Na programação do CBEM 2024 foi incluída uma série de Cursos de Imersão, que foram as primeiras atividades do evento. Salas sempre cheias confirmaram que a proposta agradou os congressistas. Temas como terapia hormonal na menopausa na prática clínica, endocrinologia do exercício, diabetes, obesidade, endocrinologia do exercício, tireoide e neuroendocrinologia e adrenal estiveram nos debates.
Diabetes
Com a velocidade das mudanças nas ferramentas digitais, a atualização na área de monitoramento em diabetes é fundamental. Os congressistas puderam acompanhar sobre o uso de tecnologias na abordagem dos pacientes com os debates sobre softwares de sensores, calculadora de risco cardiovascular e rastreamento MODY.
A Dra. Karla Melo abordou a utilização do AGP Report, que é reconhecido internacionalmente para interpretar o controle da glicose de pessoas com diabetes, usando sistemas de MCG ou SFMG. Ela destacou que a acurácia no uso dessa ferramenta é fundamental.

Já o Dr. Wellington Santana destacou que as calculadoras de risco, apesar de serem distintas em vários aspectos, ainda são ferramentas que auxiliam na estratificação de risco cardiovascular, já que as pessoas que vivem com o diabetes têm importância fundamental para definição de metas terapêuticas e para a escolha adequada dos agentes necessários para manejo dos fatores de risco metabólico.
Sobre o rastreamento do diabetes tipo MODY, a Dra. Milena Gurgel fez uma comparação entre os tipos mais comuns de diabetes e o tipo Mody. A especialista reforçou a importância das calculadoras digitais nos testes genéticos, que são fundamentais no diagnóstico do Diabetes Tipo Mody.
Obesidade
Foram discutidos o papel da composição corporal no tratamento, a intolerância aos análogos de GLP-1, pacientes com comorbidades psiquiátricas, o tratamento combinado da obesidade inicial ou no reganho de peso e estigma internalizado.
O Dr. Daniel da Costa Lins destacou que há uma reformulação nos índices das medidas corporais. Um dos pontos abordados por ele foi a questão da inteligência artificial. Segundo ele, essa nova tecnologia, integrada a softwares avançados e novas métricas, auxilia na avaliação precisa da composição corporal, permitindo decisões clínicas mais personalizadas e eficazes.

Os efeitos adversos dos medicamentos da classe de GLP-1 foi o tópico apresentado pelo Dr. Alexandre Benchimol. Ele explicou que os efeitos das classes desses medicamentos são semelhantes e a descontinuação deles pode se dar, muitas vezes, pelas fakes news, informações sensacionalistas sobre o assunto e a automedicação.
A relação entre obesidade e transtornos alimentares foi esclarecida pelo Dr. Adriano Segal. Alguns dos tópicos abordados pelo médico foram as comorbidades psiquiátricas em pessoas com obesidade e os desafios no tratamento das duas doenças. Ele enfatizou, ainda, que os mecanismos entre essas duas condições interagem entre si e que a abordagem não se resume a apenas tratamentos farmacológicos e cirúrgicos.
Para o Dr. Fábio Trujilho, o tratamento da obesidade não é um processo linear. A combinação de drogas pode se complementar em diferentes mecanismos fisiológicos. O endocrinologista destacou que a combinação de medicamentos na terapia pode ser uma ferramenta em muitas situações, sendo levados em consideração os mecanismos de ação dos medicamentos, os efeitos adversos, o custo benefício da associação, entre outras questões.

Fechando os debates sobre o tema, a Dra. Priscila Gil abordou o estigma da condição. Ela passou pelos conceitos iniciais da temática, sobre gordofobia e racismo, IMC e racismo e o culto da beleza.
A médica fez uma reflexão sobre o tema, segundo o conceito sobre o estigma de Erving Goffman: “um atributo que o torna diferente de outros que se encontram numa categoria em que pudesse ser incluído, sendo, até, de uma espécie menos desejável (…) Assim deixamos de considerá-la criatura comum e total, reduzindo-a a uma pessoa estragada e diminuída. Tal característica e estigma, especialmente quando o seu efeito de descrédito é muito grande.”
Menopausa
Quando iniciar a reposição hormonal e quando parar? No curso, coordenado pelo Dr. Marcelo Ronsoni, presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade (DEFAT), e pela Dra. Monica de Oliveira, diretora do DEFAT, pontos como o uso do hormônio de acordo com a necessidade individual foi abordado.

A Dra. Ruth Clapauch reforçou a importância de explicar a paciente da forma mais clara possível, lembrando que a transição do corpo é normal e individual.

O Curso contou, também, com a participação da Dra. Thyciara Fontelene que falou sobre quais os exames que são realmente imprescindíveis e o porquê seriam escolhidos. A Dra. Thyciara lembrou que a menopausa é um período marcado por muitas mudanças em vários padrões que precisam ser avaliados antes da solicitação dos exames.