Antidopagem: Atualização Constante dos Especialistas em Endocrinologia e Metabologia

A atualização das regras de antidopagem e a responsabilidade dos profissionais de saúde na proteção da integridade do esporte foram o foco de uma das sessões do Endocopa 2026, promovido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), por meio do Departamento de Endocrinologia do Esporte e Exercício. A coordenação do DEEEx é da Dra. Andrea Fioretti.

A atividade contou com a participação do convidado especial, o Dr. Fernando Solera, que é médico DCO da FIFA e da CBF. O membro do DCO (Doping Control Officer) é o profissional credenciado para garantir que o futebol permaneça limpo e justo.

O Dr. Solera ressaltou que a dopagem não se resume ao uso de substâncias para aumentar o rendimento esportivo. De acordo com a definição da Agência Mundial Antidopagem (WADA), o doping engloba a ocorrência de uma ou mais das 11 violações às regras antidopagem previstas no Código Mundial Antidopagem, ampliando a importância da compreensão sobre o tema. Na foto, o Dr. Rogério Friedman coordenando o debate com o Dr. Solera.

Responsabilidade da Equipe de Apoio

O Dr. Solera chamou a atenção para um ponto muitas vezes desconhecido pelos profissionais de saúde. Todos os médicos, fisioterapeutas, preparadores físicos e integrantes da equipe multidisciplinar são considerados “pessoal de apoio” ao atleta. “Dessa forma, também podem ser responsabilizados por infrações às regras antidopagem”, reforçou o médico.

Ele ressaltou que as mudanças recentes da WADA ampliaram o foco das investigações, que deixam de atingir apenas o atleta flagrado e passam a incluir todos aqueles que eventualmente participaram do processo.

Substâncias Proibidas e Responsabilidade Médica

Entre as principais violações, mencionadas nos debates, está a simples presença de uma substância proibida. O Dr. Solera apresentou exemplos de medicamentos e hormônios que jamais deveriam estar disponíveis em um departamento médico esportivo, reforçando que o profissional deve sempre consultar a lista oficial de substâncias proibidas antes de qualquer prescrição.

Também alertou para a necessidade de verificar se algum atleta está cumprindo suspensão por doping e mostrou uma lista de médicos suspensos por participação em casos de dopagem, informação que está disponível publicamente pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

Outro destaque foi a obrigação imposta pela WADA para que todo o pessoal de apoio participe de atividades de educação e atualização sobre antidopagem. Segundo ele, conhecer as regras é parte essencial da prática médica no esporte.

Lista de Substâncias Proibidas

O especialista explicou que a WADA publica, anualmente, a Lista de Substâncias e Métodos Proibidos, documento que deve fazer parte da rotina de consulta dos profissionais que atendem atletas.

Muitos medicamentos de uso comum podem representar risco dependendo da via de administração, da dose ou do momento em que são utilizados.

Corticoides Exigem Atenção

Em relação ao uso dos corticoides. O Dr. Solera explicou que:

  • O uso sistêmico (oral ou injetável) é proibido durante competições;
  • Aplicações tópicas, oftalmológicas e pela pele são permitidas;
  • O conceito de “em competição” corresponde ao período que começa às 23h59 do dia anterior ao evento esportivo e termina após a coleta final do controle de dopagem.

Ele também destacou a importância de respeitar o chamado período de ‘lavagem’, que é o intervalo necessário para que determinadas substâncias deixem de ser detectadas no organismo.

Controle da Dor

Ao abordar o tratamento da dor, o médico explicou que:

  • o tramadol passou a integrar a lista de substâncias proibidas;
  • opioides como a morfina permanecem proibidos;
  • medicamentos à base de codeína continuam permitidos dentro das regras vigentes.

Segundo ele, essa mudança ocorreu após evidências do uso do tramadol para aumentar a capacidade de treinamento em modalidades de endurance, como o ciclismo.

Medicamentos para Obesidade

Ao comentar sobre o uso dos agonistas do GLP-1, para o tratamento da obesidade, o Dr. Solera esclareceu que esses fármacos não estão proibidos atualmente. Eles integram apenas a lista de monitoramento da WADA, o que significa que seu uso está sendo acompanhado para avaliação de possíveis impactos futuros sobre o esporte.

Mensagem para levar para casa: a prevenção continua sendo a principal ferramenta da antidopagem. O conhecimento atualizado das normas, a consulta permanente à lista de substâncias proibidas e a educação continuada dos profissionais de saúde são fundamentais para proteger a carreira dos atletas e garantir a integridade do esporte.