Com o início da COP 30, em Belém (PA), cresce o debate sobre como as mudanças climáticas e a poluição interferem não apenas no meio ambiente, mas também na saúde humana.
Um dos temas que provavelmente ganhará destaque e é motivo de preocupação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) é o impacto de diferentes substâncias químicas espalhadas pelo meio ambiente que interferem no equilíbrio hormonal da população. Estas substâncias são conhecidas como Desreguladores Endócrinos (DEs) e estão presentes em produtos de uso cotidiano, como plásticos, pesticidas, cosméticos, embalagens, entre outros.
Estudos epidemiológicos mostram que esses compostos podem estar relacionados á alterações na fertilidade, puberdade e ao aumento da prevalência de doenças como diabetes, obesidade e alguns tipos de câncer. A preocupação com os efeitos dos DEs no organismo vem sendo discutida há muito tempo pelos especialistas da SBEM, gerando documentos, publicações e a criação da Comissão de Endocrinologia Ambiental para intensificar e divulgar os conhecimentos científicos sobre o tema.
A exposição prolongada e o descarte inadequado dessas substâncias também comprometem ecossistemas, agravam o desequilíbrio climático e colocam em risco a biodiversidade.
“Quando falamos de Desreguladores Endócrinos, falamos também de poluição, mudanças no ecossistema e no clima. É uma ameaça silenciosa, mas global”, alerta a coordenadora da Comissão de Endocrinologia Ambiental da SBEM, Dra. Elaine Frade Costa.
Iniciativa Pioneira
A Comissão de Endocrinologia Ambiental foi uma iniciativa pioneira da SBEM (criada na gestão 2021-2022), que ampliou o olhar da Endocrinologia para além do consultório. Os especialistas têm como objetivo estudar e divulgar as relações entre fatores ambientais e distúrbios hormonais, promover a educação médica continuada, estimular a pesquisa e fortalecer o diálogo com outras áreas científicas e de políticas públicas.
A endocrinologia ambiental surge como uma nova fronteira da saúde, ao reconhecer que o meio ambiente e o sistema endócrino estão profundamente conectados.
A poluição do ar, o aquecimento global e a exposição a substâncias tóxicas interferem diretamente na fisiologia hormonal e, consequentemente, na saúde das populações. Essa abordagem amplia a atuação do endocrinologista, que passa também a contribuir na prevenção e na conscientização sobre os impactos ambientais.
Diga Não ao Bisfenol A
A preocupação da SBEM com o tema não é recente. Em 2010, a entidade se posicionou por meio de campanhas de conscientização, como a “Diga Não ao Bisfenol A”, que alertou a população e os profissionais de saúde sobre os riscos dessa substância presente em plásticos e embalagens. A campanha, iniciada pela SBEM São Paulo, ganhou o país e foi abraçada pela SBEM nacional.
A proposta mudou a forma como os endocrinologistas e a população passaram a olhar para o problema. Essas ações ajudaram a trazer o tema dos poluentes hormonais para o debate público e pavimentaram o caminho para a criação da comissão.
Com o Brasil sediando a COP 30, a discussão sobre o papel da Endocrinologia e Metabologia na sustentabilidade e na saúde ambiental ganha ainda mais relevância. A SBEM reforça que a saúde do planeta e a saúde humana caminham lado a lado.
“Discutir endocrinologia ambiental é também discutir o futuro do planeta. Cada ação de cuidado com o meio ambiente é uma ação de prevenção em saúde”, destaca a Dra. Elaine.
A Comissão é composta por: Dra. Elaine Maria Frade Costa (SP), coordenadora; e os membros Dra. Eveline Gadelha Pereira Fontenele (CE), Dra. Maria Tereza Nunes (SP), Dra. Caroline Serrano (SP) e Dr. Luiz Cláudio Castro (DF).