EndoRecife 2014: Bisfenol A

relogio 06/06/2014 - 20:37 Eventos Médicos

EndoRecife 2014 - de 5 a 7 de junho - Press Release:

O bisfenol A (BPA) é um composto químico prejudicial à saúde encontrado em plásticos produzidos a partir do policarbonato, e também em revestimentos internos de latas que condicionam alimentos. A substância, apesar de proibida em mamadeiras desde o ano de 2012, está presente na maioria dos utensílios de plástico. A exposição ao composto, que é responsável por desregular o sistema endócrino, pode causar sérios danos à saúde, principalmente em fetos e crianças.

​A abordagem foi feita, nesta sexta-feira (06/06), pela especialista Thereza Selma Lins, durante uma palestra no EndoRecife, congresso que acontece até sábado (07/06), no Summerville Resort, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. 

Thereza, que chefia a endócrino-pediatria do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP, alerta que as restrições sobre o uso do composto ainda são brandas, pois os fabricantes de materiais plásticos alegam que os testes ainda são primários. “É importante conscientizar a população sobre o uso dessa substância”, completou. A especialista alerta que no corpo humano o BPA se comporta semelhante ao estrógeno (hormônio feminino), interferindo no funcionamento de algumas glândulas endócrinas. 

De acordo com a endocrinologista, o composto é facilmente liberado quando sofre alguma mudança de temperatura. “Quando você aquece um alimento que está em um estojo de plástico libera a substância”, contextualizou Thereza. Além de prejudicar crianças, pois estão em fase de desenvolvimento, o composto químico também agride o organismo adulto. Os estudos ainda não são concretos, pois os testes só foram feitos em animais. Mas é possível relacionar a substância com a infertilidade, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, alterações no fígado, além de alguns tipos de câncer, considerando os estudos com animais. 

Na ausência de legislação, a orientação dos especialistas é evitar o uso de produtos que contenham a substância. A dica é realizar uma leitura apurada dos rótulos dos produtos consumidos pela família. “É importante consumir apenas produtos que não utilizem essa substância”, esclarece Thereza, lembrando que os plásticos que contém o composto são sinalizados com o número sete (no rótulo). 

Mito – Ainda durante sua explanação no 17ª edição do EndoRecife, Thereza ​Selma Lins aproveitou para desmistificar a presença de hormônios nos frangos produzidos para o consumo. “Além de ser proibido por Lei, ainda é inviável para os produtores acrescentar algum tipo de hormônio na dieta do frango, pois o animal está pronto para o abate em apenas 45 dias”, explicou a médica, aproveitando para alertar sobre a presença de hormônios na carne bovina. “A fiscalização mais intensa acontece na carne que segue para exportação, mas a que é destinada ao mercado interno dificilmente é fiscalizada”, finalizou. 

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