A divulgação dos resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (ENAMED) 2025 trouxe muita preocupação em função de um panorama inédito sobre a qualidade dos cursos de Medicina no país.
A Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) defendem a criação de um exame nacional de proficiência, como pré-requisito para o exercício da medicina, semelhante ao modelo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Dessa forma, seria possível garantir competências mínimas para atuação clínica. A proposta é utilizar os dados do ENAMED para pressionar por maior qualidade na formação médica e regulação das faculdades no Brasil. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) apoia as propostas que estão sendo feitas pela AMB e CFM.
O exame, aplicado pelo Inep em 19 de outubro de 2025, avaliou 351 cursos de medicina em todas as regiões do Brasil e revelou um cenário preocupante: cerca de 67,1% dos cursos alcançaram desempenho satisfatório (conceitos 3 a 5), enquanto 32% ficaram nas faixas 1 e 2 e serão submetidos a medidas de supervisão do Ministério da Educação (MEC).
Nos infográficos apresentados (a seguir) vale mencionar que o ENARE é um exame seletivo para médicos formados, usado no ingresso em programas de residência médica. Já o ENAMED é um exame avaliativo aplicado a estudantes de Medicina no fim do curso, com foco na qualidade da formação médica no Brasil. O ENARE foi apresentado aos jornalistas na coletiva de imprensa para contextualizar o cenário da formação e da pós-graduação médica, já que o desempenho na graduação impacta diretamente o acesso à residência médica.
Nos gráficos vale destacar que para os mais de 80 mil que realizaram exames, somente sete mil vagas para Residência são oferecidas. Isso significa que menos de 10% dos formados terão oportunidade de fazer Residência Médica.


Alertas da SBEM
A Dra. Marise Lazaretti Castro, diretora científica da SBEM, comenta que vários alertas foram feitos pela SBEM, ao longo dos últimos anos, sobre o enorme número de escolas médicas abertas. “Agora, o país tem que lidar com a falta de capacitação. Somado à péssima formação, vista em algumas escolas, existe a grande defasagem no número de vagas para Residência, que não aumentou na mesma proporção da quantidade de vagas nas escolas”.
A diretora científica reforça que a preocupação da SBEM tinha total fundamento. “Colocar no mercado profissionais não qualificados para atender a população traz um risco muito grande à saúde de todos, porque dá poder a um profissional malformado de atuar como médico”.
Ela explica que a SBEM tem se mantido fiel ao propósito de oferecer a melhor prática médica dentro da área da Endocrinologia e Metabologia, baseada em evidências científicas atuais. “Temos oferecido diversas oportunidades para aperfeiçoamento e atualização técnicas para nossos associados. Eventos presenciais nacionais, regionais e dos nossos Departamentos são ofertados anualmente. Além disso, atividades propostas pela Comissão de Educação Médica Continuada, através de seus encontros virtuais mensais, dos podcasts e videocasts também são oportunidades para os associados de atualização e aprofundamento nas temáticas de interesse do especialista”, ressaltou.
Em relação à graduação médica, a SBEM temos buscado maior contato com os alunos de medicina, especialmente através das atividades com as Ligas Acadêmicas, que têm espaço garantido dentro dos eventos nacionais.
A SBEM já se manifestou publicamente em suas redes sociais, destacando a relevância dos dados do ENAMED como um alerta sobre gargalos na formação médica brasileira.
O objetivo, segundo a Sociedade, é incentivar uma formação médica que combine rigor técnico, pensamento crítico e capacidade de atuação em áreas essenciais da saúde pública.

Acesse o documento completo dos dados apresentados à imprensa.