Certificados do CBEM 2026 estão disponíveis e marcam o encerramento oficial do Congresso

Os certificados de participação e das atividades realizadas durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026) estão disponíveis para consulta e emissão.

Participantes, palestrantes, coordenadores e demais profissionais que integraram a programação do Congresso podem acessar seus certificados pela plataforma oficial do evento.

Link para os certificados

A entrega dos certificados marca o encerramento do CBEM 2026, um Congresso que veio coroar o ano de comemorações pelos 75 anos da SBEM.

Um Congresso se mede, não só pelo volume de pessoas que ele reúne, mas também e, principalmente, pelo que essas pessoas produziram para chegar lá. Nesse sentido, os números do 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), encerrado no dia 29 de agosto no Rio de Janeiro, apontam para o sucesso: 749 trabalhos científicos submetidos, 528 aprovados, avaliados por mais de 150 pesquisadores sob coordenação do Dr. Sérgio Maeda. É uma produção que não cabe em um único eixo temático. Foram premiados especialistas que estudaram desde a genética do aldosteronismo primário até o perfil imunobiológico de tumores hipofisários, passando por câncer adrenocortical pediátrico e Síndrome de Cushing rara.

Essa amplitude apareceu também na programação: foram 74 mesas, 14 conferências, 12 debates, sete salas simultâneas rodando ao longo de quatro dias e mais de 3.300 inscritos, sendo 70% deles mulheres, segundo o presidente do Congresso, Dr. Rodrigo Moreira. Uma realidade estatística da especialidade que é acompanhada de perto pela SBEM. Destaque para as mesas da Capes e da Fapesp e para o Fórum Interativo “O papel da mulher na saúde e liderança”.

Foram 12 oficinas práticas distribuídas entre imagem em neuroendócrino e adrenal, ultrassonografia na avaliação da pessoa com obesidade e sexualidade na prática clínica, enquanto mesas de abertura trataram de doenças adrenais na gestação, paratireoide e regulação do cálcio, e uma trilha inteira dedicada à endocrinologia do exercício de biomecânica a inteligência artificial aplicada ao esporte.

É o tipo de grade que explica por que a cobertura da SBEM nas redes atingiu patamares de visualização recorde, com espaço para diabetes tipo 5, risco cardiovascular em pessoas trans, osteoporose em homens e uso de estatina após os 70 anos, sinal de que o debate saiu do consultório de obesidade, historicamente relevante nesses canais, e ocupou toda a clínica endocrinológica e metabólica.

Dentro dessa grade, um dado concreto se destacou: o endocrinologista Dr. Marcello Bertoluci apresentou, no primeiro dia, evidências de que os agonistas do receptor de GLP-1, combinados a fármacos que reduzem a sobrecarga cardíaca, ajudam a prevenir insuficiência cardíaca em pacientes com obesidade, quadro que, segundo ele, costuma passar despercebido por se manifestar como fadiga inespecífica. A nova diretriz brasileira sobre doença hepática gordurosa metabólica (MASLD), tema represado havia anos, também ganhou mesa própria.

Um momento simbólico do Congresso: pela primeira vez na história da entidade, o Conselho Federal de Medicina (CFM) ocupou um espaço fixo dentro do estande da SBEM. Essa participação, ao lado da mesa com a Anvisa, foi, nas palavras do presidente da SBEM, Dr. Neuton Dornelas, um importante gesto de peso político em um momento que ele descreveu sem meias palavras: “Estamos vivendo um ataque à especialidade. O CFM, que é o órgão que fiscaliza, tem de estar onde ele deve estar. Estando dentro da SBEM traz outro conceito, que é a transparência, a ética por trazer quem fiscaliza para perto de nós, por termos a segurança do trabalho que é feito dentro da SBEM. Um momento histórico dentro dos nossos Congressos.”

O evento também marcou as eleições para a diretoria da SBEM do biênio 2027/2028, mandato que a Dra. Karen de Marca, já eleita presidente (cargo previsto no estatuto da entidade, que antecede a posse efetiva), assumirá em janeiro de 2027, ao lado da nova diretoria. Nessa mesma eleição, ficou definido o novo presidente-eleito da SBEM para o biênio seguinte, 2029/2030, o Dr. Clayton Macedo.

E a produção científica premiada reforçou a leitura de que a especialidade está pesquisando em várias frentes ao mesmo tempo: a Dra. Isabela Nardo levou o 1º lugar na Área Básica-Translacional com um estudo sobre Síndrome de Cushing por hiperplasia adrenal micronodular pigmentada primária; o Prêmio AE&M Professor Thales Martins, da revista científica da SBEM, foi para o Dr. Leonardo Maeda, por pesquisa sobre heterogeneidade genética no aldosteronismo primário em populações pouco estudadas.  O Prêmio Waldemar Berardinelli foi o Dr. José Gustavo Olijnyk com o trabalho “Epidemiological trends of adrenalectomies in Brazil: A cohort-based study of the Brazilian public health system”.

A SBEM também entregou suas premiações institucionais mais tradicionais — os prêmios Dr. Luiz Cesar Póvoa, Dr. José Dantas de Souza Leite, Dr. Antonio Barros de Ulhôa Cintra e Dr. José Schermann —, reconhecendo trajetórias em pesquisa, ensino e fortalecimento da entidade.

A presidente da Comissão Científica, Dra. Marise Lazaretti Castro, resumiu o esforço por trás disso tudo: “Realmente foi grandioso, com recorde de palestrantes de diversos países e sociedades científicas. Momento de agradecer a todo o time de colegas que participaram da construção desse evento. Se não fossem vocês, o CBEM não existiria. Mais de 150 avaliadores para 700 temas livres, com uma condução idônea e ética do Dr. Sérgio Maeda. Agradecimento aos coordenadores do encontro das Ligas, funcionários da SBEM que trabalham com paixão, além dos nossos fornecedores apaixonados pela Sociedade. Obrigada também ao Dr. Rodrigo Moreira e a toda a comissão executiva”. Agradecimento à nossa diretoria.”

Já o presidente da SBEM Rio, Dr. Paulo Lacativa, fechou com um recado direto aos congressistas: “Pensamos muito em atividades para vocês e sempre mandem as opiniões para cada vez mais melhorarmos. Que tenham um retorno tranquilo para suas casas com mais Endocrinologia, mais ciência e cada vez mais ética.”

O próximo capítulo já tem data e sede, anunciou o Dr. Neuton Dornelas, ainda no palco de encerramento. “Em 2027, de 3 a 6 de setembro, será a vez de Brasília, no CBAEM 2027, na presidência do Dr. Luciano Zakir, e tenho certeza que vamos nos esforçar para fazer mais um grande evento. Onde a SBEM vai, ela está em casa.”

O volume e a diversidade das pesquisas deste CBEM são um indicativo de que a régua para o CBAEM 2027 já está super alta!

*Texto, avaliação e análise feita pela SBEM.