Infertilidade e Poluição

relogio 31/03/2019 - 10:38 Cobertura de Eventos

A Dra. Elaine Frade Costa, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da SBEM Nacional, participou de uma das conferências de imprensa durante o Congresso da Endocrine Society, ENDO 2019, em Nova Orleans.

Segundo estudo apresentado pela a endocrinologista, a exposição a minúsculas partículas poluidoras do ar pode levar à redução da produção de esperma. "As taxas de infertilidade estão aumentando em todo o mundo, e a poluição do ar pode ser um dos principais fatores", disse a pesquisadora Elaine Frade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 15% da população mundial tenha dificuldades com a fertilidade, e a infertilidade masculina responde por cerca de metade desses problemas.

A pesquisa apresentada analisou o efeito do material particulado (PM) na produção de espermatozoides. PM é uma mistura de partículas sólidas e gotículas de líquido encontradas no ar e a PM2.5 é uma partícula inalável fina com diâmetros de 2,5 micrômetros ou menores e é conhecido por  influenciar  o sistema endócrino em humanos e animais,  que está envolvido na reprodução, incluindo a produção de espermatozoides.

O estudo incluiu quatro grupos de ratos, em que um deles foi exposto ao PM2.5 antes e depois do nascimento, desde o dia em que foram desmamados do leite materno até a idade adulta. O segundo grupo foi exposto apenas durante a gestação. O terceiro grupo foi exposto após o nascimento, desde o desmame até a idade adulta; e o quarto grupo foi exposto apenas ao ar filtrado durante a gestação e desde o momento em que foram desmamados até a idade adulta.

Os pesquisadores analisaram os testículos dos ratos e sua produção de espermatozoides e testes de DNA foram usados ​​para avaliar a expressão gênica, o processo pelo qual os genes no DNA fornecem instruções para as proteínas.

Os tubos nos testículos que produzem esperma de todos os ratos expostos mostraram sinais de deterioração. Em comparação com os camundongos não expostos ao PM2.5, o esperma do primeiro grupo, exposto antes e após o nascimento, teve uma qualidade significativamente pior.

A exposição ao PM2.5 levou a alterações nos níveis de genes relacionados à função das células testiculares. A exposição ao PM2.5 após o nascimento parece ser a mais prejudicial para a função testicular, segundo o estudo.

A Dra. Elaine disse durante a apresentação que essas mudanças são epigenéticas, o que significa que elas não são causadas por mudanças na sequência do DNA. Mudanças epigenéticas podem ativar ou desativar genes e determinar quais proteínas um gene expressa.

A pesquisa demonstra pela primeira vez que a exposição à poluição do ar de uma cidade grande prejudica a produção de espermatozoides através da epigenética, principalmente na exposição após o nascimento, disse Costa. "Essas descobertas fornecem mais evidências de que os governos precisam implementar políticas públicas para controlar a poluição do ar nas grandes cidades", disse ela.

 

* Os temas publicados foram alguns dos selecionados pela Endocrine Society para serem apresentados à imprensa internacional.

 

cbaem 2019
Proendocrino set 2018