Adolescentes, Obesidade e Síndrome Metabólica

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Adolescentes, Obesidade e Síndrome Metabólica

por site em 15 de abril de 2021


Pela segunda vez na história dos congressos da Endocrine Society, uma brasileira foi convidada para integrar os médicos convidados para as coletivas de imprensa, que aconteceram durante o ENDO 2019. As press conferences são realizadas simultaneamente às palestras da programação científica do evento, onde participam apenas jornalistas na área de saúde. A Endocrine Society seleciona temas, considerados relevantes para o público e comunidade médica.

Em uma das apresentações, a pesquisadora Beatriz Schaan, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, apresentou os resultados de uma pesquisa com adolescentes e os hábitos de vida. Ela explicou que segundo os dados adolescentes, que ficam horas assistindo TV, usando o computador ou jogando videogames enquanto comem lanches não saudáveis ​​correm maior risco para um grupo de fatores de risco para doenças cardíacas e diabetes

O estudo descobriu que esses adolescentes correm o risco de desenvolver Síndrome Metabólica – um conjunto de fatores de risco incluindo aumento da pressão arterial, açúcar elevado no sangue, excesso de gordura corporal e níveis anormais de colesterol ou triglicérides – que elevam o risco de doença cardíaca e diabetes. A Síndrome Metabólica afeta quase 25% da população adulta e aproximadamente 5,4% das crianças e adolescentes nos Estados Unidos.

endocrine society

A Dra. Schaan enfatizou que enquanto não é possível limitar o tempo de permanência dos adolescentes na frente das telas de computadores e tvs, é importante evitar o consumo de salgadinhos para ajudar a reduzir o risco de Síndrome Metabólica.

A pesquisa foi parte do Estudo sobre Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), uma pesquisa nacional de adolescentes brasileiros. O estudo incluiu dados de 33.900 adolescentes de 12 a 17 anos. Os pesquisadores mediram a cintura e a pressão sanguínea dos adolescentes e coletaram amostras de sangue para medir a glicose no sangue, o colesterol HDL e os triglicerídeos. Quase 60% dos adolescentes eram do sexo feminino e a idade média era de 14,6 anos. Metade dos adolescentes era fisicamente ativa; 85% disseram que costumam comer lanches em frente à TV, enquanto 64 por cento costumavam comer lanches enquanto usavam o computador ou jogavam videogames.

Os pesquisadores descobriram que 2,5% dos adolescentes tinham Síndrome Metabólica. Aqueles que passaram seis ou mais horas por dia na frente de telas foram 71% mais propensos a ter Síndrome Metabólica em comparação com aqueles que passaram menos tempo na frente das telas. No entanto, o risco aumentado foi visto apenas naqueles que relataram comer lanches na frente das telas.

Ainda os resultados demonstraram que não houve associação entre o tempo de tela e a Síndrome Metabólica entre os adolescentes que relataram não consumirem nenhum lanche enquanto estavam na frente dos computadores e televisões. Entre os adolescentes que contaram que lanchavam regularmente diante da TV ou do computador, o risco aumentou.

“Como vivemos cercados por telas, especialmente jovens, às vezes não é possível eliminar ou reduzir esse tempo”, disse Schaan. “Nestes casos, evitar o consumo de salgadinhos pode ser mais fácil, além de tentar diminuir o tempo dos adolescentes em frente aos equipamentos e às tvs”, disse a médica