Anorexígenos X Anvisa: Balanço

relogio 10/03/2011 - 08:42
No dia 23 de fevereiro, entidades médicas e membros da Anvisa discutiram a proposta da agência de retirada de mercado de medicamentos anorexígenos. A reunião tomou como base nota técnica, divulgada no site da Anvisa, com o parecer da área de Farmacovigilância da Agência sobre o tema. Na lista dos que podem ser suspensos estão os à base de sibutramina e os anorexígenos anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol).

Para a presidente da ABESO, Dra. Rosana Radominski, endocrinologistas apresentaram dados irrefutáveis de que os medicamentos são eficazes e apresentam baixo risco, quando utilizados de forma correta e sob prescrição ética. “Baseados em dados científicos revelamos que o documento utilizado pela Anvisa como referência para a recomendação da suspensão do registro dos medicamentos continha erros graves, e interpretações tendenciosas de estudos publicados sobre o assunto. Diante deste cenário, depois de mais de cinco horas de reunião, Anvisa recuou de seu propósito inicial”, afirma. “Espera-se que, a partir de agora, as decisões tomadas não sejam mais unilaterais e que seus técnicos admitam que também erram. A revisão de uma decisão não pode ser vista como derrota e sim como uma medida de bom senso, humildade e sabedoria”, completa a especialista.

De acordo com o diretor presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, a discussão deve continuar e os argumentos apresentados na audiência serão analisados nas próximas reuniões da Diretoria Colegiada da Agência, sem prazo para definição do assunto. No encontro, ele afirmou ainda que o Estado tem o dever de garantir à população a segurança e a eficácia dos medicamentos que têm sua chancela para estar no mercado.

Segundo Dr. Ricardo Meirelles, que representou a SBEM e a AMB na audiência, os endocrinologistas devem ser consultados e convidados a participarem de todas as discussões a respeito do tema. “Esperamos que essa reunião seja apenas a inauguração dos debates e esperamos que a Anvisa esteja cada vez mais perto das sociedades médicas, uma vez que somos nós que lidamos no dia a dia com o paciente. Nos colocamos à disposição da Agência para contribuir com a decisão. Discordamos da forma unilateral como foram conduzidas as discussões prévias deste tema, uma vez que a comunidade científica, a que mais lida diretamente com o tema obesidade, foi excluída dos debates”, completou.