A SBEM e o Departamento de Neuroendocrinologia lançam a campanha de esclarecimento da população pelo Dia da Acromegalia, 1 de novembro. O objetivo é alertar a população sobre a doença, que precisa de um tratamento multidisciplinar e esclarecimentos sobre sinais, sintomas e acompanhamento.
A Acromegalia
Acromegalia é uma doença crônica decorrente do excesso do hormônio de crescimento (GH), sendo na maioria das vezes causada por um adenoma hipofisário secretor de GH. Contudo, como estes sinais e sintomas são de progressão gradual e lenta, a maioria dos pacientes não percebe tais modificações e acaba procurando algum serviço de saúde por um dos sintomas isolados.
- Os principais sinais e sintomas que mais caracterizam a Acromegalia são as alterações fisionômicas:
- Proeminência Frontal
- Alargamento da Base do Nariz
- Aumento dos Lábios
- Macroglossia
- Separação dos dentes
- Prognatismo
- Aumento dos Arcos Zigomáticos
- Aumento das extremidades, representado pela troca por um número maior do sapato e a aliança não caber mais no dedo.
Quadro Clínico
Devido aos níveis elevados do GH e do IGF1, os pacientes acometidos podem apresentar, além das alterações fisionômicas, várias complicações que, dependendo do tempo de evolução da doença, podem ser irreversíveis mesmo com o controle da Acromegalia.
- Artrite
- Artrose
- Parestesias
- Síndrome do Túnel do Carpo
- Perda do Campo Visual (pela compressão do tumor ao quiasma óptico)
- Hipertensão Arterial
- Diabete Mellitus
- Alteração da Voz
- Apneia do Sono
- Irregularidade Menstrual
- Amenorreia
Diagnóstico
O rastreamento da Acromegalia se dá pela dosagem sérica do IGF1. Mediante IGF1 acima do valor normal para idade e sexo o paciente deve ser encaminhado a um centro de referência.
Tratamento
É importante reforçar que a Acromegalia tem tratamento e, com a doença controlada, os indivíduos acometidos podem ter uma vida praticamente normal.
Como em quase 100% dos pacientes a causa da Acromegalia é um adenoma hipofisário produtor do hormônio de crescimento, o tratamento primário se dá por meio da cirurgia transesfenoidal.
Para os pacientes não controlados cirurgicamente existem as opções medicamentosas. Tanto as técnicas cirúrgicas como o tratamento medicamentoso evoluíram consideravelmente nos últimos anos, de maneira que, atualmente, a proporção de pacientes com a doença controlada é muito maior que algumas décadas atrás.
Existem praticamente três classes de medicamentos para tratar o paciente que não atingiu cura cirúrgica: os ligantes do receptor da somatostatina, os agonistas dopaminérgicos e os antagonistas do receptor do GH. Os dois primeiros estão disponíveis no SUS.
O seguimento e tratamento dos pacientes com Acromegalia devem ser realizados em centros de referência, por uma equipe multidisciplinar, envolvendo a participação de endocrinologistas, neurocirurgiões, neuropatologistas, radioterapeutas e enfermeiros, para suporte na aplicação do tratamento complementar à cirurgia.
O diagnóstico precoce, a cirurgia realizada por uma equipe experiente em cirurgia transfenoidal e o manejo num centro de referência vão permitir que grande parte dos pacientes tenha a doença controlada. Fato que tem contribuído para que a taxa de mortalidade nesta doença tenha diminuído nos últimos anos.
Consultoria: Departamento de Neuroendocrinologia da SBEM – Dr. Leandro Kasuki Jomori de Pinho (presidente), Dra. Andrea Glezer (vice-presidente) e os diretores: Dr. Manoel Ricardo Alves Martins, Dr. Heraldo Mendes Garmes, Dra. Vania dos Santos Nunes Nogueira, Dra. Paula Condé Lamparelli Elias e Dr. Guilherme Alcides Flôres Soares Rollin . Comissão de Campanhas – Dra. Mariana Guerra (presidente).
Referências
- Giustina A et al. Multidisciplinary management of acromegaly: A consensus. Rev Endocr Metab Disord. 2020 Dec;21(4):667-678.
- Giustina, A. et al. A consensus on the medical treatment of acromegaly. Nat. Rev. Endocrinol. 2014; (10): 243–248.