Painel de Obesidade no CBEM 2026: Só Penso em Comida: Food Noise ou o quê?

O painel “Só penso em comida: Food noise ou o quê?”, realizado durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM 2026), reuniu especialistas para discutir diferentes aspectos da obesidade, desde a neurobiologia e os transtornos alimentares até novas estratégias de avaliação e tratamento. A sessão foi moderada pela Dra. Cintia Cercato e pelo Dr. Mario José Abdal.

Questões como neurobiologia e manejo na prática clínica, transtorno de compulsão alimentar, uso de escala de comportamento alimentar no tratamento e obesidade, cérebro e recompensa: novas fronteiras terapêuticas foram os tópicos apresentados durante a sessão.

A Dra. Simone Van de Sande Lee, uma das palestrantes da sessão, explicou que esse cenário ainda é pouco estudado e não se refere à doença ou um diagnóstico, mas sim um conceito abstrato de fenômenos mentais ou comportamentais, descrito a partir de relatos clínicos. “Não é sinônimo de fome, craving ou compulsão. Está mais próximo de um fenômeno de ruminação cognitiva com conteúdo alimentar.”

Na discussão sobre transtornos alimentares, apresentada pela Dra. Maria Fernanda Freitas Ferreira Moreira, foram destacados que há alguns agentes farmacológicos conhecidos que ainda estão sendo estudados pela FDA para o tratamento dos TAs, como o GLP-1. A médica reforçou que é fundamental ter atenção aos sintomas dos TAs e o uso dessa medicação considerando os riscos e benefícios para os pacientes, assim como a importância da colaboração multidisciplinar no acompanhamento.

Sobre o uso da escala de comportamento alimentar, a Dra. Andressa Heimbecher Soares reforçou a importância das ferramentas de fenotipagem, como a pesquisa do EFCA. Essas pesquisas, segundo ela, permitem categorizar o paciente em subescalas, refletindo diferentes subfenótipos de comportamentos alimentares e podem enriquecer a anamnese, além de auxiliar na definição de estratégias de sequência ou combinação farmacológica após a primeira linha, à medida que novas evidências surgirem.

Fechando o painel, o Dr. Lício Augusto Velloso destacou a relação hipotálamo e obesidade e o presente e futuro do tratamento farmacológico. Ele esclareceu que há defeitos estruturais e funcionais no hipotálamo, tanto de adultos como de crianças. De acordo com o especialista, atualmente o foco é na redução da ingestão alimentar e na melhora parcial dos efeitos colaterais. Já as perspectivas futuras, o aumento do gasto energético, a ausência de efeitos adversos gastrointestinais e uso oral.