Dia Internacional da Tireoide: Esclarecendo Dúvidas sobre Hipotireoidismo

No Dia Internacional da Tireoide, em 25 de maio, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), por meio do seu Departamento de Tireoide, reforça a importância da informação de qualidade para conscientizar a população sobre as disfunções da tireoide.

A data integra uma mobilização global voltada à ampliação do conhecimento sobre as doenças tireoidianas e, anualmente, mobiliza as Regionais da SBEM em diferentes estados brasileiros, com ações de conscientização e orientação à população.

A campanha de 2026 traz esclarecimentos sobre uma das condições mais frequentes relacionadas à glândula: o hipotireoidismo. A proposta é ajudar a população a compreender melhor sintomas frequentemente associados à condição, como ganho de peso, cansaço e sonolência, além de reforçar a importância do diagnóstico correto.

O conteúdo da campanha foi desenvolvido pelos especialistas: Dr. Mateus Dornelles Severo (coordenador da Comissão de Campanhas), Dr. Rafael Scheffel (coordenador do Departamento de Tireoide), as diretoras Dra. Raquel Andrade de Siqueira e Dra. Susan Lindsey; e colaboração Dr. José Miguel Dora e Dra. Carolina Ferraz.

Hipotireoidismo e Ganho de Peso: Qual É a Real Relação?

A associação entre hipotireoidismo e ganho de peso é bastante conhecida, mas essa relação precisa ser entendida com mais profundidade.

Quando a tireoide funciona menos, o metabolismo desacelera. Isso acontece porque os hormônios tireoidianos desempenham papel fundamental na regulação do gasto de energia, da produção de calor e da atividade das células do organismo. Com menor produção hormonal, o corpo passa a gastar menos energia nas atividades do dia a dia.

Esse processo pode, sim, contribuir para o ganho de peso. No entanto, é importante esclarecer que, na maioria dos casos, esse aumento costuma ser discreto e não explica, sozinho, as mudanças mais expressivas na balança.

Na prática, estudos mostram que parte dos pacientes com hipotireoidismo apresenta ganho de peso. Ainda assim, quadros mais acentuados de obesidade raramente têm como causa única a disfunção da tireoide.

Outro aspecto importante é que essa relação não ocorre em apenas uma direção. O excesso de gordura corporal também pode interferir no funcionamento da tireoide. Isso pode acontecer por meio de processos inflamatórios, pela ação de adipocinas (substâncias produzidas pelo tecido adiposo) e por alterações hormonais.

Por isso, nem todo ganho de peso é causado pela tireoide. Da mesma forma, nem toda alteração da tireoide vai se manifestar com aumento significativo de peso.

Também é importante destacar que corrigir o hipotireoidismo nem sempre leva a uma perda de peso relevante. Isso acontece porque o peso corporal é determinado por múltiplos fatores, e não apenas pelo metabolismo tireoidiano.

Alimentação, atividade física, qualidade do sono, predisposição genética e outras condições metabólicas também influenciam diretamente o peso corporal.

Por isso, o ganho de peso deve ser avaliado com cuidado pelo endocrinologista. A tireoide pode fazer parte desse processo, mas raramente é a única explicação.

Cansaço e Sonolência: a Tireoide Pode ser a Causa?

Sensação constante de cansaço, sonolência excessiva, dificuldade de concentração e percepção de lentidão no raciocínio são sintomas que frequentemente levam pacientes a suspeitar de alterações na tireoide.

Essa suspeita não é infundada. De fato, fadiga e sonolência são manifestações comuns do hipotireoidismo. No entanto, esses sintomas também podem estar presentes em diversas outras condições clínicas.

Para ilustrar essa situação, imagine uma pessoa que, nos últimos meses, passou a perceber que sua energia já não era a mesma. O cansaço tornou-se constante, a concentração ficou mais difícil e surgiu a sensação de estar sempre mais lenta. Ao buscar informações e identificar possíveis explicações, a hipótese de alteração da tireoide parece plausível, levando à procura por avaliação médica especializada.

Na consulta, o endocrinologista pode considerar o hipotireoidismo como uma possibilidade diagnóstica, mas o diagnóstico não é feito com base apenas nos sintomas. O diagnóstico correto depende de exames laboratoriais. O principal exame inicial é a dosagem do TSH, hormônio que avalia como a tireoide está sendo estimulada pelo organismo.

– Se o TSH estiver elevado, a investigação segue com a dosagem do T4 livre.

– Quando o T4 livre está reduzido, o diagnóstico de hipotireoidismo é confirmado.

– Quando o T4 livre permanece dentro da normalidade, o quadro pode indicar hipotireoidismo subclínico.

Essa combinação de exames é fundamental para estabelecer o diagnóstico com precisão.

Por outro lado, se o TSH estiver dentro da faixa de normalidade, o hipotireoidismo se torna pouco provável, tornando necessária a investigação de outras causas para os sintomas apresentados. Um exemplo importante é a apneia do sono, condição que pode provocar cansaço persistente, sonolência diurna e comprometimento da qualidade de vida.

Outras condições, como anemia, estresse, depressão e diferentes distúrbios metabólicos, também podem causar sintomas semelhantes.

Diagnóstico Correto Evita Atrasos no Cuidado

Nem sempre a sensação de “bateria baixa” é consequência de alterações na tireoide. Ainda assim, excluir essa possibilidade faz parte de uma investigação clínica importante, especialmente para evitar atrasos no diagnóstico correto e no início do tratamento adequado.

A principal mensagem da campanha da SBEM é que o hipotireoidismo é uma condição comum, que merece atenção e diagnóstico preciso, mas nem todo cansaço ou ganho de peso tem origem na tireoide.

A conscientização da população e o acesso à informação segura são fundamentais para evitar diagnósticos equivocados, reduzir preocupações desnecessárias e incentivar a busca por avaliação médica qualificada.

Referências:
Apovian CM et al. Clinical Management of Obesity (2025).

Brenta G et al. Arq Bras Endocrinol Metab (2013).
Chaker L et al. JAMA (2025).

Carvalho GA et al. Arq Bras Endocrinol Metab (2013).
Jonklaas J. Nature Reviews Endocrinology (2026).
Walczak K et al. International Journal of Environmental Research and Public Health (2021).
Taylor PN et al. The Lancet (2024).

Consultoria: Departamento de Tireoide da SBEM