Em junho, a SBEM e suas Regionais, apoiadas pelos CRMs e demais entidades de classe, iniciaram um movimento para discutir sobre o uso abusivo de anabolizantes, que vem causando vários riscos à saúde da população.
O primeiro passo foi uma reunião e encontro entre especialistas da SBEM Paraná e o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), onde também se uniram várias especialidades – Endocrinologia, Ginecologia, Hepatologia, Urologia, Medicina do Esporte e Educação Física, além de representantes da OAB. O objetivo foi discutir o uso indevido de anabolizantes. Surge, na ocasião, a Carta de Curitiba.
Alguns dias depois foi a vez da Regional Rio Grande do Sul, e a Carta de Porto Alegre. Organizado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Famed/Ufrgs, HCPA, SBU e Unifesp, o Fórum ‘Esteroides Anabolizantes: Um problema de saúde pública’ debateu sobre o uso indiscriminado dessas substâncias.
As Cartas
Na Carta de Curitiba, os especialistas explicam que “esteroides anabolizantes, quando utilizados para ganho de performance ou estética, em doses, combinações e vias de administração inadequadas, podem causar danos significativos à saúde, incluindo problemas cardiovasculares, psiquiátricos, hepáticos e até morte”.
A iniciativa chama a atenção da população, imprensa e autoridades para uma união de esforços com o objetivo de minimizar o uso indevido de esteroides anabolizantes. “É crucial educar sobre os riscos do uso dessas substâncias, implementando campanhas de conscientização em escolas, academias e outras instituições. Esforços conjuntos com os educadores físicos na propagação, fiscalização e educação para a prática saudável de exercício físico, sem o uso de substâncias hormonais para ganho de massa muscular ou performance”.
A proposta dos debates é que novas adesões aconteçam, para que ações em conjunto possam pressionar as autoridades e alertar à população, em função do crescimento deste consumo sem evidências científicas.
Já o Fórum ‘Esteroides Anabolizantes: Um problema de saúde pública’ deu origem à Carta de Porto Alegre. Foi realizado no último dia 8 de julho e organizado pelo Cremers, Famed/Ufrgs, HCPA, SBU e Unifesp, e apoio da SBEM RS. O debate contou com palestra do professor da Unifesp e presidente do Departamento de Endocrinologia do Esporte e Exercício, Dr. Clayton Macedo, e a leitura da carta, pelo Dr. Rogério Friedman, associado da SBEM e diretor do DEEEx. Dra Cristiane Leitão, da SBEM e do HCPA, foi incansável na organização do evento.
Dr. Clayton reforça que existem muitas evidências, baseada em diretrizes e posicionamentos de sociedades científicas nacionais e internacionais, de que indicar hormônios anabolizantes para fins estéticos e esportivos não é seguro, bem como oferece riscos, muitas vezes não monitoráveis. “O uso desses produtos causa distúrbios psicológicos e prejudica cérebro, coração, rins, fígado, fertilidade e função hormonal, além de causar infecções e lesões musculares”, advertiu o especialista.
Alertas Importantes
Os documentos se propõem a levantar um alerta para um grave problema de saúde pública, que é o uso de esteroides anabolizantes e similares para fins estéticos e de performance.
Segundo os debates, e como vem sendo divulgado pela SBEM, a situação é preocupante e necessita de uma intervenção abrangente.
Somada às campanhas, que vêm sendo desenvolvidas há algum tempo pela SBEM, essa é mais uma ação para reforçar a necessidade de regulamentação e fiscalização rigorosa do comércio e uso de esteroides anabolizantes, com as autoridades intensificando a vigilância sobre a venda ilegal desses produtos.
Junto com a proposta, a SBEM amplia o apoio ao Programa #BombaTôFora, que aborda a questão como um problema de saúde pública. Ele também alerta para as publicações nas redes sociais que, muitas vezes, difundem terapias não comprovadas.
Entidades Apoiadoras
Assinam a Carta de Curitiba: SBEM, SBEM Regional Paraná, Conselho Regional de Medicina do Paraná, Febrasgo e Associação Obstetrícia e Ginecologia do Paraná, Sociedade Brasileira De Urologia- Secção Paraná, Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, Comissão de Saúde da OAB/PR, Conselho Regional de Educação Física do Paraná, Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), Sociedade Brasileira de Hepatologia – Regional Paraná.
A Carta de Porto Alegre é assinada por 16 entidades – entre conselhos profissionais, hospitais, associações e sociedades de especialidades. Cremers – Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul, FEBRASGO – Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, SBEM, SOCERGS – Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul, SBD-RS – Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul, SBU – Sociedade Brasileira de Urologia, SBD – Sociedade Brasileira de Diabetes, AP-RS – Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, ABESO – Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, OAB/RS – Ordem dos Advogados do Brasil do Rio Grande do Sul, Comissão Especial do Direito e da Saúde, SPRS – Comitê de Endocrinologia da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, UFCSPA – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, FAMED – Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Santa Casa de Porto Alegre.