CFM Debate o Cuidado com o Diabetes no Fórum de Endocrinologia e Metabologia

O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, em Brasília, no último dia 28 de novembro de 2025, o I Fórum de Endocrinologia e Metabologia, reunindo representantes da Câmara Técnica, especialistas da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pesquisadores e convidados para discutir os desafios atuais no cuidado ao diabetes e às doenças metabólicas no Brasil.

O encontro, transmitido ao vivo pelo canal do CFM no Youtube, evidenciou a necessidade de ampliar o acesso a tratamentos, fortalecer a formação médica e enfrentar a desinformação, especialmente nas redes sociais.

Na abertura, a 2ª vice-presidente do CFM, Dra. Rosylane Rocha, reforçou a urgência do diagnóstico precoce, da adesão aos protocolos clínicos e do acesso a novas tecnologias. O coordenador da Câmara Técnica de Endocrinologia e Metabologia do CFM, Dr. Bruno Leandro de Souza, acrescentou que é fundamental manter um “debate qualificado sobre os desafios atuais e futuros no tratamento do diabetes”.

Evolução do Cuidado ao Paciente

A conferência de abertura foi apresentada pelo endocrinologista e diretor do Departamento de Diabetes da SBEM, Dr. Wellington Santana da Silva Júnior, que revisitou avanços desde os primeiros registros da doença até as tecnologias de monitoramento atuais. Segundo ele, “o desafio não é apenas inovar, mas garantir que os benefícios cheguem aos pacientes”.


Formação Médica e o Papel da SBEM

A qualificação profissional esteve no centro dos debates. Para o presidente da SBEM, Dr. Neuton Dornelas, a entidade tem um papel determinante na educação continuada dos médicos: “A SBEM é a universidade fora da universidade”. Ele defendeu que, se cada instituição cumprir sua responsabilidade, o cuidado em endocrinologia e metabologia avançará com consistência.


Educação do Paciente e Combate às Fake News

A estudante de medicina Maria Eduarda Pereira Dantas, que faz estágio em endocrinologia em um hospital afiliado à Harvard, destacou a importância de ocupar os espaços digitais com ética e ciência. “Publicar conteúdo não é autopromoção — estamos prevenindo complicações e salvando vidas”, afirmou ao defender a presença de especialistas nas redes. A coordenação do Fórum reforçou que os profissionais não podem ter medo de se posicionar com responsabilidade.

Ética e Atuação Profissional

A mesa sobre ética trouxe reflexões sobre a prática médica em um cenário influenciado por algoritmos e soluções rápidas. A endocrinologista e coordenadora da Comissão de Ética da SBEM, Dra. Diana Viegas, alertou para “o risco de se reconhecer a especialidade sem formação adequada”, reforçando a importância da prova de Título de Especialista e da diferenciação clara entre especialistas e não-especialistas. Foi destacado que a maioria das denúncias recebidas pela SBEM envolve casos ligados ao uso inadequado de hormônios por profissionais sem RQE.

Dr. João Modesto, endocrinologista e segundo secretário do CRM da Paraíba, mediou a sessão de debates sobre ética no Fórum e reforçou a importância da divulgação do RQE. “Parece que o RQE não tem o valor real que gostaríamos que tivesse”. Durante o debate, ele mencionou o envio de medida cautelar à Anvisa de Suspensão Cautelar Nacional da fabricação, comercialização, distribuição e prescrição de versões manipuladas e injetáveis de agonistas de GLP-1/GIP e substâncias correlatas utilizadas no tratamento da obesidade.

Os Riscos e Perigos à Saúde

No último debate, o Dr. João Lindolfo, coordenador da Comissão de Relações Institucionais e Políticas Públicas, foi um dos mediadores da sessão que trouxe o tema relacionado aos problemas do perigo de uso irregulares de medicamentos.

Durante a apresentação do Dr. Alexandre Hohl, ex-presidente da SBEM e diretor do DEFAT (Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade), sobre “Novas Moléculas em Diabetes: entre a inovação terapêutica e os dilemas éticos da manipulação”, ele alertou para os riscos associados ao uso de versões manipuladas de medicamentos para diabetes. “Versões manipuladas podem representar um risco maior para a segurança do paciente.” Citou o grande arsenal terapêutico para o tratamento do diabetes, que são feitos com pesquisa, ciência e com responsabilidade. O endocrinologista alertou para a necessidade de uma avaliação criteriosa do que acontecerá no futuro no Brasil, em função da invasão de medicamentos falsos.

Ele listou diversos países que estão vivendo situações semelhantes, e que preocupa toda a classe médica.

Na última sessão, o Dr. Clayton Macedo, diretor de Comunicação da SBEM, intitulada “O consultório médico e a venda de fármacos: fronteiras éticas no cuidado ao paciente com diabetes”, criticou a medicalização motivada por interesses econômicos e defendeu a ética no exercício da profissão. “O viés econômico pode deturpar a verdade. A abertura indiscriminada de faculdades de medicina tem formado alguns maus profissionais, que colocam o lucro acima da saúde do paciente. O CFM tem uma oportunidade histórica de assumir o papel que a sociedade espera: proteger a medicina da corrosão moral e combater a mercantilização da saúde do paciente.”

Integração para Avançar

Com apoio da SBEM, o Fórum mostrou que o enfrentamento do tratamento do diabetes exige capacitação profissional, ética, educação em saúde, combate à desinformação e acesso seguro às tecnologias. O evento foi marcado pela defesa de uma medicina humana e baseada em evidências, tendo a Endocrinologia e Metabologia em posição central no cuidado às doenças metabólicas.