Érico Higino Carvalho (PE), Dr. Leonardo Costa Bandeira e Farias (PE) e Dra. Victória Zeghbi Cochenski Borba (PR). Comissão de Campanhas, Dr. Mateus Severo.