Dia Mundial da Osteoporose 2023 – 20 de Outubro

“Não deixem que seus ossos quebrem seus planos” foi a temática escolhida pela SBEM e Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral para a Campanha de esclarecimento pelo Dia Mundial da Osteoporose – 20 de outubro.

O objetivo é alertar a população para a importância de prevenir as fraturas, que podem causar limitações em atividades rotineiras que fazem parte do dia a dia. Como tratar, a importância de evitar a primeira fratura, quais os fatores de risco, o uso de medicamentos e evitar uma doença muito silenciosa, a osteoporose.

Osteoporose

A osteoporose é caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microestrutura do osso, levando à redução da resistência óssea e aumento do risco de fratura (1). É uma doença de alta prevalência e, sua expressão clínica, a fratura osteoporótica, é associada a alta morbimortalidade e custos substanciais para os sistemas de saúde (2, 3).

Em geral, 40% das pessoas que experimentam uma fratura osteoporótica de fêmur proximal (quadril) ficam incapazes de caminhar sem ajuda no primeiro ano após a fratura, e 60% ficam dependentes para, pelo menos, uma atividade básica de vida diária (4).

Além disso, 20 a 30% dos pacientes com fratura de fêmur vão evoluir para óbito no primeiro ano após a fratura(4). As fraturas vertebrais osteoporóticas também estão associadas a deformidades do tórax e abdome, perda de estatura, dor nas costas e aumento da morbidade e mortalidade.

Os Números da Osteoporose

Estima-se que cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com idade igual ou superior a 50 anos sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. No Brasil, há aproximadamente 127.000 fraturas de fêmur por ano, e a previsão é que este número aumente para 160.000 no ano de 2050 (5).

Em estudo realizado em São Paulo, em 2009, a prevalência de fratura vertebral morfométrica em idosos (>65 anos) foi de 29% (6). A prevalência da osteoporose também é alta em outros países da América Latina (7) e do mundo, sendo que em 2010 registrou-se a ocorrência de aproximadamente 2,7 milhões de fraturas de fêmur em todo o mundo, das quais cerca de 50% poderiam ter sido evitadas se a osteoporose tivesse sido reconhecida e tratada (8).

A osteoporose pode ter consequências desastrosas quando não tratada, mas é uma doença silenciosa até a ocorrência de uma fratura. Por isso, é tão importante alertar a população para a prevenção, que deve ser feita desde a infância, assim como a sua identificação, para que o tratamento seja feito de modo a prevenir a fratura.

Prevenção da Osteoporose

Há alguns aspectos que precisam ser enfatizados na prevenção da osteoporose. A massa óssea é adquirida durante a infância e adolescência, até aproximadamente a idade de 25-30 anos.

Após este período, há uma manutenção da massa óssea até, em média, a idade de 50 anos. Depois, há uma rápida perda de massa óssea nas mulheres e uma mais lenta e gradual nos homens.

Dessa forma, a quantidade de osso formada durante a infância e juventude constitui uma “poupança” que, em idades mais avançadas, reduz o risco de osteoporose. Ou seja, quanto maior for o pico de massa óssea, atingido nesta fase mais precoce de vida, menor o risco de osteoporose após a menopausa ou em idades mais avançadas.

E o que determina esse pico de massa óssea? A genética e os hábitos de vida. Não é possível modificar a genética, ainda, mas bons hábitos de vida desde a infância, como dieta adequada de cálcio, prática regular de exercício físico, manutenção de níveis suficientes de vitamina D, não abusar do consumo de álcool e não fumar, certamente reduzem o risco de osteoporose ao longo da vida.

Outro ponto importante é a identificação da osteoporose antes que ocorra uma fratura. Isso permite o início do tratamento com medicamentos específicos, que comprovadamente reduzem o risco de fratura.

Além disso, quando a osteoporose é identificada, deve-se reforçar a adoção de bons hábitos de vida e adotar medidas de prevenção de quedas.

Como Identificar a Osteoporose

Como identificar uma doença que é silenciosa, não dói e que parece não dar pistas que exista até que ocorra uma fratura? O primeiro ponto, como explicam os especialistas, é que, apesar de “parecer não dar pistas”, é possível identificar alguns “fatores de risco”, que aumentam a chance de uma pessoa ter osteoporose e fraturas.

É importante observar quais são os fatores de risco para osteoporose. Entre eles, destacam-se:

  • Idade avançada (maior que 65 anos);
  • Baixo peso, baixo índice de massa corporal (IMC);
  • Fratura prévia por fragilidade (espontânea ou por trauma mínimo);
  • Fratura recente (principalmente no último ano): quanto mais recente, maior o risco de fratura iminente (nova fratura nos próximos 1 ou 2 anos);
  • História familiar de osteoporose ou fratura osteoporótica;
  • Uso prolongado de glicocorticoide ou outras medicações como as usadas para tratamento de câncer de mama ou de próstata;
  • Artrite reumatoide;
  • Diabetes Mellitus;
  • Não uso de estrogênio após a menopausa;
  • Menopausa antes dos 45 anos de idade;
  • História de quedas no ano precedente;
  • Presença de múltiplas doenças ou alto índice de fragilidade;
  • Comprometimento da mobilidade;
  • Tabagismo ou etilismo;
  • Doenças de mal absorção intestinal (ex: cirurgia bariátrica prévia, doença de Chron, doença celíaca);
  • Doenças da paratireoide e hipertireoidismo não tratado;
  • Doenças que causem uma redução dos hormônios sexuais (estrogênio na mulher e testosterona no homem);

Uma das ferramentas utilizadas pelos especialistas, e disponível online, que pode ser usada para estimar o risco de fratura nos próximos 10 anos chama-se FRAX. O médico pode usá-la em pessoas entre 40 e 90 anos de idade para ajudar a determinar o risco de fratura.

Além da identificação dos fatores de risco, o exame padrão ouro para o diagnóstico da osteoporose é a densitometria óssea.

Esse é um exame de imagem, disponível na maioria dos centros médicos e com baixíssima emissão de radiação.

Deve realizar este exame:

  • Pessoas que tenham uma doença ou condição que aumente o risco de osteoporose*,
  • Pessoas que usem medicação que aumente o risco de osteoporose*,
  • Pessoas com mais de 50 anos ou mulheres na transição menopausal com fatores de risco (listados acima),
  • História de fratura por trauma mínimo ou espontânea,
  • Cálculo do FRAX elevado,
  • Qualquer mulher com 65 anos ou mais e homem com 70 anos ou mais, INDEPENDENTE DE FATORES DE RISCO.

* Essas condições e medicações estão listada acima, nos fatores de risco, mas há outras menos comuns que não foram listadas aqui.

Assim, a presença de fatores de risco direciona para a realização do exame de densitometria óssea em idade mais precoce, mas, mesmo na sua ausência, após certa idade, todos devem realizá-lo.

Um último ponto a ser enfatizado é que a presença de uma fratura osteoporótica é um evento suficiente para que o diagnóstico de osteoporose seja reconhecido.

Assim, aquele idoso que teve uma fratura de quadril, após cair da própria altura; ou uma senhora que teve uma fratura de punho, após cair da própria altura; ou alguém que teve uma fratura de vértebra espontânea ou por trauma mínimo, deve ser investigada e tratada para que novas fraturas não ocorram.

A presença de fratura prévia por fragilidade, principalmente a recente (no último ano), aumenta muito o risco de nova fratura. Ou seja, é importante que o tratamento seja realizado o quanto antes, para a prevenção de uma segunda fratura.

 

Consultoria: Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral: Bárbara Campolina Carvalho Silva (presidente); Dra. Catarina Brasil D’Alva (vice-presidente); e os diretores: Dra. Narriane Chaves Pereira de Holanda, Dr. Francisco José Albuquerque de Paula, Dra. Monique Nakayama Ohe, Dr. Leonardo Costa Bandeira e Farias e Dr. Miguel Madeira (RJ). Comissão de Campanhas: Dra. Mariana Guerra (presidente) e Dra. Ana Augusta Motta Oliveira Valente.

 

Referências:

  1. NIH Consensus Development Panel on Osteoporosis Prevention D, Therapy. Osteoporosis prevention, diagnosis, and therapy. Jama. 2001 Feb 14;285(6):785-95. PubMed PMID: 11176917.
  2. Holroyd C, Cooper C, Dennison E. Epidemiology of osteoporosis. Best practice & research Clinical endocrinology & metabolism. 2008 Oct;22(5):671-85. PubMed PMID: 19028351.
  3. Johnell O, Kanis JA. An estimate of the worldwide prevalence and disability associated with osteoporotic fractures. Osteoporosis international : a journal established as result of cooperation between the European Foundation for Osteoporosis and the National Osteoporosis Foundation of the USA. 2006 Dec;17(12):1726-33. PubMed PMID: 16983459.
  4. USPS Task Force; JAMA. 2018;319(24):2521-2531. doi:10.1001/jama.2018.7498
  5. Albergaria BH, Chalem M, Clark P, Messina OD, Pereira RMR, Vidal LF. Consensus statement: osteoporosis prevention and treatment in Latin America-current structure and future directions. Archives of osteoporosis. 2018 Aug 24;13(1):90. PubMed PMID: 30143914. Pubmed Central PMCID: 6132387.
  6. Lopes JB, Danilevicius CF, Takayama L, Caparbo VF, Menezes PR, Scazufca M, et al. Prevalence and risk factors of radiographic vertebral fracture in Brazilian community-dwelling elderly. Osteoporosis international : a journal established as result of cooperation between the European Foundation for Osteoporosis and the National Osteoporosis Foundation of the USA. 2011 Feb;22(2):711-9. PubMed PMID: 20442985.
  7. Aziziyeh R, Amin M, Habib M, Garcia Perlaza J, Szafranski K, McTavish RK, et al. The burden of osteoporosis in four Latin American countries: Brazil, Mexico, Colombia, and Argentina. Journal of medical economics. 2019 Mar 5:1-7. PubMed PMID: 30835577.
  8. Compston JE, McClung MR, Leslie WD. Osteoporosis. Lancet. 2019 Jan 26;393(10169):364-76. PubMed PMID: 30696576.