A relação entre crise ambiental e saúde infantil deixou de ser uma projeção futura para se tornar uma realidade concreta. Durante a COP30, o Brasil apresentou seu primeiro plano internacional de adaptação climática voltado à saúde e à equidade, reforçando um ponto central: as crianças já estão entre as mais afetadas pelas mudanças ambientais.
Dados recentes indicam que mais de cinco milhões de crianças vivem em áreas consideradas vulneráveis no país. Os impactos começam ainda na gestação. A exposição a temperaturas extremas e à poluição atmosférica está associada a maior risco de hipertensão materna, diabetes gestacional, parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Após o nascimento, os efeitos continuam a se acumular, com maior exposição a contaminantes ambientais, prejuízos no desenvolvimento cognitivo e motor e maior suscetibilidade a infecções. O sistema endócrino infantil, ainda em formação, é particularmente sensível às alterações ambientais. Por isso, o tema vem sendo sinalizado como um dos que precisa de debates científicos urgentes.
Como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) vem reforçando há alguns anos, a exposição a desreguladores endócrinos é uma grande preocupação da endocrinologia pediátrica. À medida que crescem, as crianças também enfrentam desafios associados ao ambiente urbano.
Clima, ambiente, alimentação e estilo de vida interagem de forma complexa, moldando a saúde das novas gerações. O assunto está entre os destaques no 10º Encontro Brasileiro de Endocrinologia Pediátrica (EBEP), que será realizado em Brasília, em 2026. O evento reunirá especialistas para discutir, à luz das evidências científicas mais recentes, os impactos ambientais sobre o sistema endócrino infantil e os caminhos possíveis para a prática clínica e as políticas públicas.
Mais informações e inscrições estão disponíveis em www.ebep2026.com.br.