Campanha Conscientização da Acromegalia 2023

A SBEM e o Departamento de Neuroendocrinologia lançam a campanha de esclarecimento da população pelo Dia da Acromegalia, 1 de novembro. O objetivo é alertar a população sobre a doença, que precisa de um tratamento multidisciplinar e esclarecimentos sobre sinais, sintomas e acompanhamento.

A Acromegalia

Acromegalia é uma doença crônica decorrente do excesso do hormônio de crescimento (GH), sendo na maioria das vezes causada por um adenoma hipofisário secretor de GH. Contudo, como estes sinais e sintomas são de progressão gradual e lenta, a maioria dos pacientes não percebe tais modificações e acaba procurando algum serviço de saúde por um dos sintomas isolados.

  • Os principais sinais e sintomas que mais caracterizam a Acromegalia são as alterações fisionômicas:
  • Proeminência Frontal
  • Alargamento da Base do Nariz
  • Aumento dos Lábios
  • Macroglossia
  • Separação dos dentes
  • Prognatismo
  • Aumento dos Arcos Zigomáticos
  • Aumento das extremidades, representado pela troca por um número maior do sapato e a aliança não caber mais no dedo.

Quadro Clínico

Devido aos níveis elevados do GH e do IGF1, os pacientes acometidos podem apresentar, além das alterações fisionômicas, várias complicações que, dependendo do tempo de evolução da doença, podem ser irreversíveis mesmo com o controle da Acromegalia.

  • Artrite
  • Artrose
  • Parestesias
  • Síndrome do Túnel do Carpo
  • Perda do Campo Visual (pela compressão do tumor ao quiasma óptico)
  • Hipertensão Arterial
  • Diabete Mellitus
  • Alteração da Voz
  • Apneia do Sono
  • Irregularidade Menstrual
  • Amenorreia

Diagnóstico

O rastreamento da Acromegalia se dá pela dosagem sérica do IGF1. Mediante IGF1 acima do valor normal para idade e sexo o paciente deve ser encaminhado a um centro de referência.

Tratamento

É importante reforçar que a Acromegalia tem tratamento e, com a doença controlada, os indivíduos acometidos podem ter uma vida praticamente normal.

Como em quase 100% dos pacientes a causa da Acromegalia é um adenoma hipofisário produtor do hormônio de crescimento, o tratamento primário se dá por meio da cirurgia transesfenoidal.

Para os pacientes não controlados cirurgicamente existem as opções medicamentosas. Tanto as técnicas cirúrgicas como o tratamento medicamentoso evoluíram consideravelmente nos últimos anos, de maneira que, atualmente, a proporção de pacientes com a doença controlada é muito maior que algumas décadas atrás.

Existem praticamente três classes de medicamentos para tratar o paciente que não atingiu cura cirúrgica: os ligantes do receptor da somatostatina, os agonistas dopaminérgicos e os antagonistas do receptor do GH. Os dois primeiros estão disponíveis no SUS.

O seguimento e tratamento dos pacientes com Acromegalia devem ser realizados em centros de referência, por uma equipe multidisciplinar, envolvendo a participação de endocrinologistas, neurocirurgiões, neuropatologistas, radioterapeutas e enfermeiros, para suporte na aplicação do tratamento complementar à cirurgia.

O diagnóstico precoce, a cirurgia realizada por uma equipe experiente em cirurgia transfenoidal e o manejo num centro de referência vão permitir que grande parte dos pacientes tenha a doença controlada. Fato que tem contribuído para que a taxa de mortalidade nesta doença tenha diminuído nos últimos anos.

 

Consultoria: Departamento de Neuroendocrinologia da SBEM – Dr. Leandro Kasuki Jomori de Pinho (presidente), Dra. Andrea Glezer (vice-presidente) e os diretores: Dr. Manoel Ricardo Alves Martins, Dr. Heraldo Mendes Garmes, Dra. Vania dos Santos Nunes Nogueira, Dra. Paula Condé Lamparelli Elias e Dr. Guilherme Alcides Flôres Soares Rollin . Comissão de Campanhas – Dra. Mariana Guerra (presidente).

 

Referências

  1. Giustina A et al. Multidisciplinary management of acromegaly: A consensus. Rev Endocr Metab Disord. 2020 Dec;21(4):667-678.
  2. Giustina, A. et al. A consensus on the medical treatment of acromegaly. Nat. Rev. Endocrinol. 2014; (10): 243–248.