CBAEM 2017

Anorexia Nervosa: um Transtorno Psicológico

A maioria das novelas e séries da TV apresenta histórias que englobam problemas do cotidiano do seu público-alvo. A anorexia é um deles, assim como a bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar periódica.

A Anorexia Nervosa manifesta-se geralmente nas mulheres. Mesmo magra, acredita estar gorda. Quem sofre desse transtorno passa a ter uma obsessão por emagrecer e acaba se privando de determinados alimentos. A pessoa deixa de se alimentar e passa a praticar exercícios físicos em excesso. Assim, acaba emagrecendo muito e ficando abaixo do que é estabelecido como normal nas taxas de IMC (Índice de Massa Corporal). A CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) identifica como pessoa com anorexia, aquela que apresenta um IMC igual ou inferior a 17,5 kg/m 2.

Sintomas e Possíveis Causas

Muitas vezes, a anorexia – ou outros distúrbios alimentares – surge quando se passa por momentos conturbados, como separação, perda de emprego, perda de um parente, mudança de cidade. Isso não quer dizer que sejam a causa da anorexia, mas, sim, que são facilitadores do aparecimento do transtorno.

No início, os sintomas são pouco perceptíveis, pois o anoréxico finge estar se alimentando e chega a usar roupas largas. Qualquer ganho de peso apavora e gera angústia. Assim como a anorexia, a bulimia também é um transtorno que leva à obsessão pela magreza. Porém, nesses casos, ela provoca refluxos. O anoréxico se recusa a comer, mas não por falta de apetite. Já quem é acometido pela bulimia come, mas procura "se livrar" da comida, vomitando ou tomando laxantes e diuréticos como uma forma de punição por não conseguir ficar sem comer.

Quando o distúrbio atinge um estágio mais avançado, a pessoa, mesmo estando muito abaixo do peso normal, com os ossos à mostra, ainda se acha gorda e quer emagrecer mais. Este tipo de transtorno costuma estar ligado à depressão e também provoca reações no organismo e nas funções fisiológicas, como interrupção do ciclo menstrual.

As Complicações

A anorexia nervosa apresenta a maior taxa de mortalidade ao ano, dentro de todos os transtornos psiquiátricos. As causas destes óbitos vão desde inanição a suicídio por depressão.

Geralmente, o paciente com anorexia não percebe o problema, pois acha ser normal querer controlar a alimentação. E, apesar de amigos e familiares insistirem em dizer que está magro(a) demais e que deve se alimentar melhor, o(a) paciente nega a informação e se preocupa em como emagrecer ainda mais. Além disso, na maioria das vezes recusa-se a procurar um especialista.

Outra situação bastante comum, também mostrada na novela da TV, é que as pessoas em volta demoram a perceber o problema, na maioria das vezes por falta de conhecimento do assunto.

Existem vários sites, comunidades e blogs (diários pessoais) na internet que apresentam informações sobre os grupos pró-annas, forma “carinhosa” de chamar a pessoa com anorexia. Estes grupos mantêm informações sobre como agir em caso de fome, como enganar os pais e outras dicas que preocupam médicos e familiares.

O Tratamento

O primeiro passo para que haja um tratamento eficaz é, quando identificados os sintomas, procurar um médico para fazer o diagnóstico. É importante que a pessoa com anorexia queira se tratar e entenda que o bom resultado do tratamento dependerá principalmente dela: de sua força de vontade, compreensão e colaboração com os profissionais que estiverem cuidando de sua melhora física e psicológica. Geralmente são condições clínicas de longa duração.

De acordo com o endocrinologista José Carlos Appolinário, a anorexia nervosa pode levar à morte e o diagnóstico precoce é a melhor forma de tratar. “O reconhecimento precoce de comportamentos alimentares inadequados, pressão exagerada para emagrecer, exercícios físicos excessivos, episódios de compulsão alimentar e métodos purgativos (vômitos auto-induzidos, abuso de laxativos e remédios para emagrecer) pode sugerir um diagnóstico de transtorno alimentar”.

Em alguns casos, é indicada a internação. Porém, depende do tipo de transtorno. Na anorexia nervosa, a perda rápida de peso, mesmo com tratamento adequado, é um critério sugestivo de necessidade de internação. No caso da bulimia nervosa, a necessidade de internação existe quando os episódios são incontroláveis.

Aos parentes e amigos, é sempre indicado dar apoio e aprender a lidar com as dificuldades que geralmente envolvem o tratamento continuado. É importante, também, que se mantenham informados e se mostrem atentos ao tratamento.

Atendimento no Rio de Janeiro

O Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), localizado no Centro do Rio de Janeiro, possui um serviço especializado em transtornos alimentares. O atendimento é coordenado pelos doutores Walmir Coutinho (endocrinologista) e José Carlos Appolinário (Psiconeuroendocrinologista) e funciona com hora marcada.

Segundo o Dr. Walmir Coutinho, a incidência de pacientes, tanto com bulimia quanto com anorexia, têm crescido bastante, principalmente entre as mulheres, devido a um certo conceito estipulado pela moda. “O tratamento é extremamente difícil, trabalhoso e demorado. Envolve a participação de diversos profissionais da saúde (nutricionistas, psicólogos, enfermeiros, médicos etc) e pode incluir internação”.

O Dr. Walmir criou um site intitulado Enciclopédia do Emagrecimento, que conta com 12 capítulos sobre os distúrbios no peso, transtornos alimentares e dificuldades de emagrecer. Além disso, a página - que funciona desde 2001 - apresenta dados estatísticos e um teste para detecção de transtorno alimentar. Apesar de conter dicas, a recomendação é de que nenhum tratamento seja iniciado sem a consulta e o diagnóstico prévio de um médico.

Grupo Terapêutico em São Paulo

A Clínica de Endocrinologia do Hospital Real Beneficência Portuguesa de São Paulo é referência no atendimento de pacientes com transtornos alimentares, na cidade. A psicóloga Dra. Silvana Martani atende os pacientes da clínica há 20 anos. Atualmente, a clínica possui um cadastro de mais de 4.000 pacientes.

Há alguns anos, a Dra. Silvana encabeça o grupo de Terapia Multidisciplinar em Transtornos Alimentares e suas Especificidades. Até então, existiam grupos apenas para pessoas com obesidade. Devido ao número crescente de pessoas com anorexia e bulimia, a partir deste ano serão realizados grupos de terapia também para estes pacientes. Segundo a especialista, é um movimento para trazer pessoas de fora para a clínica. “É uma oportunidade da pessoa olhar honestamente para o seu problema e se cuidar, com o apoio de uma equipe multidisciplinar e outras pessoas com o mesmo problema que o seu”.

Um grupo terapêutico, com reuniões semanais de uma hora e quinze minutos, será formado para cada um dos três transtornos alimentares. Cada um será formado por oito pacientes e acompanhado pela Dra. Silvana e por uma nutricionista, Lúcia Gamarano. Uma vez por mês será convidado um outro especialista, de acordo com a necessidade principal do grupo. Os interessados devem se inscrever por telefone (11- 3283-5589). Este serviço é particular, porém, com duração indeterminada. “Nós vamos ficar com as pessoas até que elas resolvam o seu problema. Como foi com o grupo anterior de obesidade. Geralmente, estes grupos têm a duração de um ano”, informou.

 

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