CBEM 2014: Emagrecer com ou sem Atividade Física?

relogio 06/09/2014 - 17:14 Congresso Nacional

Já é de conhecimento geral, entre os médicos, que a redução de 5 a 10% do peso, em pacientes obesos, melhora os índices do indivíduo e reverte o percentual de morbidade do mesmo. Sabe-se também que a fórmula mais indicada e segura para o emagrecimento sustentável é a combinação de dieta (reeducação alimentar) com adoção de uma prática de atividade física constante. Mas como fazer para prescrever a atividade física aos obesos? E, ainda, o que é eficaz nesses pacientes e como garantir que eles atenderão às recomendações médicas? Para falar sobre isso, o Dr. Rogério Friedman, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi um dos convidados do Simpósio “Alimentação, Atividade Física e Balanço Energético”, que aconteceu na manhã do dia 6 de setembro, durante o 31º CBEM.

Segundo o Dr. Rogério, quanto mais ativa é a pessoa, menor a possibilidade de ela ter eventos cardiovasculares. Além disso, em relação à perda de peso, a duração e frequência do exercício são mais importantes do que a intensidade do mesmo. É importante ressaltar que, em todas as pesquisas, o exercício tem resposta variável dependendo das características do indivíduo. Homens, por exemplo, possuem respostas visíveis mais rapidamente, assim como indivíduos mais velhos.

Falando sobre a eficácia do exercício na promoção da perda de peso, o especialista afirmou que os efeitos da atividade física isolada são minimizados em comparação com uma dieta isolada. Nos obesos, somente o exercício físico proporciona uma perda de 200g por semana e os efeitos notáveis são apenas identificados cerca de dois meses depois. Contudo, o exercício é útil pois, de cara, aumenta o gasto energético. Ele também facilita a aderência á dieta, otimiza a mobilização de reservas na forma de gordura, melhora autoestima e o bem-estar e é fundamental para a manutenção do peso após a perda. “Uma dieta de 1000 calorias por dia, em uma pessoa com 100kg, equivale a 4 horas diárias de caminhada”, completou o especialista.

“Embora nem sempre o exercício ajude o paciente obeso a emagrecer, o indivíduo que adere à atividade física tem maior probabilidade de aderir a um estilo de vida mais saudável e, consequentemente, emagrecerá com mais qualidade”, disse ele. Então...

O que se recomenda para o obeso?

Levando em conta que o paciente obeso tem mais dificuldade em iniciar uma atividade e, principalmente, em dar sequencia a ela, é preciso avaliar caso a caso e planejar junto com o paciente. É necessário identificar qual exercício a pessoa gosta ou de qual desgosta menos para que a adesão seja mais proveitosa.

O Dr. Rogério listou as seguintes dicas:

  • uma caminhada diária, com o objetivo de atingir um gasto calórico de 60 a 200 kcal por hora;
  • 3 horas de qualquer atividade diária em pé, ao invés de sentado, aumenta o gasto energético entre 25 e 75%;
  • atividades físicas em casa podem ser mais proveitosas (inicialmente) do que em lugares externos, como academias, pois muitas vezes o paciente tem vergonha de frequentá-los;
  • o contato profissional deve ser frequente com o objetivo de estimular e motivar o paciente;
  • nestes casos, deve-se optar por exercícios informais de baixa resistência e de intensidade baixa a moderada.

“Tem que monitorar sempre. Perguntar se ele está fazendo alguma atividade, qual e com que frequência. 150 minutos por semana de atividade aeróbica, somada a uma atividade de resistência duas vezes na semana deve ser o mínimo esperado. Além disso, é preciso lembrar que alongar, aquecer e desaquecer faz parte do tratamento”, finalizou.

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