O Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho – foi criado para conscientizar e inspirar ações globais em relação ao meio ambiente.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) aproveita esta data para alertar a população e os órgãos públicos sobre a influência de uma série de elementos que podem alterar a produção de hormônios: os chamados disruptores endócrinos.
A cada ano, a SBEM, por meio da Comissão de Endocrinologia Ambiental, define alguns tópicos para serem abordados e um dos elementos que merecem atenção são os ftalatos.
Mas o que são e como interferem no organismo?
O que são ftalatos?
São produtos químicos usados na fabricação de plásticos, produtos de cuidado pessoal como lenços umedecidos, hidratantes, protetores solares, além de esmaltes, perfumes e cosméticos.
São interferentes ou desreguladores endócrinos por seus efeitos estrogênicos e antiandrogênicos, interferindo na síntese e ação hormonal e no metabolismo.
As Alterações no Sistema Reprodutivo
A exposição acumulada aos ftalatos, em homens e particularmente em mulheres na idade fértil, está associada à disfunção reprodutiva e diminuição do interesse sexual.
Os efeitos dos ftalatos sobre os receptores de hormônios sexuais têm sido associados ao baixo peso ao nascer, alteração no desenvolvimento sexual em meninos (criptorquidia – descida incompleta do testículo – e hipospadia – posicionamento alterado do orifício uretral), puberdade precoce ou atrasada em meninas, puberdade atrasada e ginecomastia em meninos.
As Alterações Metabólicas
Os ftalatos podem interagir com os receptores que estão envolvidos com o metabolismo e a resposta imunológica e ao estresse, por mecanismos que envolvem redes regulatórias imunológicas e endócrinas mais complexas.
Ftalatos podem contribuir para obesidade por mecanismos que promovem a diferenciação de adipócitos e o acúmulo de lipídios.
Adicionalmente, os ftalatos têm sido implicados na desregulação da sinalização de insulina e aumento do estresse oxidativo, que pode levar à resistência insulínica.
Vários estudos têm demonstrado associação entre a exposição a ftalatos e componentes da Síndrome Metabólica, que inclui obesidade, resistência insulínica, dislipidemia e hipertensão, que são fatores de risco para doença cardiovascular.
As Fases da Vida e a Vulnerabilidade
Os efeitos da exposição aos contaminantes ambientais são proporcionalmente maiores nos indivíduos em desenvolvimento e com menor superfície corporal.
Assim, gestação, lactação, infância e adolescência correspondem aos períodos de maior vulnerabilidade.
Como evitar ou reduzir a exposição? É fundamental proteger os mais vulneráveis aplicando-se o princípio da cautela.
A SBEM recomenda a leitura dos rótulos antes de escolher o que consumir e ter cuidado particularmente com os cosméticos, embalagens e brinquedos plásticos, tintas, vernizes e esmaltes que inclusive devem ser mantidos fora do alcance de crianças. Na Europa, os ftalatos já foram banidos de brinquedos, artigos infantis e cosméticos.
Consultoria: Comissão de Endocrinologia Ambiental (CEA) – Dra. Elaine Maria Frade Costa (coordenadora) e os membros: Dra. Eveline Gadelha Pereira Fontenele, Dra. Maria Tereza Nunes, Dra. Caroline Serrano e Dr. Luiz Cláudio Castro.