Anualmente, os dados sobre o Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) são divulgados para entender as tendências de doenças crônicas não transmissíveis.
Os dados mais recentes do Vigitel 2025, apresentados no fim de janeiro de 2026, confirmaram a tendência de crescimento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil e acendem um sinal de alerta para a saúde pública, em especial no que se refere à obesidade, ao diabetes e à hipertensão arterial.
Diversos indicadores são muito preocupantes, como a prevalência de excesso de peso em adultos, que aumentou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. Outro indicador preocupante é do diabetes, cujo percentual de adultos com diagnóstico médico autorreferido subiu de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. Por outro lado, é importante destacar que a prática da atividade física, de pelo menos 150 minutos semanais, aumentou de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024.


Para a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), os resultados reforçam a necessidade de fortalecer estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral das doenças metabólicas, além de ampliar ações de promoção de hábitos de vida saudáveis. Por outro lado, índices apontam que campanhas e mensagens de incentivo à prática da atividade física estão dando resultados.

O Vigitel
O levantamento, realizado pelo Ministério da Saúde em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal, monitora há quase 20 anos fatores de risco e de proteção relacionados ao estilo de vida da população adulta, sendo uma das principais ferramentas de vigilância em saúde do país.
Os dados são baseados em entrevistas telefônicas com adultos a partir de 18 anos e reúnem informações autorreferidas sobre condições de saúde, hábitos alimentares, prática de atividade física, consumo de bebidas açucaradas, diagnóstico médico de doenças crônicas e, mais recentemente, aspectos relacionados ao sono. A análise histórica desses dados permite identificar tendências consistentes e orientar políticas públicas de promoção da saúde e prevenção de agravos.
Entre os principais indicadores apresentados, destacam-se:
- Excesso de peso: a prevalência em adultos aumentou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024.
- Obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²): passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, evidenciando crescimento expressivo ao longo do período.
- Diabetes: o percentual de adultos com diagnóstico médico autorreferido subiu de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024.
- Hipertensão arterial: a prevalência aumentou de 22,6% em 2006 para 29,7% em 2024, atingindo quase um terço da população adulta.
- Atividade física no tempo livre: a prática de pelo menos 150 minutos semanais aumentou de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024.
- Consumo regular de frutas e hortaliças: manteve-se relativamente estável, variando de 33,0% em 2008 para 31,4% em 2024.
- Consumo regular de refrigerantes e sucos artificiais: apresentou queda importante, passando de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024.
- Sono e insônia: 20,2% dos adultos relataram dormir menos de seis horas por noite e 31,7% apresentaram ao menos um sintoma de insônia, com maior prevalência entre mulheres.
O crescimento da obesidade e do diabetes tem impacto direto na saúde da população, ao aumentar o risco de doenças cardiovasculares, insuficiência renal, complicações metabólicas e redução da qualidade de vida. Esses dados indicam também maior pressão sobre o sistema de saúde, com aumento da demanda por acompanhamento contínuo, tratamentos de longo prazo e manejo de complicações.
A pesquisa reafirma que enfrentar o avanço das doenças crônicas exige políticas públicas consistentes, atuação multiprofissional e engajamento permanente de profissionais de saúde, gestores e da sociedade.