Complicações Crônicas e Situações de Crise Foram Temas do IDF 2023

Recentemente, a International Diabetes Federation (IDF) realizou uma edição online do Congresso Mundial com dois temas centrais, abordando complicações crônicas do diabetes, com foco na neuropatia diabética, e situações de crise, como as guerras e desastres naturais. Foram cerca de 3 mil participantes, de 150 países, durante os dias 4 e 7 de dezembro.

Entre os palestrantes, a Dra. Hermelinda Pedrosa, ex-presidente do Departamento de Diabetes da SBEM e diretora de Assuntos Governamentais da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD); e Dr. Mark Barone, coordenador-geral do Fórum DCNTs. O presidente da Comissão Científica foi o Dr. Andrew Boulton, ex-presidente da IDF, e que já esteve diversas vezes no Brasil, participando de atividades científicas na área.

Segundo o Dr. Boulton, o tema do evento é importante porque vem ganhando novos debates e análises, que necessitam de atenção especial e aprendizado dos profissionais de saúde para lidar com o tratamento e diagnóstico, baseados em evidências científicas. Ele reforçou a preocupação da IDF em tratamentos alternativos que estão surgindo, e que é preciso atenção dos especialistas.

Dentro deste cenário, a Dra. Hermelinda apresentou o trabalho e a experiência brasileira e da América do Sul, através de uma visão global dos cuidados com tratamento dos pés e neuropatias.

Visão Global do Pé e Neuropatias na América do Sul

A endocrinologista explicou que as doenças não transmissíveis (DNT) desempenham um papel na morbilidade e mortalidade nas Américas, e o resultado da convivência com as doenças infecciosas resultam em dificuldade nos custos com o rastreio e prevenção do diabetes e das suas complicações.

Ele enfatiza que os problemas com os pés de quem tem diabetes necessitam ainda mais de atenção e conhecimento dos profissionais de saúde, para o atendimento adequado, evitando amputações e outras sequelas.

Segundo apresentou a Dra. Hermelinda, os dados sobre problemas nos pés são escassos, apesar dos leitos hospitalares estarem ocupados por estes problemas. Os estudos vêm sendo realizados há muito tempo para mostrar a realidade do quadro, mas a solução está longe de ser alcançada.

Pesquisa apresentada, e realizada em 2016, com mais de 1.400 pacientes já sinalizava o quadro, que vem se arrastando sem uma solução adequada. Na linha do tempo (a seguir), ela mostrou que pesquisas e estudos iniciaram em 1992. Na ocasião, segundo a especialista, o Projeto Salvando o Pé Diabético reduziu em 77.8% as amputações.

Outro ponto apresentado foram os projetos que vieram na sequência. O Step by Step , por exemplo, foi inspirado na experiência brasileira e introduzido em diversos países como Tanzânia (2003), onde foram feitos relatos de exemplos educacionais e de treinamento bem-sucedidos. A iniciativa brasileira foi modelo também na Argentina, Chile, Colômbia, República Dominicana, México, Peru e Uruguai.

Entre as questões apresentadas para futuras mudanças e retomada dos cuidados em vários países estão: novas  estratégias para a implementação da política de estado de saúde; vínculos com o D-FOOT e Conselhos Nacionais de Saúde (CONASS, no Brasil); maior vínculo e compromisso com os Ministérios da Saúde; atualização de políticas de saúde, baseadas no IWGDF (International Working Group on the Diabetic Foot), apoio do D FOOT e Sociedades Científicas locais; e cooperação com a IDF e a OPAS, com base na agenda da OMS para 2030.