Dia da Visibilidade Trans: SBEM Reafirma seu Compromisso com uma Prática Médica Ética, Científica e Humanizada

Em 29 de janeiro de 2004, um grupo de ativistas trans esteve no Congresso Nacional para se manifestar em favor da campanha Travesti e Respeito, em um ato político de afirmação da diversidade de identidades de gênero no Brasil. A campanha, de alcance nacional, foi construída por lideranças do movimento social de pessoas trans em parceria com o Programa Nacional de IST e Aids do Ministério da Saúde, tornando-se um marco importante na luta pelo reconhecimento e pela garantia de direitos dessa população.

A visibilidade permite reconhecer necessidades reais, orientar políticas públicas e ampliar o acesso aos serviços de saúde. Ainda assim, a primeira portaria do Ministério da Saúde, que regulamentou a atenção à saúde de pessoas trans no SUS, foi publicada apenas em 2008, sendo posteriormente substituída pela Portaria nº 2.803/2013, vigente até hoje.

Na prática clínica, dar visibilidade significa criar ambientes mais seguros, fortalecer o vínculo com o paciente e favorecer um cuidado mais individualizado e efetivo, além de reduzir desigualdades e reafirmar o compromisso da medicina com respeito, dignidade e cuidado humanizado.

Um atendimento inclusivo começa pelo respeito e pela escuta qualificada. Isso é essencial para uma boa relação médico-paciente, especialmente com pessoas que ainda enfrentam barreiras importantes de acesso, estigmatização e sofrimento emocional, fatores que impactam diretamente sua saúde integral. Ansiedade, depressão, isolamento social e vivências de discriminação são frequentes e precisam ser reconhecidos na construção de um plano terapêutico seguro e sensível às singularidades de cada indivíduo.

O cuidado deve ser conduzido de forma multidisciplinar, integrando o especialista em endocrinologia e metabologia, profissionais da saúde mental e outras especialidades, conforme as necessidades de cada paciente. O endocrinologista, em geral, assume papel central na coordenação do cuidado, uma vez que a terapia hormonal é um componente importante no processo de afirmação corporal. Esse acompanhamento deve ser ético, livre de preconceitos, atento às dimensões físicas, emocionais e sociais do paciente e baseado em evidências científicas, protocolos e diretrizes reconhecidas.

O especialista em Endocrinologia e Metabologia está capacitado para realizar avaliação clínica adequada, indicar e monitorar a terapia hormonal, garantindo seguimento regular, avaliação de riscos, monitoramento metabólico e ajustes individualizados, sempre com foco na preservação da saúde ao longo do tempo.

Nesse contexto, a SBEM reafirma seu compromisso com uma prática médica ética, científica e humanizada, e segue trabalhando para melhorar a capacitação dos endocrinologistas.

Dar visibilidade é garantir acesso a uma assistência qualificada, segura e verdadeiramente acolhedora.

Dra. Luciana Mattos Barros de Oliveira
CRM-BA: 14388. RQE: 8400
Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade (DEFAT)