Foi divulgada recentemente a Diretriz 2025 ‘Brazilian evidence-based guideline on the management of obesity and prevention of cardiovascular disease and obesity-associated complications’.
O documento foi produzido em conjunto por cinco sociedades médicas brasileiras – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo (SBEM), Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e Academia Brasileira do Sono (ABS) -, que propõe um novo protocolo para o manejo da obesidade, com ênfase na prevenção de complicações cardiovasculares associadas ao excesso de peso.
Diretriz: Mais do que perder peso é prevenir risco cardiovascular
Segundo os especialistas, a nova Diretriz vai além da tradicional abordagem focada apenas na perda de peso. Ela estabelece que o tratamento da obesidade deve ser planejado conforme o risco cardiovascular individual (a chance de desenvolver doenças cardíacas ou insuficiência cardíaca nos próximos 10 anos).
Para isso, recomenda usar modelos de risco específicos, como o que considera também fatores como diabetes, função renal e obesidade, para definir, de forma mais precisa, quem deve receber intervenções mais intensas, como medicação ou cirurgia bariátrica.
Metodologia Científica
O documento foi elaborado por um painel de 20 especialistas, representados pelas cinco sociedades científicas brasileiras, utilizando o método Delphi. Através de múltiplas rodadas de votação e análise de evidências científicas, foram definidas 25 recomendações com diferentes níveis de força e evidência.
Os níveis de evidência variam conforme o tipo de estudo: desde metanálises de ensaios clínicos randomizados até consensos de especialistas quando os dados são escassos.
Recomendações-chaves e Implicações Clínicas
- Pacientes com sobrepeso ou obesidade devem ser estratificados por risco cardiovascular (baixo, moderado ou alto) e risco de insuficiência cardíaca. Esse risco vai guiar a escolha do tratamento.
- Perdas modestas de peso, por exemplo, 5% do peso corporal, já proporcionam benefícios importantes na redução de fatores cardiometabólicos, como glicemia, pressão arterial e perfil lipídico.
- A Diretriz reconhece os avanços recentes em medicamentos antiobesidade, mas reforça que, em função do cenário no Brasil, onde o acesso via sistema público é limitado, as intervenções custo-efetivas e com impacto comprovado devem ser priorizadas.
- Para casos de obesidade grave ou risco cardiovascular elevado, a cirurgia bariátrica permanece como opção, desde que os benefícios sejam cuidadosamente ponderados com os riscos.
Desafios para o Sistema de Saúde
Os autores alertam para os desafios práticos da implementação da Diretriz no país, especialmente pela atual falta de acesso amplo a terapias anti-obesidade pelo sistema público. O acesso é um dos assuntos em pauta nos últimos meses em diversas esferas.
Eles defendem que políticas públicas devem priorizar recursos para intervenções eficazes em grupos de alto risco, a fim de reduzir o impacto da obesidade e das doenças cardiovasculares na população.
Impacto Esperado
Com essa Diretriz, espera-se que profissionais de saúde no Brasil passem a avaliar e tratar a obesidade de forma mais personalizada, com foco não apenas no emagrecimento, mas na prevenção de complicações graves. Dessa forma, a expectativa é a redução da carga de doenças cardíacas, insuficiência cardíaca e outras complicações associadas à obesidade.